31 de outubro de 2011

Felicidade e ética em Aristóteles

Comparando as questões éticas entre Aristóteles e Platão, temos nos diálogos platônicos todas as grandes questões filosóficas bem encadeadas, mas dois temas fundamentais norteiam a reflexão ético-filosófica em Platão: de um lado o conhecimento e as condições que o tornam possível e de outro lado a questão socrática fundamental que tematiza a importância da moralidade para a vida feliz e as condições necessárias de sua realização na polis.
A verdadeira "felicidade", segundo as reflexões ético-políticas dos livros centrais da República, reside na forma de existência consagrada ao conhecimento do Bem. Este ideal filosófico, portanto, seria o verdadeiro ideal humano do viver, no sentido de "assemelhar-se" a Deus enquanto é possível.
Enquanto é possível,  a filosofia aristotélica é de caráter mais sistemático e analítico, e este divide a experiência humana em três grandes áreas: o saber teórico, o saber prático e o saber criativo.
No estilo aristotélico, a ética, em conjunto com a política, pertence ao domínio do saber prático, porém, pode ser constatado pelo saber teórico. Sendo assim, no domínio do saber prático o intuito é estabelecer sob que condições podemos agir da melhor forma possível tendo em vista nosso objetivo primordial que é a felicidade (eudaimonia)
Segundo Aristóteles, a felicidade (eudaimonia) é o objetivo visado por todo ser humano, visto assim, a felicidade está relacionada à realização humana e ao sucesso naquilo que se pretende obter, o que só se dá se aquilo que se faz é bem feito.
A felicidade é tida como um bem supremo do qual o homem vive em busca constante, assim sendo, pode-se dizer que a escolhemos por si mesma, e não por um algo a mais. Porém, outras formas de excelência como a honraria, o prazer e a inteligência, dentre outros, escolhemos por si mesmas, mas estas nos causam felicidade, pois pensa-se que através destas seremos felizes.

22 de outubro de 2011

Competências e habilidades em Filosofia

Não é só de livros que vivem ou se alimentam os alunos do ensino médio: precisamos dar ênfase ao ensino por competências e habilidades.
Para isso, há necessidade de um entrosamento entre o perfil do que está educando e o perfil do que será educado, criando assim habilidades específicas para o mercado de trabalho quando estivem em busca de um emprego ou já trabalhando em alguma empresa.
Sendo o estudante como simples instrumento, por vezes é perigoso e por vezes tranquilo e até inovador.
Tais competências, dependendo do conteúdo e do local a ser ministrado, serão consideradas hipotéticas com resultados na simplificação de problemas apenas e outras a negação de tais soluções dependendo do sistema a ser utilizado.
O que precisamos é num primeiro momento descobrir quais são essas competências para se ensinar a Filosofia no ensino médio.
Algumas destas competências, como exemplo, criatividade, curiosidade, capacidade de resolver problemas etc. servem para desenvolver o pensamento crítico e a capacidade de trabalhar em equipe que dão a estes alunos o que consideramos o passo para aceitar críticas, dar boas risadas, se comunicar melhor e ir em busca de outros conhecimentos.
Trata-se de competências comunicativas como a de uma linguagem baseada na argumentação que faz com que os alunos do ensino médio criem uma simpatia pela disciplina de Filosofia: nasce aí a competência discursivo-filosófica.
Os alunos tem a sua disposição a autonomia para exercer sua cidadania a partir do momento que podem tomar suas decisões, uma vez que estão no caminho do conhecimento filosófico, argumentativo, reflexivo.
A leitura abrirá os olhos desses alunos para um mundo que jamais tinham contato, pois, podem analogicamente assistir a um filme e fazer um paralelo com a leitura de um fragmento de uma das obras de Platão (como o "mundo sensível" e o "mundo inteligível").
Por isso precisa ter um conhecimento sólido sobre História da Filosofia, ou seja, a base para qualquer conhecimento em Filosofia é o conteúdo aplicado nesta disciplina, tanto do docente como ao aluno.
Nas Diretrizes Curriculares aos Cursos de Graduação em Filosofia e pela Portaria INEP Nº 171, de 24/08/2005, temos as habilidades e competências para o profissional no ensino de Filosofia no ensino médio, vale a pela dar uma olhada.
Alguns requisitos são básicos como: a capacidade filosófica de formular e propor soluções a certos problemas; a capacidade crítica do conhecimento através da razão sócio-político-histórica; as capacidades de analisar, interpretar e comentar textos conforme a técnica da hermenêutica (arte de interpretar o sentido das palavras, das leis, dos textos); capacidade de compreender nossa própria existência e cultura através de seu sentido; capacidade de fazer uma relação da Filosofia com os direitos humanos e a capacidade de relação da Filosofia científica com o agir pessoal e político.
Para o sólido conhecimento da História da Filosofia, há necessidade da compreensão dos temas principais, seus problemas e sistemas, o diálogo das ciências, artes e reflexão da realidade e o gosto pelo pensamento crítico e independente.
Com essas competências e habilidades, o docente será capaz de transmitir ao aluno do ensino médio seus conhecimentos e familiarizá-los à Filosofia desde seus primórdios, porém, precisamos ter muito cuidado, pois pode ser um papel enganador: somente após o conhecimento e participação indubitável da História da Filosofia é que se pode transmitir algo sem receio.
Percebemos a relação então entre a competência da graduação proposta e aquelas que esperamos dos alunos do ensino médio.
O que o professor graduado não pode é transformar suas aulas em leituras chatas que o desenvolveu, mas associá-las a aulas expositivas para criar o interesse dos alunos a refletirem filosoficamente.
Foi sistematizada, assim, a competência e habilidade em: representação e comunicação (consistem em ler textos filosóficos elaborando de forma reflexiva e debatendo seu conteúdo defendendo com argumentação); investigação e compreensão (é colocar os diferentes conhecimentos filosóficos adquiridos de modo discursivo nas ciências naturais, humanas, artes e cultura); contextualização sociocultural (é utilizada para situar a Filosofia em sua origem ou em outros planos - pessoal-biológico, sócio-político, histórico-cultural - até o científico- tecnológico).
A representação e comunicação .

18 de outubro de 2011

Professor da rede pública ou particular

Saiu uma nota muito interessante para professores da rede pública e a todos que trabalham, de alguma forma, com a educação ou área acadêmica.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, solicitou uma pesquisa científica sobre o aumento do número de horas do aluno na escola e sua correlação com o aumento do rendimento escolar.
No dia 21.09.2011, ele apresentou os resultados para a imprensa, pois deseja um grande debate sobre o assunto.
A pesquisa realizada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo revelou que mais tempo (horas) na escola, leva uma melhoria dos resultados do aluno na aprendizagem e nas avaliações do ENEM, SAEB, etc.
Até aqui, nenhuma surpresa, pois vários países desenvolvidos tem uma carga horária anual maior que a brasileira e tem resultados melhores mesmo. O que vem a seguir é que é preocupante.
Diante do resultado deste estudo, Ricardo Paes de Barros, subsecretário que coordenou a pesquisa apontou alternativas - que na realidade são propostas - ao ministro, a saber:

Alternativa 1
O estudo de Ricardo Paes de Barros mostrou que um bom professor em sala de aula tem o impacto de 9,6 pontos no SAEB, 20 pontos no ENEM e 68% de melhoria do desempenho do aluno. Mostrou ainda que a melhoria dos resultados acadêmicos pode ser feita com a diminuição de faltas dos alunos e dos professores durante o ano letivo. esta proposta implica:
a) criar programas de formação e projetos de incentivo aos docentes, para que mais bem remunerados, preparados e motivados, possam faltar menos e dar melhores aulas,
b) modificar a atual LDB, diminuindo o porcentual máximo permitido de faltas aos alunos (25%),
c) reduzir o número de faltas, abonos e licenças permitidas por lei aos docentes.
Esta alternativa requer modificação na legislação educacional e investimentos em salários e em programa de formação continuada para docentes (Formação Profissional, Especialização, Mestrado e Doutorado).
Alternativa 2
Paes de Barros aponta que a diminuição do número de alunos em sala potencializa o rendimento de todos, ao permitir que os docentes tenham mais tempo para auxiliar os alunos que apresentarem dificuldade.
Nesta proposta:
a) estabelecer qual é o número mínimo de alunos por sala e séria,
b) ampliar o número de salas e, consequentemente, de escolas,
c) criar incentivos para a carreira docente, pois mais salas e mais escolas demandarão mais professores mais bem preparados (hoje, desestimulados, muitos estão deixando a carreira de docente).
Alternativa 3
Esta alternativa demanda investimento em infraestrutura e no profissional da educação - salário e capacitação. Se a carreira docente for valorizada, atrairá e manterá nela os mais capacitados.
Aumento do número de horas diárias do aluno na escola. Essa proposta segue o modelo europeu - que possui período integral - e implica em alguns investimentos:
a) melhorar as cantinas escolares para que possam servir almoço aos alunos,
b) readequação do currículo para que todo o período de permanência seja bem aproveitado,
c) maior número de salas de aula - hoje, matutino e vespertino utilizam as mesmas salas,
d) readequação e aumento dos espaços esportivos e culturais da escola - necessário para escola de tempo integral.
Esta alternativa requer significativos investimentos em infraestrutura, entretanto, o aumento do salário dos professores seria apenas em função do aumento do trabalho - mais aulas, mais remuneração - e não de um aumento real no valor da hora/aula. É verdade que a escola de tempo integral é um modelo seguido na Europa, mas lá o professor recebe melhores salários - quando comparados com outros profissionais de formação superior - do que os daqui.
Alternativa 4
Aumento dos dias letivos - dos atuais 200 para 220 dias letivos. Sendo subsecretário da Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidência, Paes de Barros, julga ser essa a alternativa mais atraente e interessante ao governo, pois praticamente não haverá nenhum custo para os cofres públicos. Na prática, essa alternativa levará:
a) a um aumento dos dias letivos em detrimento de sábados e feriados,
b) aumento da jornada de trabalho - em dias - sem o consequente aumento da remuneração - o governo divide o salário anual em doze meses + décimo terceiro,
c) diminuição dos dias de recesso e férias docentes.
Esta alternativa não requer do Governo praticamente nenhum investimento - só uma mudança na Lei.
Já para o docente, significa mais dias de trabalho, mais matéria a ser lecionada e mais avaliações, provas e trabalhos para correção, sem nenhum aumento ou remuneração adicional.
Para o aluno, mais matéria, mais pressão por resultados e menos dias livres em casa.

Fique atento e pense corretamente como professor.
A pior alternativa é a que aumenta os dias letivos em 10% - total de 220 dias de aulas -, sendo a alternativa 4 a menos aceitável.
O Governo tem a intenção, segundo o ministro, de realizar um debate com a sociedade para, em seguida, implementar a medida dos 220 dias.
Na realidade, nenhuma alternativa é perfeita, mas as outras três são melhores do que o aumento dos dias:
Alternativa 1 - investir na formação e salário dos professores e diminuir a permissão de faltas,
Alternativa 2 - menos alunos por sala e professores melhor preparados e melhor remunerados,
Alternativa 3 - escola de tempo integral - ainda precisa de muitos ajustes, mas levará o Governo investir muito para a implantação.

CUIDADO, caro professores!
Como mais uma prova de que o Governo não quer investir em educação, o subsecretário já está indicando o aumento dos dias como a melhor proposta e isso é obvio, pois é a única alternativa que não requer INVESTIMENTOS, mas DESGASTE dos professores.
O Governo tentará neste debate jogar a população contra os professores que se opuserem aos 220 dias, mas na verdade, nós professores, sabemos que aumentar os dias não mudará em nada o quadro atual de descanso com que as autoridades tratam a educação.
Além disso, a proposta de aumento dos dias letivos é a única que não apresentará nenhuma contrapartida positiva para o docente.

Abaixo o link para leitura:
http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/09/mec-apresenta-proposta-para-deixar-aluno-mais-20-dias-por-ano-na-escola.html

14 de outubro de 2011

A justiça em Aristóteles

Para Aristóteles há a justiça distributiva e a corretiva. A justiça distributiva se faz de acordo com a proporção geométrica; nesta, “o justo é o proporcional, e o injusto é o que viola a proporção”. Porém, a justiça corretiva se dá pela proporção aritmética. Diz-nos Aristóteles:



“A outra espécie de justiça é a corretiva, que tanto surge na, transações voluntárias como nas involuntárias. Esta forma do justo, tem um caráter diferente da primeira, pois a justiça que distribui bens públicos está sempre de acordo com a proporção mencionada acima (também quando se trata de distribuir os fundos comuns de uma sociedade, ela se fará conforme à mesma razão que se observa entre os fundos trazidos para um negócio pelos diferente, sócios); a injustiça contrária a esta espécie de justiça é a que viola esta proporção. Mas a justiça nas transações entre um homem ou outro é efetivamente uma espécie de igualdade, e a injustiça nessas relações é uma espécie de desigualdade, todavia não de acordo com a espécie de proporção que citamos, e sim de acordo com uma proporção aritmética. Com efeito, é indiferente que um homem bom tenha lesado um homem mau, ou o contrário, e nem se é um homem bom ou mau que comete adultério; a lei considera apenas o caráter distintivo do delito e trata as partes como iguais, perguntando apenas se uma comete e a outra sofre injustiça, se uma é autora e a outra é vítima do delito. Sendo, então, esta espécie de injustiça uma desigualdade, o juiz tenta restabelecer a igualdade, pois também no caso em que uma pessoa é ferida e a outra infligiu um ferimento, ou uma matou e a outra foi morta, o sofrimento e a ação foram desigualmente distribuídos, e o juiz tenta igualar as coisas por meio da pena, subtraindo uma parte do ganho do ofensor. O termo “ganho” aplica-se, geralmente, a tais casos, embora não seja apropriado a alguns deles (por exemplo, à pessoa que inflige um ferimento) e “perda” se aplica a vítima. De qualquer forma, uma vez estimado dano, um é chamado perda e o outro, ganho. Assim, o igual é intermediário entre o maior e o menor, mas o ganho e a perda são respectivamente menores e maiores de modos contrários: maior quantidade do bem e menor quantidade do mal são ganho, e o contrário é perda; o meio-termo entre os dois é, como já vimos, o igual, que chamamos justo; portanto, a justiça corretiva será o meio-termo entre perda e ganho. Eis por que, quando ocorrem disputas, as pessoas recorrem ao juiz. Recorrer ao juiz é recorrer à justiça, pois a natureza do juiz é ser uma espécie de justiça animada, e as pessoas procuram o juiz como um intermediário, e em algumas Cidades-Estado os juízes são chamados mediadores, na convicção de que, se os litigantes conseguirem o meio-termo, obterão o que é justo. Portanto, justo é um meio-termo já que o juiz o é. O juiz, então, restabelece a igualdade. Tudo ocorre como se houvesse uma linha dividida em partes desiguais e ele subtraísse a diferença que faz com que o segmento maior exceda a metade para acrescentá-la ao menor. E quando o todo foi igualmente dividido, os litigantes dizem que receberam "o que lhes pertence"' - isto é, obtiveram o que é igual.

(ARISTÓTELES, “Ética a Nicômaco”, 1132a1)

11 de outubro de 2011

Significado da Filosofia para Justino e ideia de participação

A Filosofia para Justino parte de uma tripla característica (vide diálogo com Trifon) sendo:
1) autodomínio,
2) constância e
3) conhecimento da Verdade.

Como Justino enxerga a Filosofia? Exatamente através da busca de um LÓGOS.
Que lógos é esse? O lógos seminal e o lógos total.
O lógos seminal se encontra ingênito como semente no gênero humano, ou seja, todos os homens possuem o lógos seminal (ingênito). Os homens participam do verbo porque possuem semente.

lógos total cede por participação o seminal, daí todos os homens nascem no lógos seminal que é dado para alcançar o lógos total.
Justino estabelece a diferença entre lógos seminal e lógos total.

Essa busca pelo lógos está cheia, repleta de verdade. O lógos está repleto de alétheia (Verdade).
SER = PENSAR = DIZER > É
O caminho do que é > Fidedigno.
De fato, eu penso o que é e o que não é.
Quando penso o que não é, chego a caminho nenhum.
Ser > Pensar > Dizer - É > Verdade > Alétheia
Daí, Justino toma os princípios da Filosofia para fazer argumentação de conho apologético, ou seja, aproveitas os princípios para fazer apologia (jurídico/defesa).
- Diálogo de Trífon
- 1ª Apologia
- 2ª Apologia

E o conhecimento da verdade, como se dá?
"...vivem constantemente e conforme a reta razão...", ou seja, viver segundo o conhecimento intelectivo por meio do NÔUS (atividade do intelecto ou da razão em oposição aos sentidos materiais: inteligência, pensamento).

Esta tripartição, citada acima, sugere ainda uma tripartição da natureza humana, ou seja:
1) espírito;
2) alma e
3) corpo.

Em conjunto com a teoria da tripartição da alma em Platão, Justino coloca a parte irracível da alma como o impulso da alma segundo os desejos ou a razão.

Viver, segundo na natureza, é viver desse medo: o que deve conduzir o homem é seu espírito (conjunto total das faculdades intelectuais).

E tenho dito!