3 de dezembro de 2010

Mitos: do Sol, da Caverna e da Linha (Platão)

Algumas pessoas só conhecem o Mito da Caverna de Platão (o mais famoso e comentado em disciplinas de Filosofia) que consta no Livro VII da República.
Abaixo a explanação e uma pequena explicação dos demais mitos ricos em sabedoria também.

MITO DO SOL
Platão faz uma analogia do Sol com o Bem onde o Sol reprsenta o sensível no que concerne à visão e ao visível e o Bem ele relaciona ao inteligível e ao intelecto.
Quando os olhos veem na escuridão da noite, veem pouco ou nada e quando olham para a luz do Sol, veem com clareza e a visão assume o seu papel adequado.
Assim, acontece com a alma quando se mistura às trevas - o que nasce e morre - só é capaz de opinar e conjecturar, parece não ter intelecto, enquanto que quando contempla o que a verdade é o Se ilumina, ou seja, o puro inteligível assume a estrutura e papel, pois o Sol não só dá às coisas a capacidade de serem vistas, mas causa geração, crescimento nutrição.
Analogicamente, o Bem, não só causa a cognoscibilidade das coisas, mas causa-lhes também o Ser e a essencia.
Conquanto o Bem, não é a essência, está para além dela pela sua "dignidade e poder", a ideia do Bem infere às coisas conhecidas verdades e a que as conhece a "faculdade de conhecer a verdade".
E como a visão e o visto não são o Sol, mas afins do Sol, assim também o conhecimento e a verdade não são o Bem, são afins ao Bem.

MITO DA CAVERNA
Platão descreve a ascensão do homem (corpo e alma) ao conhecimento, a verdade através da capacidade de acessar coisas sensíveis e inteligíveis.
Na caverna, não viam mais que sombras (aparências) e com a saída, far-se-á a distinção entre aparência e realidade.
Os que permanecem na caverna, nao tem acesso à Paidéia (educação), ao conhecimento, à alétheia (verdade) e a escensão é gradual, contempla o fogo, os objetos, as imagens dos homens e objetos, refletidas na água, o céu, a luz das estrelas, a lua e, por fim, o Sol.
Faz-se aí a ruptura, lança-se o olhar sobre si, sobre o próprio espírito, conversão daquilo que era tateável para aquilo que é verdadeiro.
Platão descreve a subida da alma ao lugar inteligível (para o espírito a ideia do Bem é inteligível e inteligente) recorrendo novamente à imagem do Sol para ilustrar a "visão iluminada".
A visão é chamada a olhar o que está desvelado (alétheia), a forma inteligível (eidos), ou seja, o que está claro, evidente, a Ideia, a inteligibilidade, o inteligível.
O caminho da dialética ascendente é o mesmo da dialética descendente a partir de uma perspectiva ontológica onde os "dois mundos" formam uma realidade única: um conduz ao outro; relação entre o devir e a Ideia.

MITO DA LINHA
Platão descreve o conhecimento humano e as partes em que ele se divide recorrendo à imagem de uma reta dividida em dois e cada uma das partes novamente dividida em duas.
A primeira parte representa o conhecimento sensível. A segunda parte o conhecimento inteligível.
A cada objeto de conhecimento corresponde uma operação da alma: imaginação, suposição (eikasia); crença, fé opinativa (pistis, doxa), mais que suposição que tenho as coisas; operação realizada pelo raciocínio, poder do discurso, argumentação (dianoia); inteligência (noesis), passagem da alma de ideias para ideias, ato intelectual do conhecimento ou intuição intelectiva.
Ao propor a divisão da linha, Platão não divide necessariamente o mundo em dois (sensível e inteligível), mas apenas um mundo, proporcionalmente, analogicamente e geometricamente dividido em lugares e sob a égide do Bem (República), do Um (Parmênides), do Um-Bem (Doutrinas não-escritas), situado além da ousía, da realidade.
A cada um dos quatro segmentos, vão responder quatro atividades da alma.
Platão pontua que através da dialética atingir-se-ia o conhecimento do Ser e do inteligível, pois a ciência leva a hipóteses, tendo-se em vista que estudam pelo pensamento e não pelos sentidos. Desta forma, sem "subir até o princípio", porém, a partir de hipóteses, não se tem a inteligência, tem-se o entendimento.
O entendimento, segundo ele, é deste modo o intermediário entre a opinião e a inteligência e, sustenta ainda que quem não é capaz de definir a essência do Bem, abstraindo de todas as outras coisas, depois de tê-las percorrido, não conhece o verdaddeiro Bem.



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