31 de maio de 2011

Os estóicos: principais ensinamentos

No livro de Batista Mondin, é apresentada características e ensinamentos dos estóicos, a saber: conhecimentos humanos e do cosmo.
A estrutura do cosmo tem dois elementos essenciais: a matéria e o logos.
A matéria é o que representa o princípio passivo e o logos o que representa o princípio ativo.
Os estóicos acreditavam que o logos é de natureza material porque o corpo só age em conjunto da matéria, ou seja, quando se separam - logos e corpo - o homem morre.
O logos para os estóicos era considerado como um saber ou pensamento racional e desta forma, tudo o que acontece no homem é por vontade do logos; não há possibilidade de livre arbítrio, a liberdade é fazer o que é necessário, o mal é relativo, a felicidade consiste em viver segundo a razão e viver segundo a razão é ter virtudes.
Aquele que vive na razão é considerado sábio - faz tudo muito bem e virtuosamente.
Somente se superando é que o homem comunga com o logos: tem que se libertar das paixões, ser indiferente às contingências da sua vida e a tudo que não está em seu poder, distinguir o que é ou não necessário, riquezas, honras não estão em seu poder (não devem ser procuradas), não é solitário, é bastante solidário, todos os homens tem a mesma missão, estão sujeitos a mesma lei: ter acesso a liberdade de suicídio caso não controlem a paixão e a vida segundo a razão, porém, há os que se isolam do mundo e se consideram indiferentes perante o cosmo, contaminados pelo egoísmo, rigorismo excessivo, aspectos desunamos e com ideal de vida diferente dos apresentados.
Estes são "excluídos" tanto da possibilidade de progresso como as variações de mérito, culpa e responsabilidade que ocorrem em suas vidas moral.

MONDIN, Batistta. Curso de filosofia. 13ª edição. São Paulo: Paulus, 2005. V.1

28 de maio de 2011

O noivo da minha melhor amiga

A história roda em torno de uma advogada certinha beirando os 30 anos e nesta comemoração de seu 30º aniversário acaba bebendo um pouco além da conta e acaba indo para a cama com um amigo da faculdade de Direito e noivo de sua melhor amiga.
Com o passar das cenas a coisa vai "piorando", pois, além dela ser a madrinha do casamento dos 2, "descobre" ser apaixonada por ele desde a graduação colocando em risco a amizade que tem desde pequena com sua melhor amiga e noiva dele.

Ética, moral, costumes, tudo é colocado em jogo nesta película delicada onde pude refletir sobre algumas situações que aconteceram comigo no passado e onde decido não deixar para depois.
Vale a pena assistir.

Título em português: O noivo da minha melhor amiga
Título original: Something barrowed
Direção: Luke Greenfield
Atores: Kate Hudson, Ginnifer Goodwin, Colin Egglesfield, Ashley Williams, Steve Howey, Peyton List, John Krasinski.

19 de maio de 2011

Breve estudo da Filosofia da Religião

Quando pensamos em Filosofia da religião e em para que estudá-la, estamos nos deparando com a indagação filosófica que usa métodos e possui objetivos, isto é, estudaremos o todo referente a religião não nos apegando à dogmas.
Nesta conceituação e indagação filosófica e sem dogmatismos, iremos ir a fundo primeiramente tentando definir o que é o sagrado e o profano. Aqui já podemos iniciar refletindo que só conhecemos o sagrado quando há sua manifestação como uma realidade diferente da "natural" e que esta "hierofania" (do grego hieros (ἱερός) = sagrado e faneia (φαίνειν) = manifesto) consiste em o sagrado ser tudo o que se opõe ao profano.
Na introdução deste estudo, devemos conceituar o que vem a ser religião e segundo a definição de Urbano Zilles* "religião é a busca de constituir um mundo com sentido transcendental independente do sentido dado pela racionalidade moderna", ou seja, a religião exprime uma busca que transcende os limites do mundo.
Dentro de tudo isso, sagrado, profano, religião sendo componente de ser humano é manifestado de diferentes formas surgindo diversos tipos de religiões a qual dividiremos em grandes categorias:
1) As cósmicas a qual se resumem como uma manifestação do sagrado próprio da natureza, ou seja, não há um Deus e sim uma lógica intrínseca própria do cosmo. Uma ordem natural e o homem, neste caso, deve equilibrar sua energia a esta ordem, como por exemplo o budismo.
2) As antropológicas já podem ser resumidas nos mitos, teísmos (monoteísmo e politeísmo) na qual o homem coloca, possui um outro(os) pessoa(s) (Deus ou deuses) como causa e explicação da sua realidade.
Diante de toda essa introdução e sua importância, o mito representa uma contribuição importante, pois sob forma de metáfora é uma realidade cultural e complexa; ajuda na compreensão da história do pensamento humano. Por ter como base o logos, está intimamente ligado à Filosofia, ou ainda, a Filosofia da Religião.
A palavra logos é a razão que articula em um discurso corrente a primeira admiração quase religiosa, para formulá-la em termos de introdução profana. Assim nascem os tipos racionais de questionamento, quando o entendimento transforma em interrogação filosófica e já científica (filosofia da religião) a emoção que se apodera do homem, diante do espetáculo do mundo.

*Cursou a graduação em Filosofia e Bacharelado pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Imaculada Conceição; fez a graduação em Filosofia Licenciatura pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul; foi ordenado sacerdote; graduado em Teologia Bacharelado pela Theologische Hochschule Beuron, em 1966 e obteve doutorado em Teologia pela Universitat Münster (Westfalische-Wilhelms) em 1969 e atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Membro de corpo editorial da Veritas, em Porto Alegre; membro de corpo editorial da Teocomunicação; membro de corpo editorial da Análise & Síntese; membro de corpo editorial do REALISMO - Revista Ibero-Americana de Filosofia Política e Filosofia do Direito; membro de corpo editorial do Communio, no Rio de Janeiro e membro de corpo editorial da Estudos Filosóficos; em 1981 recebeu o título de monsenhor do Papa João Paulo II.

17 de maio de 2011

Jornada nas Estrelas? Não. Filosofia.

O texto abaixo foi publicado no jornal Diário do Comércio  em 16/05/2011.
Deixei-o postado aqui para apreciação de todos, pois foi leitura inicial da aula de hoje sobre Filosofia Natural pelo professor Domingos Zamagna onde achei de muito bom proveito na atualidade.


Em 6 de abril, o jornal italiano La Repubblica publicou um artigo sobre o mais recente livro de  Stephen Hawking e Leonard Mlodinow, “The Grand Design” (O Grande Projeto). O subtítulo do texto  foi pego de uma passagem da obra que afirma que "a filosofia está morta". O trecho continua: "A  filosofia não acompanhou o desenvolvimento atual das ciências, particularmente a física. Os  cientistas se tornaram os portadores da tocha da descoberta em nossa busca pelo conhecimento".
A  morte da filosofia já foi anunciada muitas vezes e nunca foi motivo para alarme. Porém, vindo de  um gênio como Hawking, parecia ser uma afirmação muito boba. Para me certificar que o La  Repubblica não o citou erroneamente, saí de casa, fui comprar o livro e, ao lê-lo, minhas suspeitas  se confirmaram.  
A assinatura do livro indica que ele foi escrito pelos dois autores. Mas no caso de Hawking a  palavra "por" é dolorosamente metafórica, porque seu corpo não responde aos comandos de seu  cérebro excepcional. Portanto, o livro é basicamente trabalho do segundo  autor, Leonard  Mlodinow.
Este é descrito na capa como um excelente popularizador de termos científicos e  roteirista de vários episódios  da série Jornada nas Estrelas. (Há uma alusão a Jornada nas  Estrelas nas belas ilustrações do livro, que parecem ter sido concebidas para uma Enciclopédia  Infantil do passado. Em verdade, são coloridas e fascinantes, mas não explicam absolutamente nada sobre as  complexas teorias físico-matemático-cosmológicas que deveriam ilustrar).
Talvez não fosse  prudente confiar o destino da filosofia a personagens de seriados de ficção científica.  The Grand Design começa com a afirmação peremptória de que a filosofia não tem mais nada a nos  ensinar e que só a física consegue explicar:
1) como entender o mundo a nossa volta;
2) a  natureza da realidade;
3) se o Universo precisa de um criador;
4) por que existe algo,  em vez  de nada;
5) por que existimos; e
6) por que essa série particular de regras existem e não  alguma outra.
Essas são questões típicas da filosofia, mas o livro mostra, de um jeito, que a física  consegue responder as últimas quatro questões, que parecem ser as mais filosóficas, afinal.  O único porém é que, antes de responder às quatro últimas perguntas, é necessário ter as  respostas para as duas primeiras. Em outras palavras, o que significa dizer que algo é real e  que conhecemos o mundo exatamente como ele é?
Talvez você se lembre de perguntas como estas na  época do ensino médio ou de um curso universitário de filosofia: sabemos por que a mente se  adapta a algo? Existe algo fora de nós ou, como disse Hilary Putnam, da cátedra de Filosofia de  Harvard, somos cérebros em um recipiente?
Pois bem, as respostas fundamentais que esse livro oferece são tipicamente filosóficas e se  essas respostas filosóficas não existissem nem um físico saberia dizer o que sabe e por quê. De  fato, Hawkins e Mlodinow falam do realismo modelo-dependente; ou seja, eles assumem que não  existe um conceito de realidade independente de descrições ou teorias.
Assim, teorias diferentes  podem descrever o mesmo fenômeno de forma satisfatória mediante estruturas conceituais diversas;  em consequência, tudo o que conseguimos perceber, saber e dizer sobre a realidade depende da  interação entre os nossos modelos e o "algo" que existe fora de nós mesmos, conhecido por nós  graças aos  nossos órgãos de percepção e ao  nosso cérebro.
Os leitores mais perspicazes talvez já tenham detectado o fantasma de Immanuel Kant no argumento  do livro. Certamente os autores estão propondo o que é conhecido por alguns filósofos  como "holismo" e por outros como "realismo interno".
Não se trata de uma questão de descobertas  físicas, mas de pressupostos filosóficos, que sustentam e legitimam a investigação dos físicos.  E, se os físicos são bons em seu trabalho, não podem deixar de pôr o problema dos fundamentos  filosóficos em seus próprios métodos.
Isso é uma coisa que já sabíamos, da mesma forma como estávamos  familiarizados com a revelação do livro (evidentemente obra de Mlodinow e da tripulação da nave  estelar Enterprise) de que na Antiguidade as pessoas atribuíam instintivamente os desastres  naturais violentos a um Olimpo habitado por divindades maliciosas. Deus do Céu e por Júpiter!


Umberto Eco é autor do romance "A Misteriosa Chama da Rainha Loana", além de "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault".
Tradução: Rodrigo Garcia

Link do jornal Diário do Comércio: http://www.dcomercio.com.br/
Link da matéria "Jornada nas Estrelas? Não. Filosofia": http://www.dcomercio.com.br/materia.aspx?id=68812&canal=14

6 de maio de 2011

Adão e Eva, Adão e Adão, Eva e Eva

Um breve histórico: na Grécia Antiga, as relações entre homens, que hoje nomeamos de homossexualismo, eram quase sempre orientadas para finalidades específicas e ultrapassavam a simples busca do prazer sexual.
A pederastia (παιδεραστία, de παῖς "menino" e ἐράω "amar") visava a formação do jovem, tanto em Esparta como em Atenas. No exército espartano o amor entre soldados fortalecia o exército. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação com mulheres, no presente ou no futuro e, com a chegada do cristianismo é que essas relações passam a serem vistas como pecaminosas.

Fiquei até contente em saber que "Por unanimidade, STF reconhece a união estável entre homossexuais", conforme divulgado via tablóides em 05.05.2011: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/05/05/por-unanimidade-supremo-reconhece-uniao-estavel-de-homossexuais.jhtm

Esperemos agora a união civil para "finalizar" esse grande reconhecimento dos homossexuais.

Ah! Não esqueçam, que TUDO tem um "benefício" político por trás e esta frase deixa bem claro isso: "um deles do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para que funcionários públicos homossexuais estendam benefícios a seus parceiros, e outro da Procuradoria-Geral da República (PGR), para admitir casais gays como "entidade familiar" (entre aspas mesmo)".

1 de maio de 2011

Carta sobre a Felicidade - Epicuro

Não aguentei e depois de ler em 15 minutos, deixo abaixo as partes que mais gostei, se bem que toda a carta é de uma simplicidade e beleza sem fim.

"Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la. Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz. Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bem-aventurado, como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado à sua bem-aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade (...). Consideremos também que, dentro os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há alguns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem-estar corporal, outros, ainda, para a própria vida. E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo (...). Na tua opinião, será que pode existir alguém mais feliz do que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremo ou dura pouco, ou só nos causa sofrimentos leves? Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso, instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanham a censura e o louvor? (...) Medita, pois, todas estas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais."
(Carta sobre a felicidade - a Meneceu - de Epicuro com tradução de Álvaro Lorencino e Enzo Del Carratore pela UNESP em 2002)


Cronologia de Epicuro: nasceu em 341 a.C. em Samos - ilha grega - foi seguidor de Platão dos 14 aos 18 anos - em 323 vai para Atenas - entre 311 e 310 tenta fundar a escola Mitilene - muda-se para Lâmpsaco e entra em choque - morre aos 72 anos de idade em 270 a.C.