8 de dezembro de 2012

Dinheiro: o dublê da virtude

Li uma reportagem sobre "Dinheiro: o dublê da virtude" na Revista Filosofia, Ano VII - Nº 75, do mês de outubro onde Renato Nunes Bittencourt (Doutor em Filosofia e professor do curso de Comunicação Social na Faculdade CCAA) disse que "tendo a sociedade autenticado um poder àquele que o acumula, e onde o feio fica belo, o ignorante fica inteligente e até mesmo a virtude pode ser comprada, a busca por dinheiro tornou-se um dos grandes predicados de nossa época".

Ouvi ou li, não me recordo bem, uma vez que Aristóteles dizia que a felicidade não pode ser produzida por meio de causas externas, sendo antes uma experiência de beatitude endógena, interior. Ou seja: o problema de se ter dinheiro é como se tem esse dinheiro, como se consegue esse dinheiro, de que forma.

Com isso, as práticas de exploração humana crescem dia após dia, sem contar as inúmeras doenças psicossomáticas adquiridas ao longo dos tempos (inclusive as irreversíveis levando a óbito).

Vamos as compras, afinal, é época natalina e o iPhone 5 tá chegando...




1 de dezembro de 2012

Competências e habilidades em Filosofia (no ensino médio)

Não é só de livros que vivem ou se alimentam os alunos do ensino médio: precisamos dar ênfase ao ensino por competências e habilidades.
Para isso, há necessidade de um entrosamento entre o perfil do que está educando e o perfil do que será educado, criando assim, habilidades específicas para o mercado de trabalho quando estiverem em busca de um emprego ou já trabalhando em alguma organização.
Sendo o estudante como simples instrumento, por vezes é perigoso e por vezes tranquilo e até inovador.
Tais competências, dependendo do conteúdo e do local a ser ministrada, serão consideradas hipotéticas com resultados na simplificação de problemas apenas e outras a negação de tais soluções dependendo do sistema a ser utilizado.

O que precisamos é num primeiro momento descobrir quais são essas competências para se ensinar a Filosofia no ensino médio.
Algumas destas competências, como exemplo, criatividade, curiosidade, capacidade de resolver problemas etc., server para desenvolver o pensamento crítico e a capacidade de dar boas risadas, se comunicar melhor e ir em busca de outros conhecimentos.
Trata-se de competências comunicativas como a de uma linguagem baseada na argumentação que faz com que os alunos do ensino médio criem uma simpatia pela disciplina de Filosofia: nasce aí a competência discursivo-filosófica.

Os alunos têm à sua disposição a autonomia para exercer sua cidadania a partir do momento que podem tomar suas decisões, uma vez que estão no caminho do conhecimento filosófico, argumentativo, reflexivo.
A leitura abrirá os olhos desses alunos para um mondo que jamais tinham contato, pois, podem analogicamente assistir a um filme e fazer um paralelo com a leitura de um fragmento de uma das obras de Platão (como o "mundo sensível" e o "mundo inteligível").
Para isso, precisa ter um conhecimento sólido sobre a História da Filosofia, ou seja, a base para qualquer conhecimento em Filosofia é o conteúdo aplicado na disciplina História da Filosofia, tanto do docente como ao aluno.

Nas Diretrizes Curriculares aos Cursos de Graduação em Filosofia e pela Portaria INEP Nº 171, de 24/08/2005, temos as habilidades e competências para o profissional no ensino de Filosofia no ensino médio.
Alguns requisitos são básicos como: a capacidade filosófica de formular e propor soluções a certos problemas; a capacidade crítica do conhecimento através da razão sócio-político-histórica; as capacidades de analisar, interpretar e comentar textos conforme a técnica da hermenêutica (arte de interpretar o sentido das palavras, das leis, dos textos); a capacidade de compreender nossa própria existência e cultura através de seu sentido; a capacidade de fazer uma relação da Filosofia com os direitos humanos e a capacidade de relação da Filosofia científica com o agir pessoal e político.
Para o sólido conhecimento da História da Filosofia, há necessidade da compreensão dos temas principais, seus problemas e sistemas, o diálogo das ciências, artes e reflexão da realidade e o gosto pelo pensamento crítico e independente.

Com estas competências e habilidades, o docente será capaz de transmitir ao aluno do ensino médio seus conhecimentos e familiarizá-los com a Filosofia desde seus primórdios, porém, precisamos ter muito cuidado, pois pode ser um papel enganador: somente após o conhecimento e participação indubitável da História da Filosofia é que se pode transmitir algo sem receio.
Percebemos a relação entre a competência da graduação proposta e aqueles que esperamos dos alunos do ensino médio.
O que o professor graduado não pode é transformar suas aulas em leituras chatas que o desenvolveu, mas associá-las a aulas expositivas para criar o interesse dos alunos a refletirem filosoficamente.
Foi sistematizada, assim, a competência e habilidade em: representação e comunicação; investigação e compreensão; contextualização sociocultural.

A representação e comunicação consistem em ler textos filosóficos elaborando de forma reflexiva e debatendo seu conteúdo defendendo com argumentação.
A investigação e compreensão é colocar os diferentes conhecimentos filosóficos adquiridos de modo discursivo nas ciências naturais, humanas, artes e culturais.
Para finalizar, a contextualização sociocultural é utilizada para situar a Filosofia em sua origem ou em outros planos (pessoal-biológico, sócio-político, histórico e cultural) até o científico-tecnológico.


15 de novembro de 2012

Em defesa das causas perdidas

O título deste post é o título do livro de Slavoj Zizek e abaixo alguns trechos que achei oportuno para a atual vivência política que estamos passando.
Espero que apreciem e se espantem como eu.

"Democracia significa que qualquer que seja a manipulação eleitoral que se tenha, todo agente político respeitará incondicionalmente seu resultado." (p. 267)

"A dimensão positiva do populismo é a suspensão potencial das regras democráticas. A democracia, de modo como a palavra é usada hoje, diz respeito, acima de tudo, ao legalismo formal: sua definição mínima é a adesão incondicional a um determinado conjunto de regras formais que garantem que os antagonistas sejam totalmente absorvidos pelo jogo agônico." (p. 267)

"A mercadoria pode lhe parecer um objeto mágico dotado de poderes especiais, mas na verdade, é apenas uma expressão reificada das relações entre as pessoas." (p. 301)

"Talvez você ache que a mercadoria lhe pareça uma simples encarnação das relações sociais (que o dinheiro, por exemplo, é apenas um tipo de vale que lhe dá direito a uma parte do produto social), mas não é assim que as coisas realmente lhe parecem; em sua realidade social, por meio da participação na troca social, você confirma o estranho fato de que a mercadoria realmente lhe parece um objeto mágico dotado de poderes especiais." (p. 301/302)

"O uso público da razão deve ser livre sempre, e somente lhe pode trazer esclarecimento aos homens. Por outro lado, muitas vezes o uso privado da razão pode ser bastante restrito, sem atrapalhar particularmente o avanço do esclarecimento. Entendo por uso público da razão o uso que se faz dela como um acadêmico diante do público leitor. Chamo de uso privado aquele que se faz num cargo ou posto civil específico que lhe é confiado." (Ele citando Kant - p. 425)


31 de outubro de 2012

O furacão Sandy nos EUA

Hoje em um jornal saiu o balanço do furacão Sandy que devastou os Estados Unidos da América:

- 48 mortos nos EUA e 1 morto no Canadá;
- 8 milhões sem energia elétrica;
- Prejuízos financeiros de US$ 50 bilhões;
- 15 milhões de voos cancelados;
- Ondas de 4,2 metros de altura em NY;
- Estações de metrô fechadas até o final de semana;
- 260 pacientes retirados de um hospital;
- 100 moradias destruídas no bairro do Queens;
- 1 usina nuclear paralisada;
- O presidente Obama pedindo "telefonem para mim, pessoalmente, na Casa Branca e;...

... BRASILEIROS RECLAMANDO QUE NÃO CONSEGUEM FAZER SUAS COMPRINHAS NA LOJA DA APPLE, NÃO CONSEGUEM ASSISTIR PEÇAS NA BROADWAY E NÃO CONSEGUEM VOLTAR PARA O BRASIL!

Se mais.


12 de outubro de 2012

5 Traços da Ideologia

Ideologia, é um dos termos mais usados no campo do pensamento humano (ciências sociais e políticas). O sentido etimológico é bastante simples: do grego EIDOS (ideia) + LOGOS (discurso, palavra, sabedoria). No entanto, os autores criaram tantas definições para Ideologia, que se torna extremamente problemática a aplicação deste termo a uma determinada realidade e com isso, instaura-se uma confusão interminável.
Para os de direita, a Ideologia é o Totalitarismo que engloba simultaneamente o marxismo e o fascismo; para os de esquerda, a Ideologia é o pensamento burguês, quer seja fascista ou liberal.
Quase todos os grandes pensadores (sociais, políticos) modernos trataram da questão da Ideologia e alguns criaram definições próprias, outros buscaram aperfeiçoar as já existentes.

Abaixo, os 5 traços característicos da Ideologia
1) Pensamento Partidário: toda ideologia se situa num conflito de ideologias. Por definição ela é partidária. É também parcial em suas afirmações e polêmica a respeito dos outros. Ideologia combate para vencer, ou seja, ela impõe não somente razões e provas por argumentos mas por constrangimento - pressão - e isso vai desde a sedução até a violência - passa pela censura e a dissimulação dos fatos.

2) Pensamento Coletivo: é um pensamento anônimo, discurso sem autor - cremos sem pensarmos, é o que todo mundo diz.

3) Pensamento Dissimulador: a ideologia é necessariamente dissimuladora - adoro isso. Se ela reconhecer sua essência, ela se destrói assim como a luz quebra a treva. O pobre pensa como o rico e acaba querendo as mesmas coisas que o rico. Desse modo, dificulta o desenvolvimento do pensar próprio e autônomo do proletariado.

4) Pensamento Racional: é significativo que o racismo tenha surgido no final do séc XVIII com o nascimento da biologia científica e assim afirmamos a inferioridade ou mesmo a nocividade de certas raças, em nome da ciência.

5) Pensamento a Serviço do Poder: "as ideias da classe dominante são as ideias dominantes - Marx. Ela está sempre a serviço de um poder, do qual ela tem por função de justificar o exercício e de legitimar a existência.


7 de outubro de 2012

O mito do diabo

Racionalmente falando ou pensando, o diabo é uma figura mítica e explico.
Se Deus é definido filosoficamente como o Ser Absoluto, Substância Única que a si mesma basta e de que nada depende, o diabo é uma sombra invertida desta Substância de Deus, porém, somente na imaginação humana - uma imagem grotesca e incoerente do Não-Ser.
Em outras palavras, se o diabo, como dizem, é o" contrário" de Deus e Deus é o Ser Supremo e Absoluto, o diabo não existe minha gente.
Na História Medieval ouvimos muitos relatos trágicos entre a luta do Bem e do Mal, Deus e o diabo e o absurdo que encontrei é que nessa dialética fica impossível se opor um Absoluto a outro.
O Absoluto é o TODO e se outro TODO se lhe opor, não teríamos DOIS TODOS, mas apenas DUAS METADES deste TODO.
Vamos além. Toda essa especulação não passa de uma imitação grotesca do culto legítimo a Deus, pois os seres humanos, criados por Ele, não distorcem (ou não poderiam) o seu impulso de integração NAQUILO QUE É para AQUILO QUE NÃO É e nem pode ser.
Alguns leitores devem estar perguntando: "Então Deus também não seria um mito contrário?" E por tudo que li até o momento posso afirmar que NÃO. Simplesmente porque o contrário daquilo que se opõe ao que é, não é Deus, mas o diabo. Deus não tem contrários... tudo quanto existe já é subordinado à Ele, inclusive o diabo (que não existe mas o homem insiste em afirmar que sim).
Desde o nascimento da Filosofia Deus está presente: o Deus-Intelecto de Anaxágoras (reconhecendo nele a Inteligência organizadora da realidade), o Bem de Platão (o Demiurgo, construtor do mundo), o Primeiro Motor Imóvel de Aristóteles (que colocava em movimento todos os demais motores da dinâmica universal), o Inefável de Pitágoras e assim por diante... a razão humana para aceitar a Divindade tem que enquadrar-se nos seus limites (humanos) e não se "espelhar" ou querer que Deus seja nossa semelhança ou vice-versa.
É absurdo querer entender ou tratar a origem de Deus, mas vira e mexe estamos nos questionando como.
Se a ciência não disponibiliza recursos para a investigação neste plano, se a Teologia só faz aumentar o mistério com sistematizações sectárias, resta a nós cogitar filosoficamente para aquietar nossas mentes com um consolo proposital.
A curiosidade entre o Natural e o Sobrenatural é separada pelo espaço cósmico, ou seja, os astros são classificados como seres divinos e assim constitui o mundo celeste ou sobrenatural e dessa forma a natureza pertence à Terra (que é desprovida de brilho próprio e iluminada por estes astros).
E por fim, a mística também é um processo de dialética, porém místicos recusam esta afirmação: o sentimento místico é um impulso de integração do ser naquilo que o ser é. Isso pouco importa se aquilo que é se revela como Bem ou Mal.
Agora fica aí para suas próprias considerações: o diabo é um ser mítico ou ele realmente existe?


29 de setembro de 2012

XXX

Usaram R$ 55 milhões para reformar a Praça Roosevelt no centro da cidade e uma verba destinada ao financiamento de melhorias das universidades do país está parado desde abril de 2011.

Viva o Futebol!
Viva o Carnaval!
Viva o Funk e as Piriguetes!
Viva o Brasil!!!

13 de setembro de 2012

Que onda é essa?

Um mero professor de história na Alemanha, em 1981, cria situações em sala de aula onde o irracional e o descontrole toma conta numa simples explanação sobre AUTOCRACIA (imaginem se ele ministrasse a aula de ANARQUIA, que era o primeiro intuito).
Os seres humanos estão cada dia mais voltados a debilidade e ao auto (des)controle de sua própria razão, de sua própria mente, de seus próprios instintos.

A frase final do filme "A Onda", falada pelo professor, explana muito bem isso quando ele diz que "vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que passou em 'A Onda'. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho."

O filme espanta, traz medo e deixa uma questão no ar: há líderes assim e pessoas que AINDA os seguem?

Fica aí o pensamento...


6 de setembro de 2012

Ano de eleições para prefeito

A cidade de São Paulo terá este ano, daqui a pouco, as eleições para "escolher" o prefeito da cidade.
Tive o desprazer de assistir ao debate da RedeTV e fiquei assustado onde só atacaram um ao outro e não falaram nada sobre os planos para que possamos escolher um.
Mas... assim como a humanidade caminha, caminhemos nós...

26 de agosto de 2012

Algumas afirmações para se pensar

(afirmações contidas no livro "Não Nascemos Prontos-Provocações Filosóficas de Mario Segio Cortella)

Alice no País das Maravilhas de Lewis Carol
Diálogo em que Alice encontra o gato em cima da árvore:
Alice: __Para onde vai esta estrada?
Gato: __Para onde você quer ir?
Alice: __Não sei; estou perdida.
Gato: __Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve...

Michelangelo e a escultura de Davi
Perguntaram a Michelangelo como ele fizera a escultura de Davi e ele respondeu:
__Foi fácil; fiquei um bom tempo olhando o mármore até nele enxergar Davi. Aí, peguei o martelo e o cinzel e tirei tudo o que não era Davi...

Lévi-Strauss e a sabedoria
Para ele sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas; é o que formula as verdadeiras perguntas.

Victor Hugo e a persistência
Ele dizia que para não se desistir de algo era necessário quando nada parece ajudar, eu vou e olho o cortador de pedras martelando sua rocha talvez cem vezes sem que uma só rachadura apareça; no entanto, na centésima primeira martelada, a pedra se abre em duas, e eu sei que não foi aquela a que conseguiu, mas todas as que vieram antes.

Mihai Eminescu (patriótico poeta romeno, séc XIX) e a saudável loucura
As pessoas alegres fazem mais loucuras do que as pessoas tristes, porém, as loucuras das pessoas tristes são mais graves.

O "descanse em paz" de Gustave Flaubert
Que grande necrópole é o coração humano! Para que irmos aos cemitérios? Basta abrirmos as nossas recordações; quantos túmulos!

Frase pichada em um muro em Brasília
Nós construímos esta cidade e nela somos envergonhados.


17 de agosto de 2012

Para quê educação???


Ótimo texto que encontrei em http://rizomas.net/index.php

PRA QUE SERVE EDUCAÇÃO?
Uma pergunta que pode ser óbvia, vazia, desagradável, estimulante ou esclarecedora, dependendo da pessoa. Como professor, não consigo prosseguir meus dias sem pensar nela de vez em quando. E tem sido cada vez mais estimulante e esclarecedor, embora sempre um pouco desagradável.
Há muitas maneiras de responder esta pergunta. Se buscarmos na internet, será dificil encontrar algo de realmente esclarecedor. Claro que deve ter muita coisa boa - o difícil é filtrar a grande quantidade de "pseudo-informações".
Quando lemos os objetivos educacionais/pedagógicos de uma escola qualquer , encontramos sempre mesma coisa. Frases de efeito. Tal como na LDB (veja o texto do prof. José Sergio). Frases que não estão erradas, são até muito bonitas. Mas que de tão vagas, acabam não ajudando muito nas questões e contradições da prática escolar cotidiana.
Mesmo o Instituto DNA Brasil, que reúne bons profissionais e produz publicações interessantes (eu, pelo menos, gostei do livro “DNA Educação”), não consegue sair das frases de efeito. Como no trecho abaixo, proveniente de um debate em torno da questão “pra que serve a educação”:
Não existe ensinar. O aluno deve aprender a aprender, e sozinho, porque é isso que ele fará o resto da vida (...)
a educação deve ser responsável pela formação de um pensamento crítico, e todos concordaram que ela deve ser responsável pela formação pessoal e humanista dos futuros cidadãos do país.
Como fica o professor frente a estas afirmações? Que significado dará às suas ações diárias? A forma com que cada um imagina a finalidade da educação é o que dá sentido à prática escolar cotidiana. Afinal, pra que serve a educação? Eis uma questão difícil. Vejamos uma outra abordagem possível. Para que a educação não serve? O que não queremos que a educação produza? Esta questão já foi feita por muitos grandes pensadores. Destaco aqui, para finalizar, um belíssimo texto de Adorno, retirando dele alguns trechos para tornar mais fácil a digestão. Se você gostar destes trechos, aproveite para ler o texto todo aqui.


EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ
Theodor Adorno
Tradução:
Wolfgang Leo Maar
A exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação. De tal modo ela precede quaisquer outras que creio não ser possível nem necessário justificá-la.”
Quando falo de educação após Auschwitz, refiro-me a duas questões: primeiro, à educação infantil, sobretudo na primeira infância; e, além disto, ao esclarecimento geral, que produz um clima intelectual, cultural e social que não permite tal repetição; portanto, um clima em que os motivos que conduziram ao horror tornem-se de algum modo conscientes.”
Penso até que a desbarbarização do campo constitui um dos objetivos educacionais mais importantes. Evidentemente ela pressupõe um estudo da consciência e do inconsciente da respectiva população. Sobretudo é preciso atentar ao impacto dos modernos meios de comunicação de massa sobre um estado de consciência que ainda não atingiu o nível do liberalismo cultural burguês do século XIX.
Para mudar essa situação, o sistema normal de escolarização, freqüentemente bastante problemático no campo, seria insuficiente. Penso numa série de possibilidades. ”
Mas aquilo que gera Auschwitz, os tipos característicos ao mundo de Auschwitz, constituem presumivelmente algo de novo. Por um lado, eles representam a identificação cega com o coletivo. Por outro, são talhados para manipular massas, coletivos, tais como os Himmler, Höss, Eichmann.”
Finalmente, o centro de toda educação política deveria ser que Auschwitz não se repita. Isto só será possível na medida em que ela se ocupe da mais importante das questões sem receio de contrariar quaisquer potências. Para isto teria de se transformar em sociologia, informando acerca do jogo de forças localizado por trás da superfície das formas políticas. Seria preciso tratar criticamente um conceito tão respeitável como o da razão de Estado, para citar apenas um modelo: na medida em que colocamos o direito do Estado acima do de seus integrantes, o terror já passa a estar potencialmente presente. ”
Eis um importante objetivo da educação: evitar a barbárie. Não ajudar a produzir as causas da violência extrema entre seres humanos. Isto já nos dá o que pensar.
Alguns trechos merecem um pouco mais atenção, como a questão do "nível de consciência".
Mas por enquanto, creio que já seja suficiente. Como diria o mestre Maurício Mugilnik, vamos dormir com estas questões e ver como acordamos amanhã. Se você tiver alguma resposta a questão “pra que serve a educação?”, aproveite para deixar seu comentário abaixo.

21 de julho de 2012

Uma sociedade

Quinta-feira, 19.07.2012

Fui assistir Uma Sociedade, peça baseada no texto homônimo de Virgínia Woolf que conta a história de um grupo de oito amigos, no início do século XX.
Se passa em Londres e eles percebem que apesar de lerem muito, nenhum possui, de fato, experiências práticas sobre O QUE SEMPRE DISCUTEM e LEEM.
Decidem formar uma sociedade para sair de seu MUNDO FECHADO e CONHECER A VIDA, abdicando de algo MUITO IMPORTANTE para si como SACRIFÍCIO pelo grupo.
No entanto, este acordo os leva a resultados muito diferentes do que esperavam, e entre cobranças e desconfianças, as fragilidades de  cada um começam a emergir.
Engraçado é que, novamente, percebi como é importante VIVER PARA O OUTRO, ESTAR PARA O OUTRO, SER PARA O OUTRO e ESQUECER DE SI MESMO.
O legal e interessante é que faz com que reflitamos ainda mais sobre o CONCEITO de SOCIEDADE.
Ótima peça...

15 de julho de 2012

Educar é preciso

Entrevista interessantíssima com a pedagoga Jane Haddad para quem gosta da área da Educação.

Fonte: Revista Escola Particular - SIESP | Ano 15 - Nº 171 - Junho 2012

Pedagoga pela PUC - MG, Jane Haddad também é especialista em Psicopedagogia (UNI-BH), cursou Docência do Ensino Superior pela Newton Paiva e Formação em Psicanálise (Círculo Psicanalítico de Minas Gerais), além da Psicanálise Hospitalar (Hospital Mater Dei - MG). 

Mas sua experiência não é apenas acadêmica, Jane atuou por mais de 20 anos em escolas como professora, coordenadora pedagógica e diretora. É palestrante e conferencista em eventos educacionais no Brasil e exterior. Com o tema “O Que Quer a Escola: Novos Olhares resultam em Outras Práticas”, ela esteve no Congresso Saber do ano passado. E ela volta neste ano, para participar de uma a roda de conversa sobre os novos arranjos familiares e os desafios escolares decorrentes.

Escola Particular - Quem é o aluno contemporâneo e como lidar com ele?
Jane Haddad - É o jovem que já chega completamente conectado com o mundo. Ele recebe muita informação, porque vive na Era da Informação. Porém, muitos alunos não sabem o que fazer com o que recebem. Esse aluno contemporâneo tem uma cultura própria, que precisa ser trazida para dentro da escola. Isso não significa descer ao seu nível, mas elevá-lo ao nível da escola, pois o nosso desafio é ajudá-lo a transformar essas informações em conhecimento.



EP - Como esse aluno associa as informações que recebe?
JH - Precisamos pensar não apenas nas informações, mas na formação que ele traz de casa e considerar essa questão a partir do âmbito familiar, para depois trazê-lo ao público. Algo que me preocupa bastante é o fato de ser um aluno muito passivo. Embora se reclame muito da violência de alguns, percebo que o seu comportamento em sala de aula, em relação ao aprendizado, é de passividade: ele não fala, não se manifesta, nem argumenta. Ele se posiciona no mundo, mas se mostra apático na escola. Quando você diz para um jovem que ele tirou um zero na prova, invariavelmente, sua resposta se resume a um “aham”. Se você pergunta para ele: ‘então, você não vai ser ninguém?’ E ele dá de ombros, mostrando que não tá nem aí!

EP - Falta comunicação entre alunos e professores?
JH - É engraçado. Alguns alunos não conversam com os educadores em sala de aula, mas quando chegam da escola eles acessam as redes sociais e, ali, se conectam aos professores. E a razão dessa preferência é simples. Conectar-se pela rede é mais fácil, por não ter contato presencial. A escola deve repensar as maneiras de interação e o modo de enxergar esse aluno contemporâneo.

EP - Pode citar algum exemplo?
JH - Há vários bons exemplos. Um deles pode ser o aluno que faz um trabalho pela manhã e, quando chega a tarde, encontra o produto final postado no “face”. Isso é muito positivo quando mediado por um adulto, por promover aproximação entre alunos e professores, e destes com os familiares dos seus alunos. Mas, por outro lado, essa interatividade pode ter um péssimo uso.
Soube de uma escola que puniu o aluno porque ele não curtiu uma postagem, manifestando seu descontentamento por meio de um comentário. Isso é outra coisa a ser pensada. 
A escola deve entender qual é o objetivo das redes sociais, pois o bom uso vai aproximar, na mesma medida em que o mau uso vai separar o aluno da escola. E não posso punir um aluno porque ele se manifestou de modo contrário. Devo trazer o seu ponto de vista para uma discussão presencial, porque o ambiente virtual tem a sua importância, mas não se pode perder a essência do contato olho no olho.


EP - Há pouco tempo, nos EUA, alunos foram proibidos de ter professores entre seus amigos nas redes sociais. O que acha disso?
JH - Deve existir bom senso. Não cabe a um professor se comunicar com uma aluna às 2h da manhã! O professor não pode tratar questões de caráter pessoal com seus alunos. O ambiente virtual é um dispositivo que permite ao professor captar informações úteis sobre os alunos e serve como um auxílio para seu trabalho dentro da sala de aula. Mas quando se perde o senso de propósito dessa ferramenta, a coisa desanda. E ambos [professores e alunos] ficam expostos aos riscos que a gente já conhece.
O adulto deve lembrar que é um adulto. Ao conversar com uma menina de 10 anos, o professor deve entender o que se passa na cabeça dela. Se ele comenta o quanto ela está linda, a chance dessa menina entender que seu professor está apaixonado por ela é muito grande.

EP - E quais são os benefícios da comunicação via redes?
JH - Como falei, existe a vantagem de se abrir um canal de leitura. Por meio dele, fica mais fácil perceber o que seu aluno está te dizendo, aquilo que ele anseia. Então, o professor pode usar 
essa leitura ao trabalhar com os demais alunos, de modo presencial. Tudo o que é novo pode ser usado contra ou a nosso favor. Mas eu sou muito a favor. 
Esse é o mundo deles. O problema é que eles não refletem, mas a escola pode ajudá-los nesse sentido.

EP - E como ministrar aulas que estimulem a reflexão?
JH - Enquanto a escola trouxer coisas prontas para os alunos, não haverá motivação. Eles já estão conectados há muito tempo, bem antes de nós. 
A escola ainda está desconectada. 
E não basta que o professor use as ferramentas tecnológicas por obrigação. Igualmente, não é uma questão de banalizar a rede, mas fazer o aluno encontrar um sentido para aquilo que ele está fazendo. Caso contrário, o professor ficará para trás. Por que não colocar alunos para ajudarem os professores a lidar com as novas tecnologias? Podemos aprender muita coisa com eles. Por outro lado, eu sei uma coisa que alguns deles desconhecem: o perigo da internet. Porque isso é um vício. Uma janela abre a outra, que abre a outra, que abre a outra. Isso é uma coisa que posso ensinar a eles, assim como ensinar a administrar o tempo gasto na rede ou outros conhecimentos que lhe faltam.


EP - Mas as novas tecnologias não resolvem tudo, certo?
JH - Não se deve esquecer que também é importante ler um livro, desenvolve r ideias no papel ou ter contato com uma obra de arte. Falta muita reflexão ao jovem de hoje. As propagandas na TV são um bom exemplo disso. 
Elas trazem a seguinte mensagem : para um a pessoa s e r u m sucesso na vida, deve ser jovem ou ter alguma coisa que ainda não comprou. E qual é a reflexão que o jovem faz sobre isso? Antigamente, as moças sonhavam com um baile de debutantes quando completassem 15 anos de idade. Hoje, sonham com 300 ml de silicone.

EP - Nesse caso, não falta orientação por parte da família?
JH - Às vezes se ouve falar de família ausente. Quantos já pararam para pensar com qual família estamo s lidando? Precisamos saber qual é o perfil da minha escola. Ao marcar uma reunião de pais, preciso saber quem é a família com quem eu estou lidando. Embora tenha ido uma mãe extremamente presente, não gostava de ir às reuniões de pais, porque eu sabia que iria escutar sobre atrasos, avaliações, atividades, etc. Sinceramente, esse é um modelo que deve ser repensado. Precisamos fazer um mapeamento da família e saber aonde eles vão ou do que eles gostam, para planejar algo que venha ao encontro da família. O trabalho não deve focar apenas os alunos, mas suas famílias. 
A família que conheci lá atrás é a mesma de hoje? Porque se eu planejo uma reunião de pais tendo em vista a família que conheci lá atrás, eles continuarão ausentes.

EP - E a questão da indisciplina escolar? O déficit de atenção piora o problema?
JH - A indisciplina só existe quando há rompimento da ordem. Quando uma regra é imposta de modo arbitrário, como a proibição do uso de bonés – algo que faz parte da composição de alguns adolescentes – existe uma quebra no relacionamento entre o adolescente e a escola. E não quero dizer que sou contra ou a favor ao uso do boné. Trata-se apenas de uma reflexão. Qual a interferência do boné na aprendizagem do aluno? Se isso vai mudar a forma de mediar esse aluno, que seja uma regra. Contudo, se não há sentido na proibição, deve-se pensar num bom motivo para restringir seu uso. Precisamos aprofundar mais as reflexões e sair um pouco do modismo. A gente discute tudo, mas de modo superficial, sem se aprofundar. 
Quanto ao que alguns dizem ser déficit de atenção, quero lembrar uma cena comum aos nossos jovens. Eles falam ao celular ao mesmo tempo em que falam com você no MSN, fazem pesquisa no Google e ainda conseguem jogar no computador. Para mim, isso não representa um déficit de atenção. Eu tenho déficit de atenção em ver um a aula d e 45 minutos, o que não faz sentido nenhum para mim.

EP - Entrando no assunto do próximo Congresso Saber, você entende que falta a imposição de limites?
JH - Primeiramente, vamos pensar na falta de limites físicos. Dentro de uma casa com três filhos pode acontecer de a família ter três televisões, além do quarto aparelho, que é dos pais. Então, cada um vai para o seu quarto, que é o seu limite físico, e vê o que quer. Se todos se sentarem juntos diante da mesma TV, vai ter briga, porque não existe consenso. Um exemplo desses parece que não tem nada a ver, mas tem. Avançando nesse raciocínio, podemos analisar a maneira como os filhos entram no quarto dos pais, como eles se deitam, se levam a namorada para transar em casa, etc. É um microcosmo. Já ouvi um professor indagar a razão de um aluno comer à mesa usando boné. Não sabemos se isso é um princípio da família, mas alguns vão dizer que isso acontece porque a família não impõe limites.

EP - Para você, o que é impor limite?
JH - Entendo ser a fronteira entre o pode e não pode; entre o público e o privado. Alguns dizem que essa geração não tem limites. Será que a nossa geração tem? Basta andar por um aeroporto para ver pessoas da nossa geração falando ao celular quando não podem, ocupando três assentos enquanto há pessoas de pé, ou ocupando uma vaga de deficiente. Elas também não têm limites. Será que isso não tem a ver com a educação? 
Concordo que a geração atual não tem certos limites, mas eles são frutos de uma geração cheia de culpas. São pais que passam o dia inteiro fora e entendem ser necessário dar tudo o que os filhos querem para ser feliz. O grande desafio é encontrar um ponto de equilíbrio. Venho de uma geração em que nada podia. Lá atrás, não podia manifestar meu pensamento livremente. Hoje, porém, o jovem pode se manifestar, mas não tem um projeto de vida. Lá atrás, quando alguém dizia um não para um adolescente, ele decidia adiar um prazer ou uma satisfação. 
A partir desse não que ele recebia, surgiam desejos e expectativas; e isso levava à criação de um projeto. Eu não vejo isso no jovem de hoje.
EP - O jovem não sonha? 
JH - Sonha. Porém, somente para o hoje. Já ouvi alguns jovens dizerem que seu sonho é ser um Big Brother. Em uma formatura, um jovem de 24 anos disse que o amanhã não existe e o importante é viver intensamente o dia de hoje.

EP - Faltam bons modelos à juventude?
JH - Percebo que o professor não é mais a referência que costumava ser para os alunos. Eu me lembro da minha primeira professora e de quantos alunos foram influenciados de modo positivo pelos seus educadores! Nos dias de hoje, ai de um aluno se ele disser que quer ser um professor. O próprio educador é o primeiro a repreendê-lo, ao perguntar: “Você tá louco? Quer levar a vida que eu levo?”. E eu te pergunto, quem é que passa o maior tempo com o aluno? É o professor. Mas existe uma luz.

EP -E qual é?
JH - A saída é participar de eventos como o [Congresso] Saber, em que você encontra especialistas de várias áreas, formulando novas questões. É o que falei na minha palestra: quanto menos resposta , melhor ! 
Precisamos de novas perguntas, novos questionamentos. Alguns dizem que a família está ausente. Tudo bem, mas as respostas para isso eu já sei. Aquilo que eu ainda não sei, porém, é a resposta que devo buscar. Isso só acontece quando se formulam novas perguntas. Podemos perguntar, no caso da família, com quem estamos lidando. Precisamos de mais perguntas, mais reflexões e menos receitinhas. Mas não temos as respostas hoje. E quem diz ter as respostas está equivocado. As pesquisas que são feitas, as estatísticas apresentadas e os dados apurados nos ajudam a chegar perto, mas não temos tantas respostas como se propaga por aí. O Congresso Saber é uma oportunidade. São dezenas de atividades para beneficiar o educador. 
Eu venho ao Saber para que também possa aproveitar essa oportunidade única de conhecer mais.

EP - Pena que nem todos vejam dessa forma!
JH - O professor ainda não se deu conta do seu importante papel. Ele não acredita e não se vê como um agente de transformação da sociedade, embora esteja mais tempo com nossas crianças e adolescentes do que os próprios pais. 
Vivemos a angústia da escolha. Antes, o professor não podia mudar de profissão. Hoje pode. Costumo dizer aos insatisfeitos: muda! É um duro e pesado convite, mas é verdadeiro. Em primeiro lugar, alguns professores devem mudar de profissão para darem a si mesmos uma chance de ser feliz. 
Além disso, devem dar uma oportunidade aos seus alunos. Ninguém merece acordar todos os dias pensando que tem de ir para “aquela escola”, para dar “aquela aula”! E se o professor vai assim para a escola, coitado do seu aluno.

EP - Como está a formação dos nossos jovens? Há enfoque nos futuros cidadãos ou em preparar pessoas para o mercado de trabalho?
JH - O mercado de trabalho é muito vasto, mas está cheio de pessoa s extremamente competentes desempregadas. Isso acontece porque, diante do primeiro conflito no trabalho, elas pedem demissão. Há adolescentes que saem alardeando que o mercado está ruim. O problema é que alguns deles trabalham apenas três meses num lugar; e depois de ter um problema com o chefe ou outra pessoa, simplesmente pedem a demissão. São jovens despreparados para o mercado e para a vida.
Conheci excelentes alunos que, na hora de fazer a prova numa federal, não conseguem um bom desempenho. Eles travam. E há aqueles que se dão muito bem no mercado de trabalho, mas veem tudo como uma competição. Para estes, o outro não importa. Sua única preocupação é atingir o objetivo.
Como falar de cidadania em um projeto pedagógico quando há professores que fomentam esse comportamento? Já vi professores do Ensino Médio afirmarem para os alunos, o tempo todo, que embora sejam amigos, seus companheiros de sala são seus concorrentes no vestibular. Será essa a concepção de formação para o mercado que nós buscamos? Todos os dias, vemos quem queira derrubar o outro, ou quem deseje aparecer por causa do fracasso do outro, etc. A escola tem contribuído um pouco com esse espírito de competição, que não é saudável.

EP - A escola é culpada, então?
JH - No dia da tragédia em Realengo, quando a mídia só falava nisso, eu chorei por pensar em qual momento eu poderia ter fechado meus olhos. 
Não que eu tivesse algum sentimento de culpa, mas porque eu também sou uma educadora. E a situação que antecedeu essa tragédia se repete há vários anos em muitas de nossas escolas.
Não estou buscando culpados. Não é isso. E concordo que o ocorrido em Realengo envolve um caso patológico. 
Porém, aquele rapaz [Wellington] passou pela escola. Será que ninguém viu? Ninguém percebeu os sinais de comportamento? O que eu poderia ter feito por ele, como professora? Casos como esse devem servir à reflexão. Não como a mídia faz: massacrando num primeiro momento, para abandonar o assunto depois que perde o interesse. 
O conflito é o tipo de situação que precisa ser contemplada na escola, com discussão em sala de aula.


16 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador

Pois é, quem diria que a famosa história da menina branquinha como neve se tornaria filme nos dias de hoje?
Belíssima produção, história intrigante que não foge a original, apesar do conteúdo exagerado de efeitos especiais.

Para Thomas Hobbes o "homem é lobo do homem" e para Maquiavel o "homem é mau por natureza".
Com essas afirmações o filme inicia nos trazendo a figura da rainha que foi "traída" por muitos reis e agora com poderes sobrenaturais mata seus "reis", após o casamento, usufruir do trono, prende todas as mulheres do reino e tira sua essência de beleza através da alma destas mulheres.

Alguns pontos interessantes do filme relacionados com a Filosofia;
1) o medo de ser dominado por outro ser humano é o que faz os homens fundarem um estado social e autoridade política;
2) o medo da morte ou da escravidão deu lugar à razão;
3) Conatus, ou seja, o esforço dos seres humanos para se unir ao que os agrada e se afastar do que desagrada;
4) só há paz quando o homem é capaz de abandonar seus direitos absolutos em favor de um soberano;
5) o homem só é sociável por acidente;
6) o monopólio da força e do poder pertenciam ao soberano;
7) o poder religioso é submisso ao político.


Título original: Snow White and the Huntsman
Elenco: Kristen Stewart, Cherlize Theron, Chris Hemsworth, Bob Hoskins, Ray Winstone, Ian McShane, Toby Jones, Nick Frots, Sam Claflin, Eddie Marsan, Lily Cole, Vicent Regan
Direção: Rupert Sanders
Duração: 127 minutos

9 de junho de 2012

Parada Gay 2012

Amanhã tem parada gay. E daí? Alguém se importa realmente com a causa do movimento? Alguém sabe o motivo dela? Acredito que a maioria não, mas... fazer o quê!

O movimento homossexual hoje precisa mais de uma arte de viver do que de uma ciência ou um conhecimento científico daquilo que é a sexualidade.

A homossexualidade é datada  desde a Grécia antiga, e não causava espanto. De uns tempos para cá, passou a ser considerada uma doença misteriosa e assim foi registrada no Catálogo Internacional de Doenças - séc. XX.
Tais implicações e pré-conceitos só deixaram de "existir" depois de 1990 - após deixar de ser considerada patologia.

Hoje, a questão da homossexualidade vai além do desejo e se vincula a uma ideologia que gira em torno de interesses de um grupo, os chamados "grupo de risco" criando uma identidade universal para os homossexuais.

A diferença básica entre "gay" e "homossexual" está no fato de que homossexual era objeto de conhecimento das biociências e gay um grupo com posicionamento político. Aff!!!

Por mais que o gênero pareça ser um componente fundamental de nossas identidades, sejam gays ou héteros, nós somos muito mais do que nossos gostos sexuais. Somos seres humanos.

Para tentar entender o que expliquei, leia Os Anormais, História da Sexualidade-A Vontade de Saber de Michael Foucault; Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade de Sigmund Freud e tente ser feliz.

2 de junho de 2012

Esperança, esperançar, esperar

A coisa mais importante que a gente pode ter na vida quando não temos nenhuma outra coisa é a ESPERANÇA.

Mas tem que ser esperança do verbo ESPERANÇAR.

Tem gente que tem esperança do verbo ESPERAR.

Esperança do verbo esperar não é esperança é ESPERA.

Esperançar é IR ATRÁS, é BUSCAR, é NÃO DESISTIR.


27 de maio de 2012

A estrutura do ato moral

A moral ocorre em dois planos: o normativo, onde os princípios e normas que tendem a regularizar a conduta humana predominam e o fatual, onde o conjunto de atos humanos é regulamentado pelos princípios e normas.
Logo, a essência da moral deve-se a estes dois planos.
Para entendermos a essência moral, deve-se analisar o ato moral: os atos dos homens onde a moral de manifesta e definir, então, o que vem a ser ato moral.
Ato moral é um comportamento humano passível de aprovação ou desaprovação a partir das normas aceitas por determinada sociedade. A exemplo temos os casos de defender alguém que não pode se defender quando é agredido na rua, denunciar a injustiça cometida contra alguém e assim por diante.
Um ato não é moral quando sua realização não pode ser evitada, como por exemplo, segurar duas pessoas que estão a ponto de pular num precipício, ou quando as consequências não podiam ser previstas.
A estrutura de um ato moral tem um motivo que é aquilo que faz, que leva, que impulsiona a alguém agir ou procurar alcançar determinado fim e como exemplo citamos denunciar a injustiça cometida. Este ato pode ser inconscientes - onde a pessoa age sobre fortes paixões, por impulsos irresistíveis ou por traços negativos de seu caráter - ou conscientes - quando alguém sabe o que está fazendo tanto para o bem quanto para o mal.
A estrutura de um ato moral tem também um ato voluntário que é a consciência do fim visado e decisão de realizar o fim projetado e assim necessita de dois elementos: a consciência do fim visado é a antecipação na razão do resultado que se pretende alcançar e a decisão de alcançar e realizar esse fim.
Uma estrutura de um ato moral tem ainda os meios para realizar um fim e espera um resultado para este fim.
Sendo assim, um ato moral apresenta dois aspectos:
1) Subjetivo: que é próprio ou pertence ao interior da consciência (motivos, estabelecimento do fim, decisão de realizá-lo, escolha dos meios).
2) Objetivo: que transcende a consciência e afeta os outros (meios empregados, resultados obtidos, consequências advindas).
Daí chegamos ao pensamento de que um ato moral não pode ser reduzido a seus aspectos subjetivos, não pode fixar-se num só de seus elementos, é uma totalidade entre motivos, fins, decisão, resultado e consequências.
O ato moral só pode ser julgado moralmente a partir de seu contexto - cultura, valores - e história.

19 de maio de 2012

A causa dos adolescentes


Os jovens não são ajudados em nossa sociedade porque os ritos da passagem desapareceram e são apenas entregues a si mesmo.
É preciso que levemos mutuamente o direito dessa passagem da adolescência e isso exige muito deles, exige uma conduta de risco: escolha.
Françoise Dolto, até onde eu pude perceber, contribui excepcionalmente para o desenvolvimento da criança-jovem-adolescente-adulto em sua obra "A Causa dos Adolescentes" deixando sua marca e inteligência visionária como mulher e mãe.
A existência das crianças se deve a muitos fatores e dentre eles: informações, testemunhos, experiências, conselhos, propostas, crescimento, comportamento, sexualidade, fuga e até suicídio.
Com isso, permite aos pais e educadores revitalizar seu diálogo com os jovens na tentativa de os entender de uma forma uniforme, abordando a adolescência não como uma fase rebeldia, mas um período de mutação numa sociedade preocupada somente consigo mesmo.
Françoise interpela os responsáveis, esclarece problemas, desata dramas, usa linguagem verdadeira em que os adolescentes a compreendem, declara seus direitos e deveres etc.
Ela nos convida a penetrar no universo dos que tem de 10 a 16 anos, lutar para dar a palavra àqueles que ainda não tem esse direito e introduz, numa educação nacional em colapso, uma educação para o amor, para o respeito do outro e para o respeito a si mesmo.

Fica a dica e ótima leitura.

16 de abril de 2012

Isto é uma vergonha


Ouvi dizer que a partir de 2013 o salário mínimo será de R$ 667,00.
Pergunto: 
Como um pai de família consegue sobreviver todo mês com este valor e um deputado diz que os R$ 19.000,00 que ele recebe não dá pra nada?

6 de abril de 2012

Ler é preciso

Quando me deparo com essa juventude, futuro do meu país, e fico sabendo que não gostam de leitura, me dá uma coisa por dentro que nem sei explicar.
Essa semana que passou falei justamente sobre isso em sala de aula e a "repulsa" por leitura foi quase que unânime: jovens detestam ler e quando são obrigados a tal, mumunham.
Mas afinal, o que é ler?
Ler é soltar a imaginação e entrar de cabeça na história ou estória em que o livro nos coloca e não simplesmente passar os olhos pelas letras, palavras, sentenças sem sentir, sem viver, sem comentar.

"Certamente as características do texto já pressupõem uma forma determinada de leitura; mas é sobre tudo a intenção do leitor que fixa a forma e o grau de exigência da leitura" nos afirma Foucambert (1976) e nos explica que existem várias formas de leitura: a silenciosa integral, a seletiva, a explorativa, a lenta e a informativa.
Para isso você pode reter uma informação, aprender uma lição, reestruturar um conhecimento ou formar uma ideia geral para saber do que se trata o livro (pura curiosidade).

Para aguçar a leitura, entre tantas outras formas, listo abaixo algumas dicas que são essenciais:
Partir do que os alunos sabem;
Favorecer a comunicação contextualizada;
Familiarizar os alunos com a língua escrita;
Criar uma relação positiva com o escrito;
Fomentar a consciência metalinguística;
Utilizar textos concebidos para leitura;
Experimentar a diversidade de textos e leituras;
Ler sem ter que oralizar;
Ler em voz alta.
Como aprender a ler? Fácil:
Atividades orientadas a ler para aprender;
Atividades orientadas a aprender a ler;
Necessidade de ensinar a compreender;
Perceber a causa das dificuldades na compreensão;
Compartilhar algumas experiências.

E os critérios para a avaliação dessa leitura:
O que avaliar?
Como avaliar?
Para quê avaliar?
Precisa avaliar?

Com alguns critérios, podemos, cada dia mais, tornar a leitura aos olhos dos jovens uma coisa muito legal e em pouco tempo, trazer esse gosto latente pra fora.
É isso aí!!!

24 de março de 2012

Habemus papam: O Papa vai ao analista


Não conhecia Nanni Moretti, ator e diretor italiano, que me surpreendeu dirigindo e atuando o filme Habemus Papa (Temos um Papa) onde coloca pra fora toda "podridão" que acontece durante o período de Conclave (latim "cum clave" que significa com chave).
Nanni é o psicanalista de um Papa que ao ser votado pela maioria "percebe" o tamanho dessa "responsabilidade" e só chora querendo mamãe, não assumindo assim o papado.
Mumunhas, birras, crise existencial e outras coisas mais fazem com que este Papa não se julgue apto ao cargo.

Isso me fez lembrar de Sartre ao dizer que "nunca se é homem enquanto não se encontra alguma coisa a qual se estaria disposto a morrer", "o importante não é o que fazem de nós, mas o que vamos fazer do que fizeram de nós" e a mais espetacular de todas "ser homem é tender a ser Deus, ou, se preferirmos, o homem é fundamentalmente o DESEJO de ser Deus".

Neste filme o homem que tem o desejo ser Deus é eleito por homens imperfeitos, pois erraram ao pensar ter escolhido o representante de Deus na Terra.

O filme passa assim por várias situações onde o psicanalista vai descobrindo aos poucos e mostrando ao telespectador as coisas escondidas dentro do Vaticano.

Fica a pergunta para reflexão: será o que o diretor quis mostrar era que Deus estava errado e que na Terra não precisamos de um representante dEle?

Fica a dica: HABEMUS PAPAM


4 de março de 2012

Idolatria e soberba gratuita não é bom...

Uma amiga me deu o texto abaixo para ler e adorei.
Segue na íntegra a publicação da filósofa Márica Tiburi.
Idolatria e soberba, tô fora!!!



 9 TESES CONTRA O CORONELISMO INTELECTUAL

1 – “Coronelismo intelectual” é a prática mais idiota da “intelectualidade” brasileira.

2 – O Coronelismo intelectual se caracteriza pela propriedade privada da coisa pública: há os donos da filosofia, da teoria literária…

3 – Da antropologia, da sociologia, da história da arte, dos estudos sobre Kant, Hegel, P. Freire, Marx, Adorno, Benjamin, Wittgenstein …

4 – O Coronelismo intelectual odeia o olhar divergente e a pergunta dos outros, porque teme a dúvida como o diabo foge da cruz.

5 – O Coronelismo intelectual odeia a partilha das ideias. É avarento e pratica a usura. Cafetinagem intelectual é o seu outro nome.

6 – O Coronelismo intelectual odeia a invasão dos Sem Ideias no território das ideias prontas. Contra ele todo assalto é desejável.

7 – O disfarce do Coronelismo intelectual é o discurso verdadeiro. Ele fala difícil e finge a pesquisa e o rigor acadêmicos.

8 – Coronelismo intelectual: o lobo do medo na pele de cordeiro do bom senso.

9 – Coronelismo Intelectual: prática de fundamentalismo teórico e devoção exegética ao texto. Contra ele pratiquemos a pornografia teórica.

Fonte: Filosofia Cinza - Blog de Márcia Tiburi

3 de março de 2012

Filosofia da linguagem

A linguagem, antes da Virada Linguística, tinha uma função referencial onde:
1) O sujeito é quem estabelece a referência;
2) O objeto é o referido;
3) O nome é o referente.

A Virada Linguística surge no séc. XIX porque o sujeito se faz a pergunta "O que significa?" e não mais "A que está referido?".

São discutidos dois grandes temas antes da Virada Linguística: o uso da metáfora e o nominalismo/realismo.
Embora muitos digam que a metáfora diz coisas com palavras inapropriadas, indo contra a univocidade do significado, para Aristóteles "ela provoca sentimentos especiais, enriquece a linguagem", como por exemplo:
Dizer que Aquiles é um leão quando luta tem mais impacto do que dizer que Aquiles luta como um leão.
Já no nominalismo/realismo essa discussão procura investigar se o nome está relacionado com a coisa necessariamente ou não. Para o realismo o nome existe de forma abstrata e, automaticamente a coisa (objeto) espelha o nome, não podendo ter outro nome.

Duas correntes filosóficas tentaram responder a questão trazida pela Virada Linguística: a semântica clássica e a semântica pragmática.
A clássica se limita a estudar as sentenças, se entendemos o significado das sentenças, entenderemos o significado do discurso (relaciona-se a Filosofia Analítica).
A pragmática abandona a lógica, a linguagem passa a ser importante pelo seu uso. Está ligada ao seu uso, é subjetiva.


26 de fevereiro de 2012

O que vicia é cheiro de livro novo

Recebi via site de relacionamento o vídeo abaixo de uma amiga e resolvi postar aqui.
A sensibilidade ao qual é tratado o livro é divina.
Uma animação que deve ser vista a todos que apreciam uma boa leitura ou tem paixão por livros.


23 de fevereiro de 2012

Esper+ança

Ah, a esperança!
Dizem ser a última que morre, segundo um mito grego.
Outros acreditam ser uma das emoções fundamentais onde emoção é qualquer estado, movimento ou condição que provoque no animal ou no homem a percepção de valor que determinada situação tem para sua vida, suas necessidades, seus interesses.
Para outras pessoas, cristãs por exemplo, a esperança e para outras ainda uma determinação fundamental do homem e da realidade.
Músicas, poemas, livros nos falam da tão famosa ES-PE-RAN-ÇA, mas... o que dizer da esperança.
Esperar não seria uma forma passiva de se obter coisas, daí não seria um movimento ou uma condição.
Aliás, seria sim uma condição. Condição passiva, portanto, sem impulso a qualquer coisa.
Alguns pensadores deram suas contribuições também.


"Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela." (Albert Einstein)
"A esperança é o sonho do homem acordado." (Aristóteles)
"A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo." (Voltaire)
"A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero." (Victor Hugo)
"O amor sem esperança não tem outro refúgio senão a morte." (José de Alencar)
"É horrível assistir à agonia de uma esperança." (Simone de Beauvoir)
"Deixarás de temer quando deixares de ter esperança." (Sêneca)
"A esperança é um bom almoço para um mau jantar." (Francis Bacon)
"A esperança é o derradeiro mal; é o pior dos males, porquanto prolonga o tormento." (Friedrich Nietzsche)
"Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita." (Martin Luther King)
"O casamento é como enfiar a mão num saco de serpentes na esperança de apanhar uma enguia." (Leonardo da Vinci)
"Toda a infelicidade dos homens nasce da esperança." (Albert Camus)
"A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais tem - ainda a possuem." (Tales de Mileto)

Aí fica minha pergunta: a esperança é mesmo a última que morre ou ela nunca morre pois a alimentamos infinitamente?

9 de fevereiro de 2012

Cinco vias do conhecimento de Deus


Na Suma Teológica, Tomás de Aquino trabalha as cinco vias do conhecimento para chegar na prova da existência de Deus.
Abaixo um resumo singelo.

Primeira via - Via do argumento do primeiro motor
Tudo o que se move é movido por alguém.
É impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente.
Desta forma, há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém é movido.
Se nada é movido e movente ao mesmo tempo, o movido deve sua causa ao motor.
Todo motor é motor por ser potência e se transformar em ato. O movido é a passagem da potencia ao ato.
É então necessário chegar a um primeiro motor, não movido por nenhum outro, e este, todos entendem como Deus.

Segunda Via - Via da causa eficiente
Decorre da relação causa e efeito que se observa nas coisas criadas.
É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa.
Sendo assim, do contrário não haveria nenhum efeito, pois cada causa pediria uma outra causa em uma seqüência sem fim.
A causa eficiente é a causa exterior que explica o porquê aquela coisa é de tal modo. É o que faz algo ser de tal forma explicando a razão de ser alguma coisa, explica alguma coisa mais é sempre anterior a algo.
A causa eficiente pressupõe o efeito da causa e se suprirmos a causa não há um efeito, pois o efeito último se deve a efeitos intermediários. Os efeitos intermediários se devem a um efeito primeiro.
É necessário afirmar uma causa eficiente primeira a que todos chamam Deus.

Terceira Via – Via do possível e do necessário
Encontramos, entre as coisas, as que podem ser ou não ser, uma vez que algumas se encontram que nascem e perecem. Consequentemente, podem ser e não ser. Mas nem todos os seres podem ser desnecessários senão o mundo não existiria.
Assim é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.
O existente necessário é a razão tanto das coisas contingentes quanto das coisas necessárias.
Portanto, é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo, que não encontra alhures a causa de sua necessidade, mas que é a causa da necessidade para os outros: Deus.

Quarta Via – Via dos graus que se encontram nas coisas
Verificamos que há graus de perfeição nos seres e que uns são mais perfeitos que outros.
Qualquer graduação pressupõe um parâmetro máximo e sendo assim deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a causa da perfeição dos demais seres.
O grau do ser só diz mais ou menos daquilo que É.
É mais ou menos bom aquilo que há no bom e é mais ou menos perfeito aquilo que há no perfeito.
Aquilo que É, é, o que configura os graus do ser.
Os graus do ser devem-se aquilo que o ser é.
Existe então algo que é, para todos os outros entes, causa de ser, de bondade e de toda a perfeição que nós chamamos Deus.

Quinta Via – Via do governo das coisas
Vemos algumas coisas que carecem de conhecimento, como os corpos físicos, agem em vista de um fim, o que se manifesta pelo fato de que, sempre ou na maioria das vezes, agem da mesma maneira, a fim de alcançarem o que é ótimo. Fica claro que não é por acaso, mas em virtude de uma intenção, que alcançam o fim. Aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente.
Logo, existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim e que conhecemos como Deus.