27 de maio de 2012

A estrutura do ato moral

A moral ocorre em dois planos: o normativo, onde os princípios e normas que tendem a regularizar a conduta humana predominam e o fatual, onde o conjunto de atos humanos é regulamentado pelos princípios e normas.
Logo, a essência da moral deve-se a estes dois planos.
Para entendermos a essência moral, deve-se analisar o ato moral: os atos dos homens onde a moral de manifesta e definir, então, o que vem a ser ato moral.
Ato moral é um comportamento humano passível de aprovação ou desaprovação a partir das normas aceitas por determinada sociedade. A exemplo temos os casos de defender alguém que não pode se defender quando é agredido na rua, denunciar a injustiça cometida contra alguém e assim por diante.
Um ato não é moral quando sua realização não pode ser evitada, como por exemplo, segurar duas pessoas que estão a ponto de pular num precipício, ou quando as consequências não podiam ser previstas.
A estrutura de um ato moral tem um motivo que é aquilo que faz, que leva, que impulsiona a alguém agir ou procurar alcançar determinado fim e como exemplo citamos denunciar a injustiça cometida. Este ato pode ser inconscientes - onde a pessoa age sobre fortes paixões, por impulsos irresistíveis ou por traços negativos de seu caráter - ou conscientes - quando alguém sabe o que está fazendo tanto para o bem quanto para o mal.
A estrutura de um ato moral tem também um ato voluntário que é a consciência do fim visado e decisão de realizar o fim projetado e assim necessita de dois elementos: a consciência do fim visado é a antecipação na razão do resultado que se pretende alcançar e a decisão de alcançar e realizar esse fim.
Uma estrutura de um ato moral tem ainda os meios para realizar um fim e espera um resultado para este fim.
Sendo assim, um ato moral apresenta dois aspectos:
1) Subjetivo: que é próprio ou pertence ao interior da consciência (motivos, estabelecimento do fim, decisão de realizá-lo, escolha dos meios).
2) Objetivo: que transcende a consciência e afeta os outros (meios empregados, resultados obtidos, consequências advindas).
Daí chegamos ao pensamento de que um ato moral não pode ser reduzido a seus aspectos subjetivos, não pode fixar-se num só de seus elementos, é uma totalidade entre motivos, fins, decisão, resultado e consequências.
O ato moral só pode ser julgado moralmente a partir de seu contexto - cultura, valores - e história.

19 de maio de 2012

A causa dos adolescentes


Os jovens não são ajudados em nossa sociedade porque os ritos da passagem desapareceram e são apenas entregues a si mesmo.
É preciso que levemos mutuamente o direito dessa passagem da adolescência e isso exige muito deles, exige uma conduta de risco: escolha.
Françoise Dolto, até onde eu pude perceber, contribui excepcionalmente para o desenvolvimento da criança-jovem-adolescente-adulto em sua obra "A Causa dos Adolescentes" deixando sua marca e inteligência visionária como mulher e mãe.
A existência das crianças se deve a muitos fatores e dentre eles: informações, testemunhos, experiências, conselhos, propostas, crescimento, comportamento, sexualidade, fuga e até suicídio.
Com isso, permite aos pais e educadores revitalizar seu diálogo com os jovens na tentativa de os entender de uma forma uniforme, abordando a adolescência não como uma fase rebeldia, mas um período de mutação numa sociedade preocupada somente consigo mesmo.
Françoise interpela os responsáveis, esclarece problemas, desata dramas, usa linguagem verdadeira em que os adolescentes a compreendem, declara seus direitos e deveres etc.
Ela nos convida a penetrar no universo dos que tem de 10 a 16 anos, lutar para dar a palavra àqueles que ainda não tem esse direito e introduz, numa educação nacional em colapso, uma educação para o amor, para o respeito do outro e para o respeito a si mesmo.

Fica a dica e ótima leitura.