25 de novembro de 2011

O pensamento de Kant

Kant nasceu na pequena cidade de Könisberg (Prússia) em 22 de abril de 1724 e faleceu em 12 de fevereiro de 1804.
Professor de Filosofia na Universidade de Könisberg, um homem tímido e metódico, estudou profundamente o pensamento de Locke, Berkeley e Hume (empiristas) e de Descartes e Espinosa (racionalistas).

A primeira questão tratada por Kant diz respeito ao conhecimento. Quais seriam as possibilidades, seus limites e suas esferas de aplicação?
A segunda questão sintetizada em Kant é o problema da ação humana, o problema da moral.
Quanto a primeira questão, em sua época era forte a geometria analítica, desenvolvida por Descartes e o cálculo infinitesimal de Leibniz (também Newton). O conhecimento físico e matemático à partir da filosofia, utilizado no estudo do movimento dos corpos e na astronomia eram seguidos pelos estudiosos dos fenômenos naturais. Ao lado, existia a metafísica, especialmente a desenvolvida por Hume, com o conceito de causalidade, que derrubavam qualquer dogmatismo sobre verdades eternas a respeito da essência de todas as coisas.
Sobre a segunda questão, Kant tratou de analisar não o que o homem conhece sobre o mundo, mas como o homem deve agir em relação a seus semelhantes, como proceder para alcançar a felicidade ou alcançar o bem supremo.
Kant achava que os empiristas estavam certos em alguns pontos e enganados em outros. Da mesmo maneira, os racionalistas estavam certos em alguns pontos e errados em outros
O mundo seria exatamente como nós percebemos (empirismo), ou como se mostra pela nossa razão (racionalismo)?
Kant achava que tanto os sentidos quanto a razão eram muito importantes para a nossa experiência do mundo.
Inicialmente ele concorda com Huma (e os empiristas) de que todos nossos conhecimentos vem através das impressões dos sentidos, mas concorda com Descartes (e os racionalistas) de que a razão possui pressupostos para o modo como percebemos o mundo à nossa volta.
Para Kant, o tempo e o espaço são "formas da sensualidade". Tanto o tempo quanto o espaço já existem em nossa consciência antes de qualquer experiência. Podemos, com isso, saber, antes de experimentar algo, que vamos experimentar.
O tempo e o espaço são propriedades da consciência humana e não atributos do mundo físico.
Sobre as grandes questões filosóficas, como "se o homem possui um alma imortal", "se Deus existe", "se o Universo é infinito ou não", Kant acreditava que jamais alguém chegará a um conhecimento acerca dessas coisas. Para ele tanto faz dizer que o mundo teve um começo no tempo, quanto dizer que não houve começo algum.
Podemos afirmar que o mundo sempre existiu. Mas será que alguma coisa pode ter sempre existido sem nunca ter tido um começo? Podemos dizer que o mundo começou em algum momento, significando que surgiu do nada, senão seria a passagem de um estado para outro e, nesse caso, pode alguma coisa surgir do nada?
Preocupa-se, então, com a ação humana.
Para Kant, todos nós possuímos uma "razão prática" que nos permite saber o que é certo e o que não é certo. A lei moral é um "imperativo categórico".
Imperativo porque é uma lei, uma ordem.
Categórico porque vale para todas as situações.
Um dos primeiros imperativos categóricos desenvolvido por ele foi de que sempre que agirmos, devemos utilizar a regra de que nossa ação pode ser uma lei geral (o que faço, deve valer para que os outros façam da mesma maneira).
Em seguida, formula que devemos tratar as pessoas como um fim em si mesmo e não como um simples meio (não devemos usar as pessoas em proveito próprio).
Interessante pensar assim se observarmos o que está escrito na lápide do túmulo de Kant: "Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim."
Fantástica citação e memorável filósofo onde nos deixa duas correntes:
1) Idealismo: corrente que voltou à metafísica idealista, priorizando novamente o sujeito e a intuição intelectual;
2) Positivismo: corrente que priorizou o objeto e a experiência sensível, desenvolvendo-se na Sociologia.

Para saber mais, só lendo "Crítica da Razão Pura", "Fundamento da Metafísica dos Costumes" e "Crítica da Razão Prática" para começar.
Boa leitura!!!

14 de novembro de 2011

O homem é mau por natureza


Li "O Príncipe" de Nicolau Maquiavel umas cinco vezes e a cada nova leitura me deparo com uma surpresa, mas uma verdade: realmente, o homem é mau por natureza - independente de seu pensamento, o mau impera.

Confirma isso, uma reportagem (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2011/11/14/atirador-da-noruega-admite-massacre-mas-nao-se-declara-culpado.jhtm) sobre um atirador da Noruega dizendo se considerar inocente pelas 77 pessoas que matou e confirmando o que fez em juri aberto.

E Maquiavel é claro quando afirma nos capítulos V, VI e VII o seguinte: "...quando as cidades ou as províncias estão habituadas a viver sob o mando de um príncipe e que a linhagem desse desaparece, elas, em parte por terem sido educadas à obediência, noutra parte por não lograrem um acordo na escolha de um novo, mostram sua inépcia para viver em liberdade...", "...para falar daqueles que, mercê da própria virtude e não da fortuna, tornaram-se príncipes...", "...aqueles que, como os mencionei, fazem-se príncipes mercê das suas virtudes conquistam com dificuldade os seus principados, mas com facilidade os podem conservar...", "...estes príncipes têm como sustentáculos da sua dignidade tão-somente a boa vontade e a condição de quem lhes concedeu o título..." e por aí vai.

Um ser humano, dito racional, que afirma "Reconheço os atos, mas não me declaro culpado", é normal?

Fica aí a dúvida.

10 de novembro de 2011

O Bom existe?

"O Bom é aquilo que, uma vez alcançado, nada mais a pessoa deseja. É o sumo entre todos os bens e contém em si todos os outros. Pois, se lhe falta algo, não pode ser sumo, porque ficaria fora dele algo que possa ser desejado. É claro que o estado constituído pela agregação de todos os bens é a beatitude." (Boécio, 515 d.C., Consolação da Filosofia, 3)

Você sente em seu íntimo o desejo do Bom?

Há duas coisas a se saber sobre o Bom:
1) o Bom existe em si, está nos objetos - a lei moral brota do Divino, da natureza cósmica e da natureza humana - existe uma Lei Natural, da qual nasce um Direito Natural;
2) o Bom não existe em si, está na decisão do sujeito-homem - a norma moral brota da mente do homem - não existe Lei Natural nem Direito Natural, mas apenas a decisão do indivíduo e um Direito Positivo estabelecido pela vontade do legislador - relativismo ético: cada indivíduo ou grupo escolhe seu próprio Bom.

Em Platão, o Bom é a VERDADE;
Nos Hindus, o Bom é BRAHMA;
Em Buda, o Bom é NIRVANA;
No Mestre Lao, o Bom é o TAO;
No Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, o Bom é o CRIADOR-PAI;
Em Kant, o Bom é o DEVER;
Em Nietzsche, Sartre, Camus, o Bom é o PODER ou o NADA;
Em Marx, o Bom é o TRABALHO LIVRE;
Em Epicuro, Foucault, Deleuze, Onfray, Misrahi, Comte-Sponvile, o Bom é o PRAZER;
Em Bentham, Mill, Rorty, o Bom é o ÚTIL;
Em Habermas e Apel, o Bom é o CONSENSO;
Em Jonas, o Bom é a RESPONSABILIDADE.
Em Rawls, o Bom é a JUSTIÇA.

E para você, caro leitor, o que é o Bom???

7 de novembro de 2011

A constituição do ser está no trabalho

Isto segundo as teorias de Hegel e Marx que pude acompanhar lendo algumas de suas mais importantes obras: A Fenomenologia do Espírito e O Capital, respectivamente (não todo O Capital, mas estou lendo aos poucos).

O idealismo de Hegel é como uma forma fundadora daquilo que vem mais tarde como a economia política desenvolvida por Marx; Hegel como sendo o precursor do materialismo de Marx.
Daí a formação de uma substância teórica social que ancorou entre Economia e Dialética - fundamento da história e atividade humana -, ou seja, elementos que sustentam a lógica expositiva das histórias e atividades humanas na forma de um método científico.

O fundamento hegeliano nos informa que as categorias da Lógica tem um movimento que unifica a correspondência da realidade do objetivo à articulá-lo segundo suas potencialidades internas que são libertadas da contingência: conteúdo teórico e prático se equivalem, então, uma vez que essas contradições persistem na mesma forma de atuação humana, consideramos que as iniciativas e os resultados nem sempre correspondem à intencionalidade que as geraram.
Desse modo, o que Hegel nos dizia era que a especificidade da exegese levada a efeito, exige das outras concepções teóricas seu próprio conteúdo, obrigando assim a demonstrar que o abandono à vida do objeto esteja compatível com os instrumentos teoréticos usados pelas propostas analíticas oriundas de seus princípios gnosiológicos de avaliação.
Em breves palavras, a filosofia hegeliana deve ser tomada como uma ampla teoria social a partir da qual são assentadas as bases para a gênese de uma doutrina materialista que encontra no trabalho - ou atividade humana - o conjunto de pressuposições de desenvolvimento dos aspectos abstrato e concreto de toda uma constituição do ser.
Sabe o motivo dele afirmar isso? Primeiro, porque na época dele, mais importante do que este ser é o processo que sobre ele atua, transformando-o de acordo com sua caracterização interna. Segundo, hoje em dia as firmas moldam esta criatura como querem e isso se tornou quase que uma "patente", um status. Por Deus!!!


Quanto ao pensamento de Marx, tem a característica de investigar a concentração dos elementos determinantes do objeto porque a trajetória seguida por ele está identificada pelo diálogo e pela interpretação, tanto do materialismo de Feuerbach como do de Hegel sendo esta trajetória o que deve ser ocupada para empreender o compreendimento no que diz respeito a constituição do ser pelo trabalho.
Como resultado da atividade vital, ou seja, o trabalho, o produto é aquela forma por meio da qual a apropriação natural é apropriação humana, objetivação da atividade do sujeito (objeto do trabalho como objetivação do próprio gênero): alienação.
Para Marx, a economia humana é traduzida numa teoria das objetivações dos produtos trabalhados, das objetivações de si mesmo e objetificações dos sujeitos humanos na história: relação entre homem e gênero humano, conexão entre trabalho, produção e reprodução da vida, Ciência e liberdade.

3 de novembro de 2011

Matrix: máquinas comandando

No filme Matrix, as máquinas utilizam o corpo dos humanos como geradores de energia.
Fico pensando se num futuro as máquinas se tornarem mais inteligentes que seus criadores, o que faremos?
Como essa máquinas tendo inteligência avançada lidarão com humanos tolos, preconceituosos, orgulhosos?
Será que lidarão conosco, assim como lidamos com os que possuem menos inteligência?
Caso isso aconteça, passaremos a ser a elas - máquinas - apenas serviçais, "alimento" para gerar energia ou algo para que elas tenha entretenimento!
Minha preocupação é a autorreprodução dessas máquinas, nos submetendo apenas a humanos descartáveis, fardo pesado para ser "tolerado" por elas.
Fica aí as questões e para pensar sobre as responsabilidades que damos às "máquinas inteligentes".