29 de abril de 2011

"Yes, I do!"


Por alguns momentos o mundo parou e deixou de pensar em guerra, fome, desmatamento, educação, enfim, em coisas que corriqueira e diariamente são "lembradas" para ouvir o "Yes, I do!" de William e Kate.

14 de abril de 2011

Utopia e educação

"Uma das grandes utopias do projeto da modernidade é a possibilidade de se contruir uma sociedade cujas relações internas sejam regidas pela lei e não pelo poder de vontadades arbitrárias de alguns homens ou mesmo de alguma suposta entidade sobre-humana." (Antonio J. Severino - Educação, ideologia e contra-ideologia, São Paulo, EPU, 1986)


Do ponto de vista utópico a lei seria a mediadora para garantir a cada indivíduo o que a ele é de direito e, assim, impedir aquele que tenha mais poder suprima o que tenha menos poder, extraindo o que de direito lhe pertence.
Desta forma, teríamos a democracia instituída com as relações recíprocas entre cidadãos: condições de igualdade e usufruir os bens da sociedade.
Assim, o Estado como aquele que gerencia o poder institucional, deveria também ser democrático para não ser confundido como qualquer tirano autoritário, porém, dentre todas as tentativas possíveis, o Estado só se legitimaria com o serviço da justiça instaurando-se como mediador da equidade.
Através de experiências não tão boas e marcadas por frustrações ao longo de nossa história, houve esperança de que reinaugurássemos tal instrumento mediador, que seria capaz de mudar nossa realidade transformando nosso país com uma sociedade mais humana, justa e equitativa.

10 de abril de 2011

Filosofia como vida virtuosa


Para Sócrates, no Mito do Cocheiro, nem todo delírio é um mal; nem todo desejo e amor é um mal. Então como distinguir um desejo e amor virtuoso de outros que são doença e vício?
Sócrates nos afirma que "a alma é como uma força ativa que unisse um carro puxado por uma parelha alada e conduzido por um cocheiro [...] pois, outrora, a alma possuía asas."

Daí:
"A Alma do Mundo goberna a matéria inanimada e manifesta-se no universo de múltiplas formas. Quando perfeita e alada, plana nos céus e governa a ordem universal. Mas quando perde as asas, rola através dos espaços sem fim até juntar-se a um sólido qualquer e aí fica pousada. Quando reveste a forma de um corpo terrestre, este começa a mover-se, graças à força que lhe comunica a alma. Esse conjunto de alma e corpo é o que chamamos de ser vivo e moral."

Um ser alado, em filosofia e especificamente neste Mito, significa ter em si mesmo um primeiro movimento, a vida, daí, a psykhé universal ou Alma do Mundo como imortal, eterna, infinita.
Um ser alado participa da natureza imortal do divino, ou seja, tem o poder de se elevar e elevar o pesado rumo das alturas para si, se desenvolvendo e se fortalecendo com os seres alados.
O Mito do Cocheiro reúne o Mito da Caverna e o Mito de Er (Reminiscência) que expõem, com clareza, a unidade entre conhecimento, psicologia e ética: o cocheiro como o prisioneiro da caverna, parte em busca da luz da verdade e, como no Mito de Er, realiza a viagem porque se lembra do que contemplou.

4 de abril de 2011

Questão de pontuação

Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):

o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.

(MELO NETO, João Cabral de. Museu de tudo e depois. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988)