27 de dezembro de 2011

A arte como um não fazer - Ferreira Gullar

Saiu na Folha neste domingo (25.12.2011) e abaixo transcrevo o texto, muito bom por sinal.
Espero que gostem, pois eu adorei (indicação de meu professor de Estética - Sidnei Vares - UNIFAI)


A arte como um não fazer

O artista conceitual, se usa objetos, usa-os pelo que significam em sua relação com o espaço social

Os adeptos da arte conceitual, em geral, consideram-me um inimigo irredutível desse tipo de expressão, o que não é inteiramente verdade.

Ou pelo menos, não adoto uma atitude meramente negativa; antes, procuro entender o que ocorreu, o que gerou esse tipo de manifestação. E esse pode ser o caminho, se não para aceitá-la, pelo menos para compreendê-la e situá-la.

E nisso espero que o leitor me acompanhe porque, se não me engano, a maioria, como eu, questiona esse tipo de arte.

O que se chama de arte conceitual eliminou a pintura. Eliminou também a escultura, mas, como lida com objetos, tem alguma coisa de escultura em suas instalações.

Mas só aparentemente, porque o escultor, seja ele figurativo ou abstrato, valha-se ele do volume ou da placa, trabalha sobre a superfície e o espaço, buscando transfigurá-los.

Já o artista conceitual não; se usa objetos -cadeiras e mesas, manequins de gesso ou o que for- usa-os pelo que significam em sua relação com o espaço social; enfim, pelo que significam como coisas do nosso dia a dia. Valem-se dessa situação normal para violentá-la e chocar o espectador. Um exemplo é quando põem cadeiras e mesas, uma sobre as outras, num equilíbrio instável, criando uma relação inesperada entre esses objetos e o espectador.

Esse tipo de expressão tem origem no dadaísmo, que, por sua vez, inspirou-se, de um lado nas colagens cubistas: envelopes de cartas e recortes de jornal -elementos "ready-made"- colados na tela, e de outro, na frase de Lautréamont: "O encontro fortuito de uma máquina de costura e um guarda-chuva sobre uma mesa de necrotério".

É que o objeto comum, posto em situação inusitada, revela a expressão de sua forma, até então oculta pelo hábito.

Isso se aplica perfeitamente ao urinol que Duchamp enviou para a Exposição dos Independentes, em 1917, uma vez que, posto na situação de obra de arte, o objeto perde a funcionalidade para revelar-se como pura forma. Neste caso, ao escolher um urinol, e não outro objeto, Duchamp manifesta seu desprezo pelo que se considerava arte, uma atitude bem dadaísta.

Mas há outro componente implícito no nascimento desse primeiro "ready-made", já mencionado por mim aqui, e que foi a sua visita a uma exposição de indústria naval, em Paris, quando se deparou com uma enorme hélice de navio, que lhe pareceu uma escultura.

Era uma obra de arte criada pela indústria sem o propósito de criar arte -um "ready-made". Esse fato compõe o quadro histórico em que se dá grande mudança dos valores artísticos no começo do século 20: trata-se de uma época em que a produção industrial toma conta da sociedade. Isso, de certo modo, agrava a crise da pintura, que é essencialmente não industrial, artesanal.

Mas nem todos os artistas daquela época viam as coisas do mesmo modo que Duchamp. Mesmo um dadaísta como Hans Arp, ainda que tendo abandonado a linguagem usual da pintura e da escultura, manteve-se fiel à essência delas, criando obras não obstante inovadoras. A verdade é que as artes artesanais se mantiveram e se mantêm até hoje.

O próprio Duchamp, como já observei anteriormente, não abriu mão da realização artesanal, quando realiza, entre 1915 e 1923, "O Grande Vidro" e, depois, dedica os últimos 20 anos de sua vida à realização de "Étant Donné".

Outro artista desse mesmo grupo que se mantém durante alguns anos realizando obras artesanais é Kurt Schwitters, com suas colagens a que deu o nome de arte Merz.

Mais tarde, inventou o "Merzbau", uma antecipação das atuais instalações, ainda que essencialmente diferente, uma vez que se trata de uma obra sem fim, feita ao sabor do acaso: saía para trabalhar e, se encontrava alguma coisa que a seu ver cabia na obra, a trazia para casa e a inseria nela.

Como uma espécie de árvore, o "Merzbau" crescia a cada novo achado, a ponto de ter invadido o andar de cima da casa. Como teve que deixar a Alemanha, perseguido pelos nazistas, retomou a realização do "Merzbau" em Londres e nele trabalhou até morrer.

Como se vê, trata-se de uma experiência muito distinta das instalações feitas atualmente, que, como o próprio nome indica, pretendem emitir conceitos, a exemplo da arte engajada que sobrepõe a mensagem à elaboração estética.

AMANHÃ NA ILUSTRADA: Luiz Felipe Pondé

25 de dezembro de 2011

O valor supremo da generosidade como virtude do agente histórico


Citando um texto de Mauss, ele aponta “como o Dom é a conseqüência da possessão pela alma”:

a obrigação de doar é a essência do potlach. Um chefe deve doar os potlach para si mesmo, para  seu  genro,  para  sua  filha,  para  seu  filho,  para  seus  mortos.  Ele só conserva sua  autoridade  sobre  sua  tribo,  sobre  sua  aldeia,  sobre  sua  família,  só mantém sua categoria entre os outros chefes – nacionalmente e internacionalmente – se ele provar que é assombrado e favorecido pelos espíritos e pela fortuna; que ele é possuído  por  ela  e  que  ele  a  possui;  e  ele  só  pode  provar  essa  fortuna,  se  ele despendê-la,  distribuí-la,  humilhando  os  outros,  ao  colocá-los  ‘à  sombra  de  seu nome’  ...  porque  no  Noroeste  americano,  perder  o  prestígio  é  perder  a  alma:  é realmente a ‘face’, é a máscara da dança, o direito de encarnar um espírito, de portar um brasão, um totem, é realmente a persona que são assim colocadas em jogo, que se  perde  no  potlach,  no  jogo  dos  dons,  como  se  pode  perdê-los  na  guerra  ou  por  uma  falta  ritual.  (Mauss:  Essai  sur  Don,  forme  archaïque  de  l’échange.  Année Sociologique 1923-24, p. 100 à 102).  (Ibidem, p. 387).

No desenvolvimento de sua pesquisa, ele observa que a sustentação ontológica dessa prática está diretamente ligada à consciência em sua gratuidade e, para apreender melhor essa questão,ele  retorna  ao  plano  individual  procurando  nas  raízes  de  sua  ontologia fenomenológica a fundamentação desse pressuposto. Em primeiro lugar, ele lembra que a gratuidade da consciência está assentada em duas condições a priori de seu ser: 1a – na necessidade de sua contingência; 2a - na consciência de não ser o seu próprio fundamento.

“A adaptação do  ser  por  si  mesmo  como  não  sendo  seu próprio fundamento acha-se no fundo de todo cogito (...). Penso, logo sou. Sou o que? Um ser que não é o seu próprio fundamento; um ser que, enquanto ser, poderia ser outro que não o que  é,  na  medida  em  que  não  explica  o  seu  ser.  É  a  intuição  primeira  de  nossa  própria contingência(....). Em nossa apreensão de nós mesmos aparecemos com caracteres de um fato injustificável” (Sartre EN, p. 115, 116)

É com esse pressuposto que, em L’Être et le néant,ele desenvolvia sua noção de contingência e  facticidade apresentando-as como as “estruturas imediatas  do  para-si”. E, como conclusão do seu  raciocínio, o filósofo  acrescentava: “O para-si é consciente de sua facticidade: tem o sentimento de sua gratuidade total, apreende-se como estando aí para nada, como sendo supérfluo(Ibidem, p.120).
Ao retomar esse tema nos Cahiers, Sartre o enriquece colocando na consciência dessa gratuidade  a  condição  de  possibilidade  de  se  alcançar  a  liberdade.  Ou melhor: só  quando  a consciência se reconhece e se aceita como necessariamente contingente e gratuita, é que ela se alcança em sua liberdade e em sua existência. “Assim - diz ele,

se  a  consciência  parar  de  lastimar  sua  estrutura  profunda,  ela  alcançará  sua necessidade  no  coração  de  sua  gratuidade.  Não é  necessário  que  ela  exista,  mas  é necessário que isto não seja necessário; não é necessário que ela tenha este ponto de vista, mas é necessário que ela tenha um ponto de vista e que este ponto de vista não seja necessário (...). A consciência alcançando a necessidade dessa gratuidade pode e deve amar esta gratuidade como condição a priori de sua existência e de salvação do seu ser (...). Em uma palavra, uma consciência é necessariamente livre e finita; livre porque é finita. A consciência alcança então em sua finitude contingente a condição necessária de sua liberdade e de sua existência (...). Minha contingência é necessária à minha  liberdade,  mas  minha  liberdade  assume  minha  contingência  (...).  Minha liberdade dá a dimensão de liberdade àquilo que era necessidade, e a contingência dá a dimensão de necessidade àquilo que era liberdade indeterminada. (Sartre, CM, p. 508).

É nesse momento que, pela primeira vez, a relação do homem com as coisas se dá independentemente da identificação e da apropriação, isto é, ela ocorre sob a mais absoluta gratuidade: aqui,“o indivíduo se perde para que o mundo exista”, possibilitando, dessa forma,  a constituição de  uma relação autêntica e verdadeira. Ressaltando a importância desse acontecimento, o filósofo observa:

É necessário, além de tudo, compreender claramente o que quer dizer ‘fazer com que haja ser’. Não é somente manifestar o Ser puro, é fazer com que o Ser puro apareça em um mundo, é colocar em relação (...). Assim, pelo Para-si, o Ser vem ao mundo. O Para-si  é a Relação. Só há relação se o Para-si for relação a si e relação ao Ser pela estrutura ontológica. (...). Conduzidos pela noção de relação que evoca a idéia de relatividade, eles [o Para-si e o Ser] só são vistos sem dúvida como dois termos unidos por uma relação, estão no seio dessa relação unidos um ao outro (...). Porque a  relação  é  precisamente  a  unidade  da  dualidade  na  unidade,  que  só  pode  vir  ao mundo  por  um  ser  que  seja  em  si  mesmo  dualidade  na  unidade  (o  que  supõe  uma negação  íntima  de  cada  termo  pelo  outro,  uma  repulsão  na  atração).  Assim  o
desvelamento  do  Ser  é  contato  de  dois  absolutos  do  qual  um  está  axialmente centrado  sobre  o  outro.  A  consciência  não  poderia  existir  sem  o  Ser  e  ela  é imediatamente  dupla  relação:  ela  é  relação  a  si  como  sendo  a  si-mesmo  o  não-ser este  ser  e  ela  é  relação  de  negação  interna  (como  não-sendo-este-ser)  com  o  Ser. Assim é pela negação interna do Ser que ela surge como absoluto, e reciprocamente o  Ser  está  absolutamente  no  mundo  porque  a  consciência  sendo  absoluto  como relação, as relações estabelecidas são relações no absoluto. (Ibidem, p. 512). 

11 de dezembro de 2011

Os três absolutos e as três visões de mundo


Quando tratamos de filosofia ou visão de mundo, temos que saber com clareza que, por mais que tratemos de diversas filosofias o que está em jogo é o conceito de Absoluto.
De acordo com a visão de Absoluto, há um reflexo na existência do individuo implicando na sua conduta, formando, assim, os conceitos: ética, homem, morte e além.
Começaremos explicando o que é o Absoluto.
Diz-se Absoluto aquilo do que é em si e por si, independentemente de qualquer outra coisa, possuindo em si mesmo sua própria razão de ser, não comportando nenhum limite e sendo considerado independentemente de toda relação com um outro.
O Absoluto é a arké, é o princípio dos princípios, é o começo dos começos, é a causa das causas, é a origem das origens, é aquilo do qual tudo depende sem ele depender de algo.
Em meio às tendências filosóficas existentes podemos considerar que há três conceitos de Absoluto: o Materialista, o Cosmo-Espiritualista e o Religioso.
Por uma tendência racionalista das universidades, a filosofia é criticada pelo fato de alguns dizerem que a religião é um exercício e atividade de fé. Quanto à razão, quem trata é a filosofia.
Os pensadores religiosos discordam dizendo que a fé não dispensa o uso e a utilidade da razão, mas precede, e de tal modo, tornando possível que o pensamento religioso parte da razão.
Para o Materialista, o Absoluto é nada mais do que a matéria onde nada existe fora dela, de tal modo que ela é o principio e o seu meio. O homem dentro de uma tendência materialista é a divindade de si mesmo, um animal que faz coisas quantitativamente superiores aos demais animais.
A ética Materialista é puramente aquilo que garante sua sobrevivência e convivência com os outros e a morte é vista, apenas, como uma porta que se fecha.
O conceito de Absoluto para os Espiritualistas Cósmicos ou Panteístas é que o todo existente é constituído de matéria e espírito, como um organismo vivo com participação no Grande Todo. O homem é, por assim dizer, um membro, uma parte da matéria cósmica e que o conceito de Deus é um cosmo inteligente e racional.
Sua ética é o caminho que o coloca em sintonia com o Grande Todo, tendo por fim a concepção de morte como o retorno ao Todo, o cosmo originário.
A morte na visão dos Espiritualistas Cósmicos é o momento em que a matéria e o espírito do ser humano se diluem no grande Espírito da Matéria; como um cubo de gelo em uma bacia com água.
Temos, por fim, o Absoluto das três Religiões reveladas (Cristianismo, Judaísmo, Islamismo), que concebe um Deus criador da qual tudo provém dEle; o Deus Pai onde o homem é a criatura e filho que utiliza a ética como o revestir-se do agir e do pensar do Pai e que com pensamentos e ações anseiam aperfeiçoar em si as semelhanças do Criador.
A morte é então o caminho ao infinito e uma porta que se abre para o paraíso.
Segundo uma afirmação feita pelas filosofias materialistas, Deus, a Religião, dentre outros, são crenças antropomórficas, ou seja, em forma de homem; o fruto da fantasia deste homem.
O homem cria Deus à sua imagem e semelhança; um Deus antropomórfico.
Contraposto a essa visão, as filosofias religiosas dizem que tudo foi criado pela Mente Divina.
O universo deve ser parecido com o que o criou; isso se considerarmos que cada agente faz coisas semelhantes a si, o universo é teomórfico, ou seja, em forma de Deus.
Qual a visão correta sobre tal tema? O homem fica imerso na dúvida.
Resolver a dúvida pela fé constitui a religião do crente, enquanto viver com dignidade esta dúvida constitui a religiosidade do agnóstico.
Podemos dizer então que o Absoluto constrói diferentes visões de mundo a partir do conceito concebido por determinada pessoa ou a determinada doutrina que essa pessoa segue, pois, cada um cria a sua visão de mundo, cada um faz a idéia do que é Absoluto e o mundo para si, sendo o menor ou o maior grau de coerência das leis, o pensar pela mente humana; só posso responder ao outro o que ocorre dentro da minha cabeça e não fora dela, ou seja, minha visão de mundo.

25 de novembro de 2011

O pensamento de Kant

Kant nasceu na pequena cidade de Könisberg (Prússia) em 22 de abril de 1724 e faleceu em 12 de fevereiro de 1804.
Professor de Filosofia na Universidade de Könisberg, um homem tímido e metódico, estudou profundamente o pensamento de Locke, Berkeley e Hume (empiristas) e de Descartes e Espinosa (racionalistas).

A primeira questão tratada por Kant diz respeito ao conhecimento. Quais seriam as possibilidades, seus limites e suas esferas de aplicação?
A segunda questão sintetizada em Kant é o problema da ação humana, o problema da moral.
Quanto a primeira questão, em sua época era forte a geometria analítica, desenvolvida por Descartes e o cálculo infinitesimal de Leibniz (também Newton). O conhecimento físico e matemático à partir da filosofia, utilizado no estudo do movimento dos corpos e na astronomia eram seguidos pelos estudiosos dos fenômenos naturais. Ao lado, existia a metafísica, especialmente a desenvolvida por Hume, com o conceito de causalidade, que derrubavam qualquer dogmatismo sobre verdades eternas a respeito da essência de todas as coisas.
Sobre a segunda questão, Kant tratou de analisar não o que o homem conhece sobre o mundo, mas como o homem deve agir em relação a seus semelhantes, como proceder para alcançar a felicidade ou alcançar o bem supremo.
Kant achava que os empiristas estavam certos em alguns pontos e enganados em outros. Da mesmo maneira, os racionalistas estavam certos em alguns pontos e errados em outros
O mundo seria exatamente como nós percebemos (empirismo), ou como se mostra pela nossa razão (racionalismo)?
Kant achava que tanto os sentidos quanto a razão eram muito importantes para a nossa experiência do mundo.
Inicialmente ele concorda com Huma (e os empiristas) de que todos nossos conhecimentos vem através das impressões dos sentidos, mas concorda com Descartes (e os racionalistas) de que a razão possui pressupostos para o modo como percebemos o mundo à nossa volta.
Para Kant, o tempo e o espaço são "formas da sensualidade". Tanto o tempo quanto o espaço já existem em nossa consciência antes de qualquer experiência. Podemos, com isso, saber, antes de experimentar algo, que vamos experimentar.
O tempo e o espaço são propriedades da consciência humana e não atributos do mundo físico.
Sobre as grandes questões filosóficas, como "se o homem possui um alma imortal", "se Deus existe", "se o Universo é infinito ou não", Kant acreditava que jamais alguém chegará a um conhecimento acerca dessas coisas. Para ele tanto faz dizer que o mundo teve um começo no tempo, quanto dizer que não houve começo algum.
Podemos afirmar que o mundo sempre existiu. Mas será que alguma coisa pode ter sempre existido sem nunca ter tido um começo? Podemos dizer que o mundo começou em algum momento, significando que surgiu do nada, senão seria a passagem de um estado para outro e, nesse caso, pode alguma coisa surgir do nada?
Preocupa-se, então, com a ação humana.
Para Kant, todos nós possuímos uma "razão prática" que nos permite saber o que é certo e o que não é certo. A lei moral é um "imperativo categórico".
Imperativo porque é uma lei, uma ordem.
Categórico porque vale para todas as situações.
Um dos primeiros imperativos categóricos desenvolvido por ele foi de que sempre que agirmos, devemos utilizar a regra de que nossa ação pode ser uma lei geral (o que faço, deve valer para que os outros façam da mesma maneira).
Em seguida, formula que devemos tratar as pessoas como um fim em si mesmo e não como um simples meio (não devemos usar as pessoas em proveito próprio).
Interessante pensar assim se observarmos o que está escrito na lápide do túmulo de Kant: "Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim."
Fantástica citação e memorável filósofo onde nos deixa duas correntes:
1) Idealismo: corrente que voltou à metafísica idealista, priorizando novamente o sujeito e a intuição intelectual;
2) Positivismo: corrente que priorizou o objeto e a experiência sensível, desenvolvendo-se na Sociologia.

Para saber mais, só lendo "Crítica da Razão Pura", "Fundamento da Metafísica dos Costumes" e "Crítica da Razão Prática" para começar.
Boa leitura!!!

14 de novembro de 2011

O homem é mau por natureza


Li "O Príncipe" de Nicolau Maquiavel umas cinco vezes e a cada nova leitura me deparo com uma surpresa, mas uma verdade: realmente, o homem é mau por natureza - independente de seu pensamento, o mau impera.

Confirma isso, uma reportagem (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2011/11/14/atirador-da-noruega-admite-massacre-mas-nao-se-declara-culpado.jhtm) sobre um atirador da Noruega dizendo se considerar inocente pelas 77 pessoas que matou e confirmando o que fez em juri aberto.

E Maquiavel é claro quando afirma nos capítulos V, VI e VII o seguinte: "...quando as cidades ou as províncias estão habituadas a viver sob o mando de um príncipe e que a linhagem desse desaparece, elas, em parte por terem sido educadas à obediência, noutra parte por não lograrem um acordo na escolha de um novo, mostram sua inépcia para viver em liberdade...", "...para falar daqueles que, mercê da própria virtude e não da fortuna, tornaram-se príncipes...", "...aqueles que, como os mencionei, fazem-se príncipes mercê das suas virtudes conquistam com dificuldade os seus principados, mas com facilidade os podem conservar...", "...estes príncipes têm como sustentáculos da sua dignidade tão-somente a boa vontade e a condição de quem lhes concedeu o título..." e por aí vai.

Um ser humano, dito racional, que afirma "Reconheço os atos, mas não me declaro culpado", é normal?

Fica aí a dúvida.

10 de novembro de 2011

O Bom existe?

"O Bom é aquilo que, uma vez alcançado, nada mais a pessoa deseja. É o sumo entre todos os bens e contém em si todos os outros. Pois, se lhe falta algo, não pode ser sumo, porque ficaria fora dele algo que possa ser desejado. É claro que o estado constituído pela agregação de todos os bens é a beatitude." (Boécio, 515 d.C., Consolação da Filosofia, 3)

Você sente em seu íntimo o desejo do Bom?

Há duas coisas a se saber sobre o Bom:
1) o Bom existe em si, está nos objetos - a lei moral brota do Divino, da natureza cósmica e da natureza humana - existe uma Lei Natural, da qual nasce um Direito Natural;
2) o Bom não existe em si, está na decisão do sujeito-homem - a norma moral brota da mente do homem - não existe Lei Natural nem Direito Natural, mas apenas a decisão do indivíduo e um Direito Positivo estabelecido pela vontade do legislador - relativismo ético: cada indivíduo ou grupo escolhe seu próprio Bom.

Em Platão, o Bom é a VERDADE;
Nos Hindus, o Bom é BRAHMA;
Em Buda, o Bom é NIRVANA;
No Mestre Lao, o Bom é o TAO;
No Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, o Bom é o CRIADOR-PAI;
Em Kant, o Bom é o DEVER;
Em Nietzsche, Sartre, Camus, o Bom é o PODER ou o NADA;
Em Marx, o Bom é o TRABALHO LIVRE;
Em Epicuro, Foucault, Deleuze, Onfray, Misrahi, Comte-Sponvile, o Bom é o PRAZER;
Em Bentham, Mill, Rorty, o Bom é o ÚTIL;
Em Habermas e Apel, o Bom é o CONSENSO;
Em Jonas, o Bom é a RESPONSABILIDADE.
Em Rawls, o Bom é a JUSTIÇA.

E para você, caro leitor, o que é o Bom???

7 de novembro de 2011

A constituição do ser está no trabalho

Isto segundo as teorias de Hegel e Marx que pude acompanhar lendo algumas de suas mais importantes obras: A Fenomenologia do Espírito e O Capital, respectivamente (não todo O Capital, mas estou lendo aos poucos).

O idealismo de Hegel é como uma forma fundadora daquilo que vem mais tarde como a economia política desenvolvida por Marx; Hegel como sendo o precursor do materialismo de Marx.
Daí a formação de uma substância teórica social que ancorou entre Economia e Dialética - fundamento da história e atividade humana -, ou seja, elementos que sustentam a lógica expositiva das histórias e atividades humanas na forma de um método científico.

O fundamento hegeliano nos informa que as categorias da Lógica tem um movimento que unifica a correspondência da realidade do objetivo à articulá-lo segundo suas potencialidades internas que são libertadas da contingência: conteúdo teórico e prático se equivalem, então, uma vez que essas contradições persistem na mesma forma de atuação humana, consideramos que as iniciativas e os resultados nem sempre correspondem à intencionalidade que as geraram.
Desse modo, o que Hegel nos dizia era que a especificidade da exegese levada a efeito, exige das outras concepções teóricas seu próprio conteúdo, obrigando assim a demonstrar que o abandono à vida do objeto esteja compatível com os instrumentos teoréticos usados pelas propostas analíticas oriundas de seus princípios gnosiológicos de avaliação.
Em breves palavras, a filosofia hegeliana deve ser tomada como uma ampla teoria social a partir da qual são assentadas as bases para a gênese de uma doutrina materialista que encontra no trabalho - ou atividade humana - o conjunto de pressuposições de desenvolvimento dos aspectos abstrato e concreto de toda uma constituição do ser.
Sabe o motivo dele afirmar isso? Primeiro, porque na época dele, mais importante do que este ser é o processo que sobre ele atua, transformando-o de acordo com sua caracterização interna. Segundo, hoje em dia as firmas moldam esta criatura como querem e isso se tornou quase que uma "patente", um status. Por Deus!!!


Quanto ao pensamento de Marx, tem a característica de investigar a concentração dos elementos determinantes do objeto porque a trajetória seguida por ele está identificada pelo diálogo e pela interpretação, tanto do materialismo de Feuerbach como do de Hegel sendo esta trajetória o que deve ser ocupada para empreender o compreendimento no que diz respeito a constituição do ser pelo trabalho.
Como resultado da atividade vital, ou seja, o trabalho, o produto é aquela forma por meio da qual a apropriação natural é apropriação humana, objetivação da atividade do sujeito (objeto do trabalho como objetivação do próprio gênero): alienação.
Para Marx, a economia humana é traduzida numa teoria das objetivações dos produtos trabalhados, das objetivações de si mesmo e objetificações dos sujeitos humanos na história: relação entre homem e gênero humano, conexão entre trabalho, produção e reprodução da vida, Ciência e liberdade.

3 de novembro de 2011

Matrix: máquinas comandando

No filme Matrix, as máquinas utilizam o corpo dos humanos como geradores de energia.
Fico pensando se num futuro as máquinas se tornarem mais inteligentes que seus criadores, o que faremos?
Como essa máquinas tendo inteligência avançada lidarão com humanos tolos, preconceituosos, orgulhosos?
Será que lidarão conosco, assim como lidamos com os que possuem menos inteligência?
Caso isso aconteça, passaremos a ser a elas - máquinas - apenas serviçais, "alimento" para gerar energia ou algo para que elas tenha entretenimento!
Minha preocupação é a autorreprodução dessas máquinas, nos submetendo apenas a humanos descartáveis, fardo pesado para ser "tolerado" por elas.
Fica aí as questões e para pensar sobre as responsabilidades que damos às "máquinas inteligentes".

31 de outubro de 2011

Felicidade e ética em Aristóteles

Comparando as questões éticas entre Aristóteles e Platão, temos nos diálogos platônicos todas as grandes questões filosóficas bem encadeadas, mas dois temas fundamentais norteiam a reflexão ético-filosófica em Platão: de um lado o conhecimento e as condições que o tornam possível e de outro lado a questão socrática fundamental que tematiza a importância da moralidade para a vida feliz e as condições necessárias de sua realização na polis.
A verdadeira "felicidade", segundo as reflexões ético-políticas dos livros centrais da República, reside na forma de existência consagrada ao conhecimento do Bem. Este ideal filosófico, portanto, seria o verdadeiro ideal humano do viver, no sentido de "assemelhar-se" a Deus enquanto é possível.
Enquanto é possível,  a filosofia aristotélica é de caráter mais sistemático e analítico, e este divide a experiência humana em três grandes áreas: o saber teórico, o saber prático e o saber criativo.
No estilo aristotélico, a ética, em conjunto com a política, pertence ao domínio do saber prático, porém, pode ser constatado pelo saber teórico. Sendo assim, no domínio do saber prático o intuito é estabelecer sob que condições podemos agir da melhor forma possível tendo em vista nosso objetivo primordial que é a felicidade (eudaimonia)
Segundo Aristóteles, a felicidade (eudaimonia) é o objetivo visado por todo ser humano, visto assim, a felicidade está relacionada à realização humana e ao sucesso naquilo que se pretende obter, o que só se dá se aquilo que se faz é bem feito.
A felicidade é tida como um bem supremo do qual o homem vive em busca constante, assim sendo, pode-se dizer que a escolhemos por si mesma, e não por um algo a mais. Porém, outras formas de excelência como a honraria, o prazer e a inteligência, dentre outros, escolhemos por si mesmas, mas estas nos causam felicidade, pois pensa-se que através destas seremos felizes.

22 de outubro de 2011

Competências e habilidades em Filosofia

Não é só de livros que vivem ou se alimentam os alunos do ensino médio: precisamos dar ênfase ao ensino por competências e habilidades.
Para isso, há necessidade de um entrosamento entre o perfil do que está educando e o perfil do que será educado, criando assim habilidades específicas para o mercado de trabalho quando estivem em busca de um emprego ou já trabalhando em alguma empresa.
Sendo o estudante como simples instrumento, por vezes é perigoso e por vezes tranquilo e até inovador.
Tais competências, dependendo do conteúdo e do local a ser ministrado, serão consideradas hipotéticas com resultados na simplificação de problemas apenas e outras a negação de tais soluções dependendo do sistema a ser utilizado.
O que precisamos é num primeiro momento descobrir quais são essas competências para se ensinar a Filosofia no ensino médio.
Algumas destas competências, como exemplo, criatividade, curiosidade, capacidade de resolver problemas etc. servem para desenvolver o pensamento crítico e a capacidade de trabalhar em equipe que dão a estes alunos o que consideramos o passo para aceitar críticas, dar boas risadas, se comunicar melhor e ir em busca de outros conhecimentos.
Trata-se de competências comunicativas como a de uma linguagem baseada na argumentação que faz com que os alunos do ensino médio criem uma simpatia pela disciplina de Filosofia: nasce aí a competência discursivo-filosófica.
Os alunos tem a sua disposição a autonomia para exercer sua cidadania a partir do momento que podem tomar suas decisões, uma vez que estão no caminho do conhecimento filosófico, argumentativo, reflexivo.
A leitura abrirá os olhos desses alunos para um mundo que jamais tinham contato, pois, podem analogicamente assistir a um filme e fazer um paralelo com a leitura de um fragmento de uma das obras de Platão (como o "mundo sensível" e o "mundo inteligível").
Por isso precisa ter um conhecimento sólido sobre História da Filosofia, ou seja, a base para qualquer conhecimento em Filosofia é o conteúdo aplicado nesta disciplina, tanto do docente como ao aluno.
Nas Diretrizes Curriculares aos Cursos de Graduação em Filosofia e pela Portaria INEP Nº 171, de 24/08/2005, temos as habilidades e competências para o profissional no ensino de Filosofia no ensino médio, vale a pela dar uma olhada.
Alguns requisitos são básicos como: a capacidade filosófica de formular e propor soluções a certos problemas; a capacidade crítica do conhecimento através da razão sócio-político-histórica; as capacidades de analisar, interpretar e comentar textos conforme a técnica da hermenêutica (arte de interpretar o sentido das palavras, das leis, dos textos); capacidade de compreender nossa própria existência e cultura através de seu sentido; capacidade de fazer uma relação da Filosofia com os direitos humanos e a capacidade de relação da Filosofia científica com o agir pessoal e político.
Para o sólido conhecimento da História da Filosofia, há necessidade da compreensão dos temas principais, seus problemas e sistemas, o diálogo das ciências, artes e reflexão da realidade e o gosto pelo pensamento crítico e independente.
Com essas competências e habilidades, o docente será capaz de transmitir ao aluno do ensino médio seus conhecimentos e familiarizá-los à Filosofia desde seus primórdios, porém, precisamos ter muito cuidado, pois pode ser um papel enganador: somente após o conhecimento e participação indubitável da História da Filosofia é que se pode transmitir algo sem receio.
Percebemos a relação então entre a competência da graduação proposta e aquelas que esperamos dos alunos do ensino médio.
O que o professor graduado não pode é transformar suas aulas em leituras chatas que o desenvolveu, mas associá-las a aulas expositivas para criar o interesse dos alunos a refletirem filosoficamente.
Foi sistematizada, assim, a competência e habilidade em: representação e comunicação (consistem em ler textos filosóficos elaborando de forma reflexiva e debatendo seu conteúdo defendendo com argumentação); investigação e compreensão (é colocar os diferentes conhecimentos filosóficos adquiridos de modo discursivo nas ciências naturais, humanas, artes e cultura); contextualização sociocultural (é utilizada para situar a Filosofia em sua origem ou em outros planos - pessoal-biológico, sócio-político, histórico-cultural - até o científico- tecnológico).
A representação e comunicação .

18 de outubro de 2011

Professor da rede pública ou particular

Saiu uma nota muito interessante para professores da rede pública e a todos que trabalham, de alguma forma, com a educação ou área acadêmica.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, solicitou uma pesquisa científica sobre o aumento do número de horas do aluno na escola e sua correlação com o aumento do rendimento escolar.
No dia 21.09.2011, ele apresentou os resultados para a imprensa, pois deseja um grande debate sobre o assunto.
A pesquisa realizada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo revelou que mais tempo (horas) na escola, leva uma melhoria dos resultados do aluno na aprendizagem e nas avaliações do ENEM, SAEB, etc.
Até aqui, nenhuma surpresa, pois vários países desenvolvidos tem uma carga horária anual maior que a brasileira e tem resultados melhores mesmo. O que vem a seguir é que é preocupante.
Diante do resultado deste estudo, Ricardo Paes de Barros, subsecretário que coordenou a pesquisa apontou alternativas - que na realidade são propostas - ao ministro, a saber:

Alternativa 1
O estudo de Ricardo Paes de Barros mostrou que um bom professor em sala de aula tem o impacto de 9,6 pontos no SAEB, 20 pontos no ENEM e 68% de melhoria do desempenho do aluno. Mostrou ainda que a melhoria dos resultados acadêmicos pode ser feita com a diminuição de faltas dos alunos e dos professores durante o ano letivo. esta proposta implica:
a) criar programas de formação e projetos de incentivo aos docentes, para que mais bem remunerados, preparados e motivados, possam faltar menos e dar melhores aulas,
b) modificar a atual LDB, diminuindo o porcentual máximo permitido de faltas aos alunos (25%),
c) reduzir o número de faltas, abonos e licenças permitidas por lei aos docentes.
Esta alternativa requer modificação na legislação educacional e investimentos em salários e em programa de formação continuada para docentes (Formação Profissional, Especialização, Mestrado e Doutorado).
Alternativa 2
Paes de Barros aponta que a diminuição do número de alunos em sala potencializa o rendimento de todos, ao permitir que os docentes tenham mais tempo para auxiliar os alunos que apresentarem dificuldade.
Nesta proposta:
a) estabelecer qual é o número mínimo de alunos por sala e séria,
b) ampliar o número de salas e, consequentemente, de escolas,
c) criar incentivos para a carreira docente, pois mais salas e mais escolas demandarão mais professores mais bem preparados (hoje, desestimulados, muitos estão deixando a carreira de docente).
Alternativa 3
Esta alternativa demanda investimento em infraestrutura e no profissional da educação - salário e capacitação. Se a carreira docente for valorizada, atrairá e manterá nela os mais capacitados.
Aumento do número de horas diárias do aluno na escola. Essa proposta segue o modelo europeu - que possui período integral - e implica em alguns investimentos:
a) melhorar as cantinas escolares para que possam servir almoço aos alunos,
b) readequação do currículo para que todo o período de permanência seja bem aproveitado,
c) maior número de salas de aula - hoje, matutino e vespertino utilizam as mesmas salas,
d) readequação e aumento dos espaços esportivos e culturais da escola - necessário para escola de tempo integral.
Esta alternativa requer significativos investimentos em infraestrutura, entretanto, o aumento do salário dos professores seria apenas em função do aumento do trabalho - mais aulas, mais remuneração - e não de um aumento real no valor da hora/aula. É verdade que a escola de tempo integral é um modelo seguido na Europa, mas lá o professor recebe melhores salários - quando comparados com outros profissionais de formação superior - do que os daqui.
Alternativa 4
Aumento dos dias letivos - dos atuais 200 para 220 dias letivos. Sendo subsecretário da Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidência, Paes de Barros, julga ser essa a alternativa mais atraente e interessante ao governo, pois praticamente não haverá nenhum custo para os cofres públicos. Na prática, essa alternativa levará:
a) a um aumento dos dias letivos em detrimento de sábados e feriados,
b) aumento da jornada de trabalho - em dias - sem o consequente aumento da remuneração - o governo divide o salário anual em doze meses + décimo terceiro,
c) diminuição dos dias de recesso e férias docentes.
Esta alternativa não requer do Governo praticamente nenhum investimento - só uma mudança na Lei.
Já para o docente, significa mais dias de trabalho, mais matéria a ser lecionada e mais avaliações, provas e trabalhos para correção, sem nenhum aumento ou remuneração adicional.
Para o aluno, mais matéria, mais pressão por resultados e menos dias livres em casa.

Fique atento e pense corretamente como professor.
A pior alternativa é a que aumenta os dias letivos em 10% - total de 220 dias de aulas -, sendo a alternativa 4 a menos aceitável.
O Governo tem a intenção, segundo o ministro, de realizar um debate com a sociedade para, em seguida, implementar a medida dos 220 dias.
Na realidade, nenhuma alternativa é perfeita, mas as outras três são melhores do que o aumento dos dias:
Alternativa 1 - investir na formação e salário dos professores e diminuir a permissão de faltas,
Alternativa 2 - menos alunos por sala e professores melhor preparados e melhor remunerados,
Alternativa 3 - escola de tempo integral - ainda precisa de muitos ajustes, mas levará o Governo investir muito para a implantação.

CUIDADO, caro professores!
Como mais uma prova de que o Governo não quer investir em educação, o subsecretário já está indicando o aumento dos dias como a melhor proposta e isso é obvio, pois é a única alternativa que não requer INVESTIMENTOS, mas DESGASTE dos professores.
O Governo tentará neste debate jogar a população contra os professores que se opuserem aos 220 dias, mas na verdade, nós professores, sabemos que aumentar os dias não mudará em nada o quadro atual de descanso com que as autoridades tratam a educação.
Além disso, a proposta de aumento dos dias letivos é a única que não apresentará nenhuma contrapartida positiva para o docente.

Abaixo o link para leitura:
http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/09/mec-apresenta-proposta-para-deixar-aluno-mais-20-dias-por-ano-na-escola.html

14 de outubro de 2011

A justiça em Aristóteles

Para Aristóteles há a justiça distributiva e a corretiva. A justiça distributiva se faz de acordo com a proporção geométrica; nesta, “o justo é o proporcional, e o injusto é o que viola a proporção”. Porém, a justiça corretiva se dá pela proporção aritmética. Diz-nos Aristóteles:



“A outra espécie de justiça é a corretiva, que tanto surge na, transações voluntárias como nas involuntárias. Esta forma do justo, tem um caráter diferente da primeira, pois a justiça que distribui bens públicos está sempre de acordo com a proporção mencionada acima (também quando se trata de distribuir os fundos comuns de uma sociedade, ela se fará conforme à mesma razão que se observa entre os fundos trazidos para um negócio pelos diferente, sócios); a injustiça contrária a esta espécie de justiça é a que viola esta proporção. Mas a justiça nas transações entre um homem ou outro é efetivamente uma espécie de igualdade, e a injustiça nessas relações é uma espécie de desigualdade, todavia não de acordo com a espécie de proporção que citamos, e sim de acordo com uma proporção aritmética. Com efeito, é indiferente que um homem bom tenha lesado um homem mau, ou o contrário, e nem se é um homem bom ou mau que comete adultério; a lei considera apenas o caráter distintivo do delito e trata as partes como iguais, perguntando apenas se uma comete e a outra sofre injustiça, se uma é autora e a outra é vítima do delito. Sendo, então, esta espécie de injustiça uma desigualdade, o juiz tenta restabelecer a igualdade, pois também no caso em que uma pessoa é ferida e a outra infligiu um ferimento, ou uma matou e a outra foi morta, o sofrimento e a ação foram desigualmente distribuídos, e o juiz tenta igualar as coisas por meio da pena, subtraindo uma parte do ganho do ofensor. O termo “ganho” aplica-se, geralmente, a tais casos, embora não seja apropriado a alguns deles (por exemplo, à pessoa que inflige um ferimento) e “perda” se aplica a vítima. De qualquer forma, uma vez estimado dano, um é chamado perda e o outro, ganho. Assim, o igual é intermediário entre o maior e o menor, mas o ganho e a perda são respectivamente menores e maiores de modos contrários: maior quantidade do bem e menor quantidade do mal são ganho, e o contrário é perda; o meio-termo entre os dois é, como já vimos, o igual, que chamamos justo; portanto, a justiça corretiva será o meio-termo entre perda e ganho. Eis por que, quando ocorrem disputas, as pessoas recorrem ao juiz. Recorrer ao juiz é recorrer à justiça, pois a natureza do juiz é ser uma espécie de justiça animada, e as pessoas procuram o juiz como um intermediário, e em algumas Cidades-Estado os juízes são chamados mediadores, na convicção de que, se os litigantes conseguirem o meio-termo, obterão o que é justo. Portanto, justo é um meio-termo já que o juiz o é. O juiz, então, restabelece a igualdade. Tudo ocorre como se houvesse uma linha dividida em partes desiguais e ele subtraísse a diferença que faz com que o segmento maior exceda a metade para acrescentá-la ao menor. E quando o todo foi igualmente dividido, os litigantes dizem que receberam "o que lhes pertence"' - isto é, obtiveram o que é igual.

(ARISTÓTELES, “Ética a Nicômaco”, 1132a1)

11 de outubro de 2011

Significado da Filosofia para Justino e ideia de participação

A Filosofia para Justino parte de uma tripla característica (vide diálogo com Trifon) sendo:
1) autodomínio,
2) constância e
3) conhecimento da Verdade.

Como Justino enxerga a Filosofia? Exatamente através da busca de um LÓGOS.
Que lógos é esse? O lógos seminal e o lógos total.
O lógos seminal se encontra ingênito como semente no gênero humano, ou seja, todos os homens possuem o lógos seminal (ingênito). Os homens participam do verbo porque possuem semente.

lógos total cede por participação o seminal, daí todos os homens nascem no lógos seminal que é dado para alcançar o lógos total.
Justino estabelece a diferença entre lógos seminal e lógos total.

Essa busca pelo lógos está cheia, repleta de verdade. O lógos está repleto de alétheia (Verdade).
SER = PENSAR = DIZER > É
O caminho do que é > Fidedigno.
De fato, eu penso o que é e o que não é.
Quando penso o que não é, chego a caminho nenhum.
Ser > Pensar > Dizer - É > Verdade > Alétheia
Daí, Justino toma os princípios da Filosofia para fazer argumentação de conho apologético, ou seja, aproveitas os princípios para fazer apologia (jurídico/defesa).
- Diálogo de Trífon
- 1ª Apologia
- 2ª Apologia

E o conhecimento da verdade, como se dá?
"...vivem constantemente e conforme a reta razão...", ou seja, viver segundo o conhecimento intelectivo por meio do NÔUS (atividade do intelecto ou da razão em oposição aos sentidos materiais: inteligência, pensamento).

Esta tripartição, citada acima, sugere ainda uma tripartição da natureza humana, ou seja:
1) espírito;
2) alma e
3) corpo.

Em conjunto com a teoria da tripartição da alma em Platão, Justino coloca a parte irracível da alma como o impulso da alma segundo os desejos ou a razão.

Viver, segundo na natureza, é viver desse medo: o que deve conduzir o homem é seu espírito (conjunto total das faculdades intelectuais).

E tenho dito!

30 de setembro de 2011

Mais engenheiros, menos filósofos e sociólogos

Exatamente o título do post foi o que li numa reportagem (transcrita na íntegra abaixo) da Revista Veja e que fiquei indignado, mas, fazer o quê?

Segue para análise e comentário de vocês.




27/09/2011
 às 20:41

O Brasil precisa de menos sociólogos e filósofos e de mais engenheiros que se expressem com clareza

Fiz uma crítica severa à proposta de redução das aulas de língua portuguesa e matemática no ensino médio público de São Paulo em benefício das aulas de sociologia, por exemplo. A idéia de jerico é do secretário de educação, Herman Voorwald. Nessas horas, alguns bobinhos costumam dizer: “Ah, mas que mal há em debater o assunto?!” Sem essa de que tudo nesta vida é “debatível”! Algumas idéias são estúpidas “ab ovo”, como diria o meu antigo professor de latim — desde a origem. Ninguém precisa se jogar num buraco de três metros de profundidade para saber se machuca… Machuca!  O puro empirismo é a religião dos cretinos.
Mais: a tese vem embalada naquele esquerdismo preguiçoso que toma conta da educação brasileira, em qualquer nível, pouco importa o partido que esteja no poder —  com os petistas é sempre pior porque até uma dose de Gold Label que acabou de sair do freezer, acompanhada de um pedacinho de chocolate amargo (não é para se empanturrar…), é pior com eles do lado… Se os encontrarmos no céu um dia, o que é pouco provável, o céu já terá ido para o diabo… Mas volto.
Uma das misérias das nossas esquerdas é a ignorância específica, até em sua própria área de atuação. Nas “Teses sobre Feuerbach”, num de seus rasgos de obscurantismo, Marx afirmou que os filósofos, até então, haviam se dedicado a pensar o mundo; era chegada a hora de transformá-lo. A história do marxismo e dos regimes marxistas indica que aquela não era uma boa divisa. Serviu para justificar o obscurantismo da ação, desde que “revolucionária”.
Mas o matemático Marx, ora vejam!, era um homem que apostava, a seu modo, no avanço. Nunca chamou, por exemplo, o capitalismo de reacionário. Ao contrário: o sistema seria o progresso necessário a partir do qual se construiria o socialismo. Se alguém lhe dissesse que uma escola estava pensando em trocar aulas de matemática por aulas de filosofia (não dá pra falar em “sociologia” no século 19 nos termos de hoje), ele certamente se levantaria da cadeira, faria uma careta por causa dos furúnculos purulentos, e daria um pé no traseiro do infeliz.
Ele certamente diria que o mundo precisava mais de engenheiros que o transformassem do que de filósofos que o pensassem — e isso faria todo sentido, se querem saber. Idéia idêntica repetiu no livro “A Ideologia Alemã”, quando manga dos alemães na sua disputa com a França pela região da Alsácia-Lorena. Diz que os alemães, quando no domínio da região, se preocuparam menos em colonizá-la, que seria o certo, do que em espalhar a sua filosofia, que era a opção mais tola.
Os nossos esquerdistas poderiam ao menos ser marxistas, né? Embora estivessem abraçados a um erro essencial, seria ao menos um erro qualificado. Mas não! O seu horizonte máximo é essa escória petralha, que faz do proselitismo ignorante uma profissão de fé.
Acreditem! O Brasil tem uma inflação de sociólogos, filósofos, pedagogos e demagogos. O Brasil precisa de mais engenheiros, que saibam se expressar com clareza. O Brasil precisa de mais português e de mais matemática. E o secretário Herman Voorwald precisa de juízo.
Que o governador Geraldo Alckmin ponha fim a essa patuscada corporativista e obscurantista.
Por Reinaldo Azevedo


http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-brasil-precisa-de-menos-sociologos-e-filosofos-e-demais-engenheiros-que-se-expressem-com-clareza/

25 de setembro de 2011

O belo estético e o belo moral


O belo estético, diz respeito a um prazer de ordem superior decorrente da atividade dos sentidos e do intelecto gerada pelo objeto. 
O intelecto é afetado pelo Belo do objeto (seja ele natural ou produção humana), daí afirmar-se que temos a “fruição” do Belo. 
O agrado estético não é um gozo físico e instável. 
Segundo a tradição legada pelos antigos, o prazer estético é inseparável da medida e da contenção, virtudes impostas pelas faculdades superiores da alma.


O belo moral resulta do Belo estético, pois antecipa as qualidades morais que o homem deverá expressar em seus atos (medida e moderação). 
Para os gregos, o Belo é patrimônio das almas equilibradas que se harmonizam consigo mesmas, fugindo ao vício e mantendo-se moderadas. 
Haveria, portanto, um lado pedagógico e moral no belo estético (Paidéia) segundo os gregos. 
Para estes, o Belo é útil, pois deve preencher uma função. 
Existiria, portanto, uma relação entre o Belo e o Bem. 
O Belo estaria na exata função de cada coisa ou de cada ser, segundo os fins que a sua natureza determina realizar.

21 de setembro de 2011

Realismo - fins séc. XV

Pergunta:
Se toda a humanidade morresse (ou todos os seres pensantes do Universo) e não houvesse tempo de uma nova civilização pensante evoluir, o mundo continuaria existindo?

Resposta:
Sim, para o Realista, pois a realidade independe da nossa mente.
Não, para o Idealista, pois toda realidade é mental, segundo Berkeley.
Não faz sentido, para o Positivista, pois não pode ser respondida pela ciência por não fazer sentido.

Em primeiro lugar, podemos distinguir dois sentidos ou formas de Realismo:
1) Ontológico, onde existe uma realidade independente da mente e;
2) Epistemológico, onde além de existir, podemos apreender.

Realismo Ontológico é a tese de que existe uma realidade lá fora que é independente da nossa mente (ou de qualquer mente), de nossa observação. Por exemplo, embora não vejo a Lua ela está lá. Negar esta tese é assumir alguma forma de anti-realismo.
Realismo Epistemológico afirma que é possível, de alguma maneira, conhecer essa realidade. O problema é o "de alguma maneira". Se a gente conhece, como a gente conhece.

Outra distinção importante é aquela entre Realismo Ingênuo (ou do senso comum) e Realismo Científico.

Realismo Ingênuo é o mais simples, o do dia a dia, o mais ingênuo, a cor está no objeto, mas a cor é a relação entre objeto que reflete na retina e faz ela "aparecer" para nossa visão (ciência).
Realismo Científico é bem menos ingênuo, ou seja, ele NUNCA aceitaria que a cor de um objeto, por exemplo, pertence ao próprio objeto independentemente da nossa percepção, isso porque há muito tempo que a ciência nos mostrou que isso não é verdade. Em geral, podemos dizer que o Realismo Científico acredita que só existe aquilo que as melhores teorias cientificas dizem que existe.

Taí!!!

18 de setembro de 2011

Pandora ou a invenção da mulher


Trecho do livro O Universo, os deuses, os homens de mitos gregos contados por Jean-Pierre Vernant.

"Por que, segundo os relatos gregos, Pandora, a primeira mulher, tem espírito execrável e um temperamento de ladra? Isso tem a ver com as duas primeiras partes desse relato. Os homens já não dispõem naturalmente do trigo e do fogo como antes, sem esforço e em permanência. Agora, o trabalho faz parte de sua existência: levam uma vida difícil, apertada, precária. têm de estar sempre pensando em restrições. O camponês dá duro em sua lavoura e não colhe muita coisa. Os homens nunca dispões de um bem com fartura; portanto, precisam ser econômicos, prudentes, para não gastar mais que o necessário. Ora, essa Pandora, como todo o génos, toda a "raça" das mulheres que dela sairá, tem justamente a característica de viver insatisfeita, sempre a reivindicar, incontinente. Não se satisfaz com o pouco que existe. Quer se fartar, ter o máximo. É o que expressa o relato quando esclarece que Hermes lhe atibuiu um espírito execrável. Sua mesquinhez é de duas ordens. Primeiro, ela é mesquinha diante dos alimentos. Pandora tem um apetite feroz, não para de comer, tem que estar sempre à mesa. Talvez tenha uma vaga lembrança ou sonhe com aquela época abençoada da idade de ouro, em Mecona, onde os homens estavam sempre à mesa, sem ter mais nada a fazer. Em cada lar onde existe uma mulher, instala-se uma fome insaciável, devoradora. Nesse sentido, a situação lembra a das colmeias. De um aldo, há abelhas operárias que desde a manhã voam para os campos, pousam em todas as flores e colhem o mel que trazem para a colmeia. De outro lado, há os zangões que nunca saem de casa e que também nunca estão satisfeitos. Consomem todo o mel que as operárias colheram pacientemente lá fora. Assim também acontece nas casas das criaturas humanas, pois de um lado há os homens que suam nos campos, dão duro para abrir sulcos, vigiar e depois colher os grãos, e de outro, dentro das casas, há mulheres que, como zangões, devoram a colheita.
Não só devoram e esgotam todas as reservas, mas é essa razão principal que leva a mulher a tentar seduzir um homem. O que quer é o celeiro. Com a habilidade de seu discurso sedutor, de seu espírito mentiroso, de seus sorrisos e de sua "anca empetecada", nas palavras de Hesíodo, ela faz para o jovem solteiro suas poses de sedutora, mas na verdade está de olho na reserva de trigo. E todo homem, como Epimeteu antes dele, fica boquiaberto, maravilhado com sua aparência, e se deixa agarrar.
As mulheres não só têm esse apetite alimentício que arruína a saúde do marido, porque ele nunca traz comida suficiente para casa, mas além disso têm um apetite sexual particulamente devorador. 
As mulheres, mesmo as melhores, as que possuem um temperamento comedido, têm a característica de, segundo contam os gregos, terem sido fabricadas com argila e água. Por isso, seu temperamento pertence ao universo úmido, ao passo que os homens têm temperamento mais próximo do seco, do quente, do fogo.
Em certas estações do ano, especialmente na que se chama canícula - a estação do cão, ou seja, quando Sírio, o Cão, é visível no céu, bem pertinho da Terra, pois o Sol e a Terra estão em conjunção -. quando faz um calor terrível, os homens, secos como são, esgotam-se e enfraquecem. As mulheres, ao contrário, graças à sua umidade, desabrocham. Exigem dos esposos uma assiduidade matrimonial que os deixa exauridos.
Pandora é um fogo que Zeus introduziu nas casas e que queima os homens sem que seja preciso acender qualquer chama."