26 de fevereiro de 2012

O que vicia é cheiro de livro novo

Recebi via site de relacionamento o vídeo abaixo de uma amiga e resolvi postar aqui.
A sensibilidade ao qual é tratado o livro é divina.
Uma animação que deve ser vista a todos que apreciam uma boa leitura ou tem paixão por livros.


23 de fevereiro de 2012

Esper+ança

Ah, a esperança!
Dizem ser a última que morre, segundo um mito grego.
Outros acreditam ser uma das emoções fundamentais onde emoção é qualquer estado, movimento ou condição que provoque no animal ou no homem a percepção de valor que determinada situação tem para sua vida, suas necessidades, seus interesses.
Para outras pessoas, cristãs por exemplo, a esperança e para outras ainda uma determinação fundamental do homem e da realidade.
Músicas, poemas, livros nos falam da tão famosa ES-PE-RAN-ÇA, mas... o que dizer da esperança.
Esperar não seria uma forma passiva de se obter coisas, daí não seria um movimento ou uma condição.
Aliás, seria sim uma condição. Condição passiva, portanto, sem impulso a qualquer coisa.
Alguns pensadores deram suas contribuições também.


"Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela." (Albert Einstein)
"A esperança é o sonho do homem acordado." (Aristóteles)
"A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo." (Voltaire)
"A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero." (Victor Hugo)
"O amor sem esperança não tem outro refúgio senão a morte." (José de Alencar)
"É horrível assistir à agonia de uma esperança." (Simone de Beauvoir)
"Deixarás de temer quando deixares de ter esperança." (Sêneca)
"A esperança é um bom almoço para um mau jantar." (Francis Bacon)
"A esperança é o derradeiro mal; é o pior dos males, porquanto prolonga o tormento." (Friedrich Nietzsche)
"Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita." (Martin Luther King)
"O casamento é como enfiar a mão num saco de serpentes na esperança de apanhar uma enguia." (Leonardo da Vinci)
"Toda a infelicidade dos homens nasce da esperança." (Albert Camus)
"A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais tem - ainda a possuem." (Tales de Mileto)

Aí fica minha pergunta: a esperança é mesmo a última que morre ou ela nunca morre pois a alimentamos infinitamente?

9 de fevereiro de 2012

Cinco vias do conhecimento de Deus


Na Suma Teológica, Tomás de Aquino trabalha as cinco vias do conhecimento para chegar na prova da existência de Deus.
Abaixo um resumo singelo.

Primeira via - Via do argumento do primeiro motor
Tudo o que se move é movido por alguém.
É impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente.
Desta forma, há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém é movido.
Se nada é movido e movente ao mesmo tempo, o movido deve sua causa ao motor.
Todo motor é motor por ser potência e se transformar em ato. O movido é a passagem da potencia ao ato.
É então necessário chegar a um primeiro motor, não movido por nenhum outro, e este, todos entendem como Deus.

Segunda Via - Via da causa eficiente
Decorre da relação causa e efeito que se observa nas coisas criadas.
É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa.
Sendo assim, do contrário não haveria nenhum efeito, pois cada causa pediria uma outra causa em uma seqüência sem fim.
A causa eficiente é a causa exterior que explica o porquê aquela coisa é de tal modo. É o que faz algo ser de tal forma explicando a razão de ser alguma coisa, explica alguma coisa mais é sempre anterior a algo.
A causa eficiente pressupõe o efeito da causa e se suprirmos a causa não há um efeito, pois o efeito último se deve a efeitos intermediários. Os efeitos intermediários se devem a um efeito primeiro.
É necessário afirmar uma causa eficiente primeira a que todos chamam Deus.

Terceira Via – Via do possível e do necessário
Encontramos, entre as coisas, as que podem ser ou não ser, uma vez que algumas se encontram que nascem e perecem. Consequentemente, podem ser e não ser. Mas nem todos os seres podem ser desnecessários senão o mundo não existiria.
Assim é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.
O existente necessário é a razão tanto das coisas contingentes quanto das coisas necessárias.
Portanto, é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo, que não encontra alhures a causa de sua necessidade, mas que é a causa da necessidade para os outros: Deus.

Quarta Via – Via dos graus que se encontram nas coisas
Verificamos que há graus de perfeição nos seres e que uns são mais perfeitos que outros.
Qualquer graduação pressupõe um parâmetro máximo e sendo assim deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a causa da perfeição dos demais seres.
O grau do ser só diz mais ou menos daquilo que É.
É mais ou menos bom aquilo que há no bom e é mais ou menos perfeito aquilo que há no perfeito.
Aquilo que É, é, o que configura os graus do ser.
Os graus do ser devem-se aquilo que o ser é.
Existe então algo que é, para todos os outros entes, causa de ser, de bondade e de toda a perfeição que nós chamamos Deus.

Quinta Via – Via do governo das coisas
Vemos algumas coisas que carecem de conhecimento, como os corpos físicos, agem em vista de um fim, o que se manifesta pelo fato de que, sempre ou na maioria das vezes, agem da mesma maneira, a fim de alcançarem o que é ótimo. Fica claro que não é por acaso, mas em virtude de uma intenção, que alcançam o fim. Aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente.
Logo, existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim e que conhecemos como Deus.

5 de fevereiro de 2012

Afinal, o que é a felicidade?

Felicidade em geral, é um estado de satisfação de alguém com sua situação no mundo (segundo o dicionário de Filosofia, Nicola Abbagnano).

Já ouvi dizer que "a felicidade não é deste mundo" ou que "a felicidade é o prazer sendo início e fim de uma vida" ou ainda que para "ser feliz tenho devo passar por cima de tudo e de todos." Será?

A felicidade então, no meu entender, é um fim comum, no qual outros fins estariam subordinados a ela, certo? Mas... o que é FELICIDADE, o que é SER FELIZ? Da época de Sócrates em diante (Atenas - 469-399 a.C) esta foi e ainda é a principal questão debatida por muita gente.
Podemos classificar três tipos principais de felicidade, na medida em que, segundo demonstrei acima, identificamos a felicidade com o prazer, com o sucesso social, a honra e a fama ou com o conhecimento e a sabedoria.
Daí pra frente, debates giraram em torno desses três tipos principais de objetivo de vida e somente. Ninguém se preocupa com outra felicidade.
"Tornar a alma tão boa quanto possível" era o pensamento socrático e o que deveria ser encontrado no que chamava de "perfeição da alma".
Para sermos perfeitos, precisaríamos nos tornar bons. Quanto aos outros objetivos desejados pelos homens, nenhum valor em si tinha.
Só atingindo a perfeição da alma é que se poderia ser feliz por completo (vide Apologia de Platão).
 "Os felizes são felizes por possuírem a justiça e a temperança; os infelizes são infelizes por possuírem a maldade", é isto que consta em Górgias (508b) e no Banquete (202c) são chamados de felizes "aqueles que possuem bondade e beleza", porém, "justiça e temperança" são virtudes e para possuir "bondade e beleza" significa ser virtuoso e a virtude não é outra coisa senão, segundo Platão, a capacidade da alma de cumprir seu próprio dever. De dirigir o homem da melhor forma possível.
Olha que coisa, chegamos no mesmo ponto de Sócrates onde "para ser feliz precisa-se ter a alma boa".  

Tem gente que só se sente feliz por um acontecimento externo: quando se apaixonam por alguém, ganham um premio, por um elogio, alguima promoção, quando nasce um filho...  
Se isso for felicidade, ela nada mais é que um estado emocional que muda a todo momento e que, consequentemente e dependendo da "surpresa" do dia, sendo emocional o estado, pode mudar todo o foco.
Agora fica a questão: não estaria a felicidade intrínseca em nós bastando apenas aceitá-la e vivê-la?