29 de setembro de 2010

O que é dizer o que algo é?

Para esclarecer um pouco o questionamento do post acima, devemos nos remeter ao pensamento de Heidegger (1889-1976).

Para Heidegger o pensar é um re-pensar, ou seja, é aquilo que é sempre pensado pela filosofia em toda sua história.
É preciso re-pensar a história de uma origem que acabou, pois a origem da metafísica foi privilegiada por Platão e Aristóteles onde colocou-se as bases do conhecer no pensamento ocidental.
Tais concepções adotadas por Platão e Aristóteles nortearam o percurso do pensamento após ambos.
Metafísica, então, é justamente a história do esquecimento desses pensamentos. Noções que se movem no esquecimento de questões políticas, sociais, educacionais etc.
Daí re-pensar as origens e com isso desconstruir a metafísica porque esgotou tudo que se tinha nela ou dela.
Só se desconstrói o que se dá importância! E desconstruir a metafísica é uma tarefa que devemos fazer com amor. Levando-a a sério desvelo seu ponto de partida escondido: Deus, verdade, homem.
Estas três questões são as mais questionadas metafisicamente. Saber o que é Deus, como chegar à verdade e o que é o homem.
É preciso então um horizonte de interpretação a partir do qual abre-se um espaço para criticar a metafísica.
Heidegger faz isso, mas não critica para acabar com a metafísica ou julgá-la desnecessária, muito pelo contrário.
Vocês devem estar se perguntado: o que tem a ver tudo isso com o questionamento inicial? Explico.
Aristóteles em sua obra Metafísica nos diz que devemos estudar o "ser" enquanto "ser", entender o "ser" enquanto "ser".
Ente são todas as coisas que a filosofia se utiliza como por exemplo, homem, sapato, janela, sonho...
Todo ente "é". Agora, os entes são múltiplos. O "ser" é unico.
O que temos em comum aqui é que ente e ser, são.
Então qual o sentido de dizer que há infinitos entes e ao mesmo tempo igualmente são? Qual o sentido de dizer que o ente é? Qual o sentido?
Voltando a Aristóteles, ele nos afirma que "conhecer [aquilo que é] enquanto [é]" é o que queremos.
Sendo assim, dizer o que algo é, é definir. Exemplo: O homem é animal racional.
Quando afirmamos "o ser é" já usamos o verbo [ser] que relata o ser como indefinível.
Quando tentamos dizer o que o ser é, tornamos ele um ente.
No horizonte de interpretação temos então a unicidade do ser em meio a multiplicidade dos entes.
Heidegger quer um fundamento na metafísica para juntas o ente e o ser.
Este fundamento é a palavra revelada: Deus.
Mas ele vê uma insuficiência na fé cristã e se afasta do catolicismo. Começa a pensar então que para entender o sentido do ser é preciso passar pelo ente. Para chegar ao ser, é necessário escolher um ente privilegiado.
Qual é então este ente privilegiado??? O HOMEM.

25 de setembro de 2010

A trajetória de Foucault

Foucault divide sua trajetória por momentos e fases.

1º momento: Fase da arqueologia
Nesta fase ele procura conhecer determinados saberes que se constituem de determinada maneira e para isso cria a noção de episteme, ou seja, um conjunto de saberes que constituem um grupo específico. De tempos em tempos a sociedade cria saberes com regras e normas e o problema é o controle, a forma de manipular a sociedade.
Podemos usar o exemplo da informática. Toda nossa vida está informatizada. A principal condição para esta informatização é o crescimento da população. Tudo que o homem cria é para uso dele e benefício dele mesmo, mas determinados saberes surgem para suprir estas necessidades e com isso vem o controle.

2º momento: Fase da genealogia
Nesta fase ele se preocupa com outro grupo social. Naquele que o âmbito é a justiça. Levanta a forma como certas pessoas são marginalizadas e como serão tratadas tanto pela sociedade como por órgãos competentes. Sua questão é como identificar e determinar que é criminoso?

3º momento: Fase da ética
Nesta fase ele quer saber a constituição do sujeito enquanto sujeito. Trabalha com momentos de ruptura e nestes momentos de ruptura surgem novos fatores que constituem novas epistemes.

O objetivo de Foucault é fazer um diagnóstico do presente em função do que vimos no passado. Para isso, é preciso considerar todo histórico da época: literatura, religião, ciência, filosofia, história etc. Ele se utiliza de documentos da época e diz claramente que não devemos interpretar os documentos em suas entrelinhas, mas focar no conteúdo deste documento. Na medida que interpretamos, distorcemos o que está contido neste.

Sua obra é um retrato fiel às épocas retratadas.

14 de setembro de 2010

O ignorante político

O pior analfabeto não é quem não sabe ler e escrever, quem só consegue se guiar pelas cores dos ônibus, quem não frequenta uma escola e escreve o nome com sua digital.
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não vê, não quer participar da vida que lhe cerca e nem dos acontecimentos políticos de seu país, da sua cidade e do seu bairro.
Porém, ele não sabe que o custo de vida, o preço do arroz e do feijão, da gasolina, da condução, do aluguel, do remédio e, inclusive, dependem das decisões tomadas pelos políticos.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Mas mal sabe ele que da sua ignorância política, nasce a corrupção, a universidade sucateada, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos: o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas multinacionais que só tiram proveito das vantagens pessoais para ele e para seus amigos, do cargo que ocupa e segue impune enriquecendo a cada ano, a custa dos milhares de ignorantes políticos que votaram nele.
Não seja um analfabeto político.

"Não há nada de errado com aqueles que não
gostam de política, simplesmente serão
governador por aqueles que gostam."
Platão

3 de setembro de 2010

"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão...
Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que,
de mim, arrancam lágrimas e canções.
Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar.
E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.
Era o espírito da gravidade. ele é que faz cair todas as coisas.
Não é com ira, mas com riso que se mata. Coragem!
Vamos matar o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr.
Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo,
agora um Deus dança em mim!"

(Friedrich Nietszche)
03/09/2010 - 22:53