25 de novembro de 2010

A relação entre o "ser-para-a-morte" de Heidegger e a existência autêntica

A existência autêntica fundamenta a consciência do homem perante sua finitude, ou seja, a percepção de que sua existência está condicionada à temporalidade.
Através da busca de si mesmo, o "ser-aí" (Da-sein; homem) faz uma reviravolta, o que lhe proporciona uma existência autêntica. Ao contrário, observamos que em uma existência inautêntica o homem procura "sossegar-se", imerso no anonimato.
Embora o "se-aí" exista e tenha essa consciência, ele é livre, podendo optar por uma existência autêntica ou inautêntica.

16 de novembro de 2010

Relação entre o filme Thelma e Louise de Ridley Scott e a questão da liberdade em Sartre


No filme “Thelma e Louise” há vários fragmentos que se relacionam com a filosofia de Sartre e a questão da liberdade, o determinismo, a má fé, os obstáculos, os valores, porém, o foco deste trabalho será apenas na relação entre a liberdade sartreana.
O impulso das personagens para um final de semana de aventuras é única e exclusivamente a escolha de vivenciar momentos através de outra perspectiva.
A condição do agir é a liberdade e Sartre fixa a liberdade na essência do homem.
Quem nega a liberdade afirma que o homem é determinado por sua natureza, por sua natureza concreta, ou seja, que este homem a conceba como sua estrutura psíquica, como o inconsciente freudiano, quer como o homem dominado pela sociedade em que vive, pela estrutura econômica de tal sociedade ou como qualquer outra coisa.
A frustração e o tédio do casamento, relacionamentos conturbados e uma vida vazia é apenas um enredo dentro da vida daquelas mulheres que, dentro de suas limitações, procuram uma solução alternativa para a superação de seus “fantasmas”.
O cansaço torna-se um motivo para que elas abandonem as atividades costumeiras, sendo mais importante o conforto do que o empenho em levar a termo uma ação iniciada.
Acabam assim, contribuindo para que um obstáculo se torne intransponível dependendo do fim que se propõem e do valor que atribuem a esse fim.
Quando Sartre nos fala sobre significações, o homem pode transformar alguns obstáculos em superações, mas, além disso, o mais importante talvez seja um projeto de vida construído com os alicerces de nossas melhores escolhas.
Até aqueles que possam admitir o determinismo, devem admitir que exista uma impressão (uma ilusão segundo Sartre) de escolher, isto é, de decidir com base em determinados motivos e que são os motivos que nos determinam a querer. Os motivos são em última analise as coisas conhecidas que nos atraem de formas variadas.
Estamos lançados em um mundo incerto e, como estamos condenados à liberdade, esta ou é nossa melhor aliada ou pior dos inimigos.
O homem é um ser ontologicamente livre e a liberdade é necessária porque ele está condenado a ela. Somos tão livres que não podemos deixar um minuto sequer de escolher. A vida é sempre uma escolha.
Por mais que o filme dê uma sugestão de uma virada radical da rotina, intimamente ele fala de construção de vida e de ideias de felicidade, que dentro de uma liberdade intrínseca humana, por vezes não conseguimos estabelecer o melhor direcionamento e o melhor reconhecimento de nossas fraquezas.

1 de novembro de 2010

As paixões da alma por Descartes


O que os antigos ensinaram a respeito das paixões é tão pouco e, na maior parte tão crível, que não se pode alimentar nenhuma esperança de aproximar-se da verdade.
Para iniciar ao tema Descartes procura escrevê-lo como se em momento algum tivesse sido tocado por tal.
Ele considera que tudo o que se faz ou que acontece de novo é geralmente chamado pelos filósofos de paixão em relação ao sujeito a quem acontece.
Naquilo que na alma é uma paixão, no corpo é uma ação, desta forma, a melhor forma de se chegar ao conhecimento é examinar a diferença que há entre a alma e o corpo e, assim, lhes atribuir cada uma das funções existentes em nós.
Será simples essa distinção se for levado em conta que tudo aquilo que experimentamos existir em nós e que vemos existir também nos corpos inteiramente inanimados só devem ser atribuídos a nosso corpo. E, de modo contrário, tudo aquilo que existe em nós e que não concebemos de alguma maneira que possa pertencer a um corpo, deve ser atribuído à alma.
Pelo fato de não concebermos que o corpo pense de alguma forma, temos razão em acreditar que todos os tipos de pensamento existentes em nós pertençam à alma. E, desde que não duvidemos que corpos inanimados possam mover-se de diversas forças e que possuem tanto ou mais calor que nós, devemos crer que todo o calor e todos os movimentos, quando não dependentes do pensamento, pertencem ao corpo.
Ao ver que todos os corpos mortos são privados de calor e de movimentos Descartes chega à conclusão de que a ausência da alma é que fazia cessar esses movimentos e calor. Deste modo, ele chega a pensar que nosso calor natural e todos os movimentos de nossos corpos dependem da alma, quando se deveria pensar ao contrário, que a alma só se ausenta do corpo quando se morre. Isto porque esse calor cessa e os órgãos que servem para mover o corpo se corrompem.
Devemos considerar que a morte nunca ocorre por culpa da alma, mas apenas porque algumas das principais partes do corpo se deterioraram.