27 de junho de 2010

A condição humana (Hannah Arendt)

Para quem não conhece a teórica política alemã e, por vezes, chamada de filósofa, Hannah Arendt nos deixou belas obras.
Destaco aqui "A condição humana" onde ela diz que são as circunstâncias onde o homem é inserido em sua existência que o faz rodar por este mundo.
Tais circunstâncias participam do sujeito no quesito identidade.
Hannah afirma que toda natureza humana é diferente da condição humana, coisa que não levamos em conta ou simplesmente ignoramos (=falta de conhecimento, sabedoria e instrução sobre determinado tema, ou ainda, a crença em elementos amplamente divulgados como falsos).
Essa diferença nós nem percebemos ou prestamos atenção.
Alguns aspectos são destacados e aqui, coloco 4 que me chamaram atenção:
- Circunstância social e familiar onde o contexto social e cultural que estamos participa da nossa identidade, bem como toda herança de comportamento imputada pela família.
- Mortalidade, pois, todo ser humano é mortal e isso nos causa angústia e importência. Para que querer tanta coisa? Egoísmo, hipocrisia, inimizades???
- Princípio da escassez onde ela diz que mesmo que todos tenham comida, não é distribuída. Disputas e competições derivam disso!!!
- Finitude racional do homem onde não entendemos algo contraditório. Não existe ou não podemos imaginar quadros redondos. A minha, a sua, a nossa razão é limitada pelas leis lógicas. Quadrado é quadrado e redondo, redondo.
Ela ainda destaca 3 aspectos sistematizados:
- Labor: elaborado para a sobrevivência do indivíduo e da espécie humana.
- Trabalho: é o que transforma coisas naturais em artificiais.
- Ação: necessidade que o homem tem de viver entre seus semelhantes.
Talvez seja por isso que pelos nosso atos ou aquilo que pensamos ou nossos sentimentos ou os aspectos internos do condicionamento somos exercídos ou pré-dispostos a transformar a cultura, os amigos, a família...

23 de junho de 2010

A Perfeição - Clarice Lispector

O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não TRANSBORDA nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.

Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente INVISÍVEL.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição. 


Soneto do amor total - Vinícius de Morais

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante

E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

21 de junho de 2010

A clareza é a fineza do filósofo

Estética

Estética (αισθητική ou aisthésispercepção, sensação) é um ramo da filosofia.
Seu objeto é o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte.
A estética estuda o julgamento e a percepção do que é considerado belo, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como as diferentes formas de arte e da técnica artística.
Sua idéia principal é a de obra de arte e de criação. A relação entre matérias e formas nas artes.
Por outro lado, a estética também pode ocupar-se do sublime ou da privação da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio ou até mesmo ridículo.
Na antiguidade, a estética era estudada em conjunto com a lógica e a ética (arte do bom). O belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra. A essência do belo seria alcançado identificando-o com o bom, tendo em conta os valores morais.
Na contemporaneidade ela foi aplicada a partir do século XVIII onde os conceitos do belo seguiam o rumo da apreciação, da fruição e da busca pelo juízo universal, pela verdade última de sua definição. A revolução francesa trouxe novos ares ao mundo e o engatinhar da revolução industrial novas luzes ao pensamento humano. Vários filósofos se preocuparam com o belo durante este período.
Podemos citar alguns traços da estética, com:
Estética Normativa que é o campo da filosofia que enriquece nas letras no corpo e nas pinturas;
Estética Profana onde o campo estetico é consitituido por dois polos: a sensação de um corpo nu, o julgamento em que o ser humano provoca atrito de olhar os orgaos genitais.

17 de junho de 2010

Desejar o Desejo

Costumamos querer sem saber o que queremos, costumamos falar de desejo sem saber o que ele significa. Fala-se tanto em desejo que ficamos confusos com seu sentido. Arthur Schopenhauer, no séc. XIX, pensava que o desejo era o motor do sofrimento. Desejar resultava em ser infeliz. O filósofo tinha certa razão, pois o desejo não vem com o equilíbrio como brinde. E a pergunta, a princípio ingênua, "o desejo é afinal bom ou ruim?" não nos abandona.
Apesar da relação entre desejo e excesso, à sensação de aventura impressionante que uma possível "descoberta" do desejo nos convida, nos tornamos temerosos do desejo. Todavia, permancecemos desejando. Se não estamos às voltas à procura de nosso desejo por conta própria, sempre há quem esteja por perto dizendo que temos que encontrá-lo e que isto será uma revolução pessoal.

Há quem fale da diferença entre querer e desejar, uns afirmando que o querer é racional e consciente e o desejo irracional e inconsciente. É uma boa distinção. De qualquer modo, mesmo confusos, sabemos que o desejo sempre nos põe diante de um abismo que apenas com paciência e atenção somos capazes de atravessar nosso dia a dia. Este abismo é o outro. E visando-o que descobrimos o que ele realmente é.

Estamos orientados a sempre desejar alguma coisa em relação ao outros, seja ele algo, uma pessoa, a sociedade ou o futuro. Quando desejamos o desejo, a vida vai bem. Nos movemos atentos à beleza, à tragédia, ao sublime da existência e tudo pode ser interessante e motivo de alegria. Baruch Spinoza, no séc. XVII, falava do desejo como uma espécie de impulso para a vida. A sua melhor qualidade era a produção da alegria como afeto saudável que nos fazia encontrar o outro como dádiva, luz, maravilha.

Para além da felicidade que advém do mero desejar o desejo, desejamos algo diferente dele. Às vezes desejamos as coisas e, como não conquistamos tudo o que queremos, sofremos. Quando desejamos pessoas podemos sofrer mais ainda, já que ao desejar outra pessoa que deseja como nós, nos deparamos com o obstáculo do seu próprio desejo que pode ser avesso ao nosso e nos rejeitar.

Muitas vezes, mesmo desejando alguém e tendo a sorte de uma amizade ou um amor correspondido pomos tudo a perder. Se não desejamos o que o outro é, acabamos por nossa própria conta que ele deveria ser. Mas quem teria este direito de desejar por nós?

por Marcia Tiburi, publicado em Vida Simples em 2008.

12 de junho de 2010

12 de junho

Atração é o ponto inicial de todo amor.
Esta atração pode ser física, bem como mental e somente aqueles que estão apaixonados decidem o limite do amor (se é que existe um limite em amar).
Este não pode estar demarcado por fronteiras ou observado por uma religião, pois, isto seria como uma brisa fresca através da qual um fluxo de amantes tenta encontrar a direção de suas vidas.
Alguns conseguem o sucesso e outros se perdem no meio dele porque nossa sociedade está mudando e ficando muito mais liberal (ao meu ver), amizade entre sexos opostos seria um encontro não duradouro com um ponto de interrogação, como fora nas décadas passadas.
Esta também é uma razão por detrás da popularidade do Amor platônico, que está sendo aceito agora pelas massas.
Amor platônico, numa definição intelectual, é um relacionamento bonito e amoroso entre um ser e outro em que sexo não acontece.
Amor platônico seria um fechamento mental de duas pessoas em que sexo não funciona, mas existe um sentimento escondido de amor e como estas pessoas são mentalmente fechadas umas com as outras, o amor gasta tempo até ser dividido um com o outro, em seus corações, nunca em seu corpos.
Quando duas pessoas se encontram sem nenhuma expectativa, se entendem e dividem seus sentimentos, posteriormente podem estar numa relação de AMOR, sem que haja lugar para a necessidade física; o chamado amor platônico.
Com as mudanças no padrão de vida, competição difícil e famílias quebradas, este tipo de relacionamento tornou-se a demanda dos dias de hoje.
Amor platônico é uma forma da amizade dar satisfação mental onde um indivíduo necessita de um amigo a quem possa amá-lo sem nenhuma expectativa, que possa fornecer um ombro para recostar-se e nesta amizade chamada amor platônico este sentimento é a atração mútua presente.

3 de junho de 2010

Você sabe o que é Filosofia?


Essa é uma das perguntas mais irritantes e complicadas de se responder. Talvez a forma menos penosa seja mudar a pergunta. Como assim? Ora, ao invés de priorizarmos o "o que", daremos atenção ao "como". Continua sem entender? É simples, vou lhe mostrar.
A melhor maneira de se compreender o que é Filosofia, sem sombra de dúvida, é perguntarmos pelo seu modo peculiar de proceder, sem nos preocuparmos tanto com o que ela estuda ou o que ela é, mas como faz sua análise. Desse modo, tão logo estivermos de posse de um texto filosófico, perceberemos que ele possui algumas características compartilhadas por várias outras obras escritas por diferentes filósofos:
1. Primeiramente, constitui umas análises racionais, precisas e rigorosas do(s) tema(s) em questão, num esforço interminável de fundamentar suas idéias. A forma mais freqüente e equivocada de julgar o exercício filosófico é aproximá-lo de uma mera emissão de opiniões e "achismos". A filosofia, pelo contrário, a todo o momento, tenta afastar as idéias superficiais e preconceituosas - próprias do senso comum - em direção às idéias fortes e bem articuladas. Por conseguinte, é indispensável que o trabalho do filósofo prime, antes de mais nada, pela precisão e rigor dos conceitos utilizados e pela preocupação com a lógica e clareza na exposição de seus argumentos. Isso não quer dizer, necessariamente que as obras filosóficas tenham que ser chatas difíceis, mas que apresentam características próprias que nos impede de confundi-las com a Literatura e outros escritos.
2. A análise filosófica se preocupa com a totalidade e não com as partes dos problemas - de propriedade das outras ciências. A sociologia, por exemplo, tem por objeto a sociedade, a psicologia, a psique, a física, os corpos em movimentos (suas leis, estruturas etc.) e assim sucessivamente. Todas essas ciências constituem áreas específicas do saber, que mesmo quando ultrapassam seus limites com o intuito de solucionar problemas, continuam limitadas às suas perspectivas singulares. Isso não acontece com a Filosofia. O primeiro passo da reflexão filosófica é a (tentativa de) suspensão de todo referencial que venha a limitar o caráter abrangente, característico da Filosofia. Assim, o filósofo é aquele que tem por obrigação uma "visão alargada" e razoável do mundo e dos saberes, sendo, desse modo, o debatedor mais competente dentre os demais, pois é capaz de unir as diversas perspectivas - quando julga necessário - ou perceber seus pontos fracos. Não pretendo defender aqui que o filósofo seria um super ser mas uma pessoa com a mente aberta e com a constante preocupação de buscar novas formas de visar os problemas.
3. É eminentemente crítica. Se o filósofo pretende refletir sobre os problemas e temas relevantes, para que possa construir uma argumentação coerente e com as características anteriormente abordadas, inevitavelmente, transformará seu pensamento em crítica: às formas anteriores de abordagem da questão, aos sistemas filosóficos que o antecederam, à tradição e etc. Essa é a forma mais característica do filósofo proceder. No entanto, não se trata de uma crítica ofensiva, mas um pôr-em-questão, de modo a perceber os limites das teorias vigentes e apontar para novas formas de abordagem.
4. Por fim, o rigor característico de toda atividade racional está freqüentemente aliado, no exercício filosófico, à idéia de sistematização. É indispensável na exposição de argumentos, além da clareza e precisão abordados acima que o filósofo reflita e demonstre de modo sistemático seu raciocínio. Um conjunto confuso e superficial, com ausência de encadeamento lógico, desqualifica um trabalho que pretende ser filosófico.
Vimos que a filosofia pode ser mais precisamente definida, à despeito de seus inúmeros sistemas e métodos, como uma atividade racional que se utiliza de procedimentos sitemáticos, rigorosos e precisos de análise e exposição de idéias, sempre a partir de uma postura crítica e coerente.
Outra forma de definir o que vem a ser Filosofia, apesar de mostrar-se insuficiente frente às expectativas do aluno, seria recorrer à boa e velha história, e afirmar que se trata de um produto grego do século VI a.C. Mas aí não teria a menor graça...
(Emmanuel Fraga - Filósofo)

Como o que faz o estudo pode ser o objeto de estudo?

O homem sempre quis ser reconhecido por aquilo que faz na terra buscando encontrar o significado de sua vida, o motivo para estar aqui, se aprofundar para descobrir quais crenças o faz agir de certos comportamentos e fica a questão: o que tem de importância nisso? A história do homem que busca o seu destino, conhecer a si mesmo.
Agora a questão é outra: como aquele que faz o estudo ou a pesquisa pode ser ao mesmo tempo o objeto de estudo?
Segundo Cassirer este homem “percebe que o estudo dele na sua origem já é um desafio e que o objeto de estudo está se compondo e decompondo”, ou seja, o próprio homem se compõe e decompõe, tornando-se o pondo de regularidade.
Essa regularidade se dá segundo Cassirer, pelo que ele pensa, diz, faz e assim tem um resultado da ação traçando um método para se chegar à integridade, à atualização daquilo que está em potencia, à virtude.
Para Mondin, o ponto de partida deste homem é aquele que deseja se comunicar e o faz simbolicamente. Já para Paulo Freire é através da alfabetização que se cria o mundo onde se vive: “é a palavra que ajuda a revelar o mundo”.
Platão afirma que “as massas nunca serão filosóficas”. É válido até hoje e chega-se a conclusão que a visão do mundo que o homem constrói não pode estar separada do “policiamento” do pensamento. Este deve ser refinado e que devemos parar para nos auto-criticar, pois, quem procura uma visão de mundo fundado na filosofia precisa se apoiar na própria razão, ou seja, duvidar de tudo e ter a coragem de pensar racionalmente, colocando em xeque-mate as suas idéias, as suas crenças, as suas convicções, os seus dogmas etc. Se interiorizar para refinar o pensamento.