24 de março de 2012

Habemus papam: O Papa vai ao analista


Não conhecia Nanni Moretti, ator e diretor italiano, que me surpreendeu dirigindo e atuando o filme Habemus Papa (Temos um Papa) onde coloca pra fora toda "podridão" que acontece durante o período de Conclave (latim "cum clave" que significa com chave).
Nanni é o psicanalista de um Papa que ao ser votado pela maioria "percebe" o tamanho dessa "responsabilidade" e só chora querendo mamãe, não assumindo assim o papado.
Mumunhas, birras, crise existencial e outras coisas mais fazem com que este Papa não se julgue apto ao cargo.

Isso me fez lembrar de Sartre ao dizer que "nunca se é homem enquanto não se encontra alguma coisa a qual se estaria disposto a morrer", "o importante não é o que fazem de nós, mas o que vamos fazer do que fizeram de nós" e a mais espetacular de todas "ser homem é tender a ser Deus, ou, se preferirmos, o homem é fundamentalmente o DESEJO de ser Deus".

Neste filme o homem que tem o desejo ser Deus é eleito por homens imperfeitos, pois erraram ao pensar ter escolhido o representante de Deus na Terra.

O filme passa assim por várias situações onde o psicanalista vai descobrindo aos poucos e mostrando ao telespectador as coisas escondidas dentro do Vaticano.

Fica a pergunta para reflexão: será o que o diretor quis mostrar era que Deus estava errado e que na Terra não precisamos de um representante dEle?

Fica a dica: HABEMUS PAPAM


4 de março de 2012

Idolatria e soberba gratuita não é bom...

Uma amiga me deu o texto abaixo para ler e adorei.
Segue na íntegra a publicação da filósofa Márica Tiburi.
Idolatria e soberba, tô fora!!!



 9 TESES CONTRA O CORONELISMO INTELECTUAL

1 – “Coronelismo intelectual” é a prática mais idiota da “intelectualidade” brasileira.

2 – O Coronelismo intelectual se caracteriza pela propriedade privada da coisa pública: há os donos da filosofia, da teoria literária…

3 – Da antropologia, da sociologia, da história da arte, dos estudos sobre Kant, Hegel, P. Freire, Marx, Adorno, Benjamin, Wittgenstein …

4 – O Coronelismo intelectual odeia o olhar divergente e a pergunta dos outros, porque teme a dúvida como o diabo foge da cruz.

5 – O Coronelismo intelectual odeia a partilha das ideias. É avarento e pratica a usura. Cafetinagem intelectual é o seu outro nome.

6 – O Coronelismo intelectual odeia a invasão dos Sem Ideias no território das ideias prontas. Contra ele todo assalto é desejável.

7 – O disfarce do Coronelismo intelectual é o discurso verdadeiro. Ele fala difícil e finge a pesquisa e o rigor acadêmicos.

8 – Coronelismo intelectual: o lobo do medo na pele de cordeiro do bom senso.

9 – Coronelismo Intelectual: prática de fundamentalismo teórico e devoção exegética ao texto. Contra ele pratiquemos a pornografia teórica.

Fonte: Filosofia Cinza - Blog de Márcia Tiburi

3 de março de 2012

Filosofia da linguagem

A linguagem, antes da Virada Linguística, tinha uma função referencial onde:
1) O sujeito é quem estabelece a referência;
2) O objeto é o referido;
3) O nome é o referente.

A Virada Linguística surge no séc. XIX porque o sujeito se faz a pergunta "O que significa?" e não mais "A que está referido?".

São discutidos dois grandes temas antes da Virada Linguística: o uso da metáfora e o nominalismo/realismo.
Embora muitos digam que a metáfora diz coisas com palavras inapropriadas, indo contra a univocidade do significado, para Aristóteles "ela provoca sentimentos especiais, enriquece a linguagem", como por exemplo:
Dizer que Aquiles é um leão quando luta tem mais impacto do que dizer que Aquiles luta como um leão.
Já no nominalismo/realismo essa discussão procura investigar se o nome está relacionado com a coisa necessariamente ou não. Para o realismo o nome existe de forma abstrata e, automaticamente a coisa (objeto) espelha o nome, não podendo ter outro nome.

Duas correntes filosóficas tentaram responder a questão trazida pela Virada Linguística: a semântica clássica e a semântica pragmática.
A clássica se limita a estudar as sentenças, se entendemos o significado das sentenças, entenderemos o significado do discurso (relaciona-se a Filosofia Analítica).
A pragmática abandona a lógica, a linguagem passa a ser importante pelo seu uso. Está ligada ao seu uso, é subjetiva.