18 de setembro de 2013

Imperativo categórico: não entenderam...

Abaixo uma reportagem interessante sobre um ocorrido no sul da Rússia.
Filósofos e afins se desentendendo devido a complexidade de conceitos.
Boa leitura!

Immanuel Kant (1724-1804), filósofo alemão

Um homem foi baleado em um supermercado de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, nesta segunda-feira (16), após uma discussão sobre a teoria do filósofo Immanuel Kant (1724-1804).
A disputa ocorreu quando dois rapazes que esperavam para tomar uma cerveja se envolveram em uma discussão turbulenta sobre o autor alemão de "A Crítica da Razão Pura", como informou um porta-voz da polícia da cidade russa.
"No decorrer da luta, o suspeito sacou uma pistola e disparou vários tiros de balas de borracha em seu oponente", disse o policial que atendeu a ocorrência à agência de notícias "RIA".
A identidade dos homens não foi revelada. Mas, segundo a polícia, o atirador foi detido depois de fugir da cena do crime. A vítima foi levada ao hospital com ferimentos não fatais e não corre risco de morrer.
O agressor, como notificou a polícia, pode pegar até dez anos de prisão por imposição intencional de lesões corporais graves. (*Com informações da Reuters)

24 de julho de 2013

Um BOM professor faz toda a diferença

Li algum tempo um livro com este título (Um bom professor faz toda a diferença - Tayloir Mali) e alguns pontos me fizeram refletir sobre a difícil arte de "ensinar", educar, transmitir conhecimento da forma "correta", pois não existe fórmula para quem não quer aprender (ainda mais num país como o nosso).

Algumas habilidades fundamentais para seu dia a dia são:
- Aplicação;
- Empenho;
- Cooperação;
- Flexibilidade;
- Superação;
- Reflexão crítica;
- Capacidade de resolver problemas.

Uma coisa que aprendi foi que a vida pode proporcionar um plano de aula bem melhor do que aquele que eu havia preparado.
O que fazer?
Se não houver tempo para elaborar com calma o "dever de casa", pego carona e embarco na oportunidade - improvisar, às vezes, é bom demais.

O que tenho feito ultimamente é estimular os jovens ao estudo, a leitura, a compreensão, ao debate: internet, canais de notícias...
É saber distinguir o que é útil, objetivo e de confiança do que é tendencioso e irrelevante.
Segundo Macaulay Trevelyan, "a educação produziu uma vasta população capaz de ler, mas incapaz de distinguir o que vale a pena ser lido."
Humildade sempre: professores JAMAIS devem cometer o erro de SEMPRE se acharem os sabichões da sala de aula, a pessoa MAIS inteligente.

O que precisamos aprender a fazer, nós aprendemos fazendo - Aristóteles

Pensemos o seguinte sobre o que apontam estudos:
01) Se você não pode medir algo, então não sabe o que é;
02) Usar força demais para se atingir um objetivo pode levar ao oposto do que se queria;
03) Se fosse permitido aos professores ensinar da forma que eles mesmos julgam ser a melhor, eles poderiam planejar lições e atividades que iriam estimular em seus alunos uma busca apaixonada do conhecimento ou simplesmente uma curiosidade saudável;
04) A desculpa muda o rumo da conversa. Da consequência para a causa;
05) Dos 12 aos 15 anos é uma época fascinante no desenvolvimento do aluno, pois é quando o cérebro começa a aceitar mais abstrações;
06) Se o professor não tiver desenvolvido uma boa noção de como usar o tempo da aula, pode acabar em pânico se o sinal tocar e ele não tiver coberto seques uma fração do plano de aula para aquele dia;
07) Terminar a lição rápido demais e ficar olhando para a cara dos alunos, sem ter o que fazer - algo que, dependendo da turma, pode ser perigoso;
08) Chamar os professores de gananciosos faz tanto sentido quanto dizer que a exploração é uma forma de altruísmo;
09) Professor não é preguiçoso e nem ganancioso: tem amor ao ofício;
10) Fazer os alunos trabalharem mais duro do que eles imaginavam ser possível.

Fica a dica. (se é que isso pode ser considerado como dica)

3 de julho de 2013

Oito maneiras de mudar sua vida com a Filosofia

Cura
"Vã é a palavra do filósofo que não cura o sofrimento do homem. Pois assim como nada se ganha na medicina quando ela não expulsa as doenças do corpo, nada se ganha na filosofia quando ela não expulsa o sofrimento da mente." [Epicuro]

Florescimento
"Depois de entender como as vidas humanas estão enfermas, um filósofo digno do nome, como um médico digno do nome, passará a tentar curá-la. A grande razão da pesquisa médica é a cura. Do mesmo modo, a grande razão da filosofia é o florescimento humano." [Martha Nussbaum]

Realização
"Na imensurável extensão do tempo, vê-se que a vida se move para a frente e para cima, dos infusórios do homem, e não se pode negar que infinitas possibilidades de maior perfeição ainda aguardam a humanidade." [Thomas Mann]

Emancipação
"A vida está cheia de um potencial verdadeiramente incompreensível (...) na maioria dos casos, nossas ditas limitações nada mais são que nossa própria decisão de nos limitarmos." [Daisaku Ikeda]

Despertar
"O que está atrás de nós e o que está à nossa frente são coisa pouca, comparado ao que está dentro de nós." [Ralph Waldo Emerson]

Gerenciamento
"A filosofia recupera-se quando deixa de ser um mecanismo para lidar com os problemas dos filósofos e torna-se um método, cultivado por filósofos, para lidar com os problemas dos homens." [John Dewey]

Purificação
"Todos os fenômenos da existência têm a mente como seu antecedente, a mente como seu líder supremo e da mente são feitos. Quando alguém fala ou age com a mente pura, a felicidade o segue como a sombra que nunca o abandona." [Gautama Buda]

Ser
"Não temas a vida. Acredita que vale a pena vivê-la e tua crença ajudará a criar o fato." [William James]

Extraído de um livro que não me recordo o nome no momento


26 de junho de 2013

A estética

1. O surgimento de um sentimento estético

A busca de externar o belo é uma coisa tão antiga que para descrevermos sobre este tema há necessidade de voltarmos à pré-história, exatamente quando do surgimento do homem.
Encontramos nesta época uma série de testemunhos que nos impressionam ou por sua beleza ou por sua perfeição.
Houve necessidade de milhões de anos para se chegar à perfeição que se encontram atualmente certos objetos e apetrechos.
O que chama atenção é quando o homem começa a transformar estes objetos e apetrechos, aperfeiçoando-os.
A evolução da produção de utensílios fez o homem produzir os mais adequados instrumentos onde aperfeiçoou cada um destes para seu bel proveito.
Desta forma, o primeiro despertar da estética é o aperfeiçoamento dos utensílios. Quanto mais se aperfeiçoava, mais se utilizava da tecnologia que descobria aos poucos, mesmo que remotamente.
Este processo de aperfeiçoamento dá asas à decoração da época e voltando há 25 mil anos, pesquisadores encontram pinturas no interior de cavernas.

O homem tinha uma sensibilidade grande das formas, volumes, cores e estas pinturas foram feitas com a iluminação de tochas. Eles mostravam reproduções de animais parecendo tão real que dava a impressão de estar em movimentando (tudo isso por sua perfeição e dramaticidade intensa).
Mas por que faziam desenhos? A melhor resposta e que predomina até hoje é da teoria da magia.
Magia era o esforço de captar forças da natureza e colocar a seu serviço, um poder sobrenatural, um estágio primitivo onde sua consciência não se destacava dos objetos.
Por exemplo, a caça pela sobrevivência. Uma sociedade de caçadores é necessariamente nômade, porque os animais migram e o ser humano precisa ir atrás destes animais para sobreviver. Sendo o domínio que tinham da caça escasso, ele tenta fazer da magia um domínio.

Então, o surgimento do sentimento estético aparece dessa necessidade do homem em aperfeiçoar o que tem na natureza para sua sobrevivência e para deixar estes apetrechos e utensílios mais belos.

2. A noção de imitação para Platão e Aristóteles

Para Platão a arte é mimética, ou seja, está longe da realidade por ser uma imitação e a realidade só existe e vem do mundo das ideias.
Desta forma, a arte está longe das ideias porque é cópia de cópia. Não tem necessidade sendo particular e fugaz.
Afirma que a arte é perigosa e que leva à imortalidade e, por isso, não educa os jovens. Por exemplo: alguém que vai a uma peça de teatro onde o tema são os deuses. Estes deuses assumem, na peça por serem interpretadas pelos homens, formas grotescas e banaliza seu caráter de deuses tirando todo o respeito perante aos jovens.
Para ele, arte mesmo é a música por estar mais próxima da natureza e conduzir aos bons costumes.
Também não valoriza a poesia por considerar uma “loucura divina” e afirma que a poesia não é racional, mas sentimental.
A poesia é um entusiasmo aos poetas.


Para Aristóteles a arte imita a natureza, mas ele evolui do pensamento de Platão, dizendo que não é uma simples cópia.
A imitação para ele não é só o ato de copiar. Existe a cópia, mas não como um técnico, pois tem um dinamismo.
A cópia não é feita em sua particularidade, singularidade, mas no que tem de necessário copiar e afirma que a cópia é capaz de aprimorar e corrigir a natureza.
Mas por que ele afirma isso? Porque a natureza não é totalmente perfeita sendo matéria e a perfeição está na forma. Isto nos remete para sua doutrina do hilemorfismo.
O artista contribui quando dá sua parcela de mimesis e desta forma, ele diz que a arte é boa na educação. Tem uma função de purificação e pode contribuir para a sociabilização do ser humano.
Por exemplo, com o drama, a comédia, a tragédia o homem liberta seus instintos, suas paixões e aquelas emoções desorientadas viram um deleite, um prazer onde extravaza sua passionalidade.
Aristóteles aproxima a beleza ao conceito de areté, síntese de beleza e moral. O bem encontrado no campo do agir e o belo nas coisas sem movimento.

1 de junho de 2013

Frases soltas

Não durma com o problema.
Não gostaria de vir.
Não perder o foco.
Fazer um esforço.
O papel deve ser outro.
Não existe material ruim quando o professor é bom.
Nada substitui sua mãe.
Mundo do faz de conta vira o mundo concreto.
O outro já está morto (só que o outro sou eu).
Livro não muda ninguém, apenas aguça seu interior.
O que marca o fato é a emoção.
O que marca a memória é a afetividade.
Janela se abre = aprende com amor.
Janela se fecha = aprendo com a dor.
Reagimos aos estímulos por impulso e não por razão.
A vida da criança é um eterno brinquedo.
Não falou, fez.
Contemplar.

#Frases soltas de uma reunião corporativa desta semana#

Sintetizando no que venho lendo e estudando ultimamente: complexo de Édipo, inconsciente, resistência.


20 de maio de 2013

Autocontrole: use, faz bem e não machuca ninguém

Insatisfação gera indisciplina. Autocontrole ajuda a colaborar.

Depois de um dia de trabalho estas frases caíram como uma luva e um facão, ao mesmo tempo, sob meu ser hoje!
Nem sempre é fácil manter o domínio sob nossas reações, pois há diferenças individuais no que se refere ao filtro de nossas ações ou comportamentos e quem tem um bom domínio sob si mesmo é respeitado por outros.
Pessoas com bom autocontrole são melhores sucedidas no trabalho, mantém relacionamentos estáveis, conseguem manter um diálogo racional e educado com todos...
Diante do exposto acima e, fugindo de conceitos prontos, a pergunta que eu me faço é: QUE POSTURA UM PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO PRECISA TER DIANTE DA VIDA E DOS QUE O CERCAM?
Essa questão me veio depois que presenciei profissionais que trabalham com pessoas, educação e jovens, serem formados na área de educação, psicologia ou gestão de pessoas, surtarem ou se colocarem ACIMA dos que essas pessoas julgaram estar ABAIXO das do convívio.
Pesquisadores acreditam que isso ocorre porque os participantes destes grupos precisam exercer maior controle sobre seus impulsos egoístas para ceder uma quantia mais elevada do que gostariam. Para mim isso chama-se FALTA DE AMOR PRÓPRIO, BAIXA ESTIMA.
Atire a primeira pedra aquele que nunca teve uma vontade de dizer poucas e boas ao seu chefe, gritar com um amigo ou parente mas nessa ocasião o que fez para evitar? Segurou as rédeas porque o momento não era para ser feito isso. Agora imagina se fizesse sempre tudo que passasse pela sua cabeça. A possibilidade tentadora não falta, mas você teria problemas, principalmente profissionais - o que ocorreu hoje - que dificilmente manteria o emprego, o relacionamento afetivo estável com colegas de trabalho ou amizade e, com certeza ENVOLVERIA MUITAS PESSOAS e muitas brigas.
O fato é que quase sempre precisamos frear nossos impulsos em locais ABERTOS para não colocar tudo por água abaixo.
Quem sempre diz o que pensa ou age como um cabruco coloca pedras no próprio caminho e acaba ficando só.
Pense nisso!

17 de maio de 2013

O animal satisfeito dorme


Inicio este pequeno post com uma afirmação poderosa de Guimarães Rosa: "O animal satisfeito dorme."
Explico o motivo de iniciar com esta afirmação.

A satisfação nos conduz a um estado perigoso de tranquilidade. Portanto, a primeira virtude de um professor é ter INSATISFAÇÃO POSITIVA.
Insatisfação positiva nada mais é que não se contentar em saber apenas o que já sabe; não se contentar em ensinar apenas do modo como ensina; não se contentar em formar da maneira como forma.
Não considere a coisa como PERFEITA, que é igual no latim, no francês, no inglês, espanhol, ou seja, perfeito é feito por completo, feito por inteiro, concluído.
Cuidado: se o que fazem os professores é perfeito, já está feito por completo, já está feito por inteiro e basta apenas reproduzir.
Einstein tem uma frase memorável onde ele dizia que "tolice é fazer as coisas sempre do mesmo jeito esperando resultados diferentes".
Precisamos afastar a possibilidade de sermos velhos-tolos. Precisamos ser sábios-idosos.
Para sermos sábios-idosos devemos ser HUMILDES.
Humildade tem aquele ser que sabe que não sabe tudo; aquele ser que sabe que não é o único que sabe; aquele ser que sabe que a outra pessoa sabe o que ele não sabe; aquele ser que sabe que ele e a outra pessoa saberão muitas coisas juntos; aquele ser que sabe que ele e a outra pessoa nunca saberão tudo que pode ser sabido.
Humildade, então, é o que o apóstolo Paulo nos ensinou: aprender a ser pequeno porque Paulus em latim significa pequeno.
Educação não é para alienar, mas sim para oferecer AUTO-NOMIA.

1 de maio de 2013

20 de abril de 2013

O livre-arbítrio não existe, dizem neurocientistas



Novas pesquisas sugerem que o que cremos ser escolhas conscientes são decisões automáticas do cérebro. O homem não seria, assim, mais do que um computador de carne.
São Paulo - Saber se os homens são capazes de fazer escolhas e eleger o seu caminho, ou se não passam de joguetes de alguma força misteriosa, tem sido há séculos um dos grandes temas da filosofia e da religião. De certa maneira, a primeira tese saiu vencedora no mundo moderno. Vivemos no mundo de Cássio, um dos personagens da tragédia Júlio
César, de William Shakespeare.

No começo da peça, o nobre Brutus teme que o povo aceite César como rei, o que poria fim à República, o regime adotado por Roma desde tempos imemoriais. Ele hesita, não sabe o que fazer. É quando Cássio procura induzi-lo à ação. Seu discurso contém a mais célebre defesa do livre-arbítrio encontrada nos livros. "Há momentos", diz ele, "em que os homens são donos de seu fado. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos."

Como nem sempre é o caso com os temas filosóficos, a crença no livre-arbítrio tem reflexos bastante concretos no "mundo real". A maneira como a lei atribui responsabilidade às pessoas ou pune criminosos, por exemplo, depende da ideia de que somos livres para tomar decisões, e portanto devemos responder por elas. Mas a vitória do livre-arbítrio nunca foi completa.


Nunca deixaram de existir aqueles que acreditam que o destino está escrito nas estrelas, é ditado por Deus, pelos instintos, ou pelos condicionamentos sociais. Recentemente, o exército dos deterministas – para usar uma palavra que os engloba – ganhou um reforço de peso: o dos neurocientistas. Eles são enfáticos: o livre-arbítrio não é mais que uma ilusão. E dizem isso munidos de um vasto arsenal de dados, colhidos por meio de testes que monitoram o cérebro em tempo real. O que muda se de fato for assim?

Mais rápido que o pensamento — Experimentos que vêm sendo realizados por cientistas há anos conseguiram mapear a existência de atividade cerebral antes que a pessoa tivesse consciência do que iria fazer. Ou seja, o cérebro já sabia o que seria feito, mas a pessoa ainda não. Seríamos como computadores de carne - e nossa consciência, não mais do que a tela do monitor.

Um dos primeiros trabalhos que ajudaram a colocar o livre-arbítrio em suspensão foi realizado em 2008. O psicólogo Benjamin Libet, em um experimento hoje considerado clássico, mostrou que uma região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma decisão – no caso, apertar um botão. Estudos posteriores corroboraram a tese de Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente.

Um deles foi publicado no periódico científico PLoS ONE, em junho de 2011, com resultados impactantes. O pesquisador Stefan Bode e sua equipe realizaram exames de ressonância magnética em 12 voluntários, todos entre 22 e 29 anos de idade.

Assim como o experimento de Libet, a tarefa era apertar um botão, com a mão direita ou a esquerda. Resultado: os pesquisadores conseguiram prever qual seria a decisão tomada pelos voluntários sete segundos antes d deles tomarem consciência do que faziam.

Nesses sete segundos entre o ato e a consciência dele, foi possível registrar atividade elétrica no córtex polo-frontal — área ainda pouco conhecida pela medicina, relacionada ao manejo de múltiplas tarefas. Em seguida, a atividade elétrica foi direcionada para o córtex parietal, uma região de integração sensorial. A pesquisa não foi a primeira a usar ressonância magnética para investigar o livre-arbítrio no cérebro. Nunca, no entanto, havia sido encontrada uma diferença tão grande entre a atividade cerebral e o ato consciente.

Patrick Haggard, pesquisador do Instituto de Neurociência Cognitiva e do Departamento de Psicologia da Universidade College London, na Inglaterra, cita experimentos que comprovam, segundo ele, que o sentimento de querer algo acontece após (e não antes) de uma atividade elétrica no cérebro.

"Neurocirurgiões usaram um eletrodo para estimular um determinado local da área motora do cérebro. Como consequência, o paciente manifestou em seguida o desejo de levantar a mão", disse Haggard em entrevista ao site de VEJA. "Isso evidencia que já existe atividade cerebral antes de qualquer decisão que a gente tome, seja ela motora ou sentimental."

O psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, demonstrou que grande parte dos julgamentos morais também é feito de maneira automática, com influência direta de fortes sentimentos associados a certo e errado. Não há racionalização. Segundo o pesquisador, certas escolhas morais – como a de rejeitar o incesto – foram selecionadas pela evolução, porque funcionou em diversas situações para evitar descendentes menos saudáveis pela expressão de genes recessivos. É algo inato e, por isso, comum e universal a todas as culturas. Para a neurociência, é mais um dos exemplos de como o cérebro traz à tona algo que aprendeu para conservar a espécie.
A mente como produto do cérebro — Como o cérebro já se encarregou de decidir o que fazer – e o ato está feito —, é preciso contextualizar a situação. É aí que entra a nossa consciência. Ela também é um produto da atividade cerebral, que surge para dar coerência às nossas ações no mundo. O cérebro toma a decisão por conta própria e ainda convence seu 'dono' que o responsável foi ele.


Em outras palavras: quando você para, pensa e toma decisões pontuais, tem a sensação de que um eu consciente e racional, separado do cérebro, segura as rédeas de sua vida. Mas para cientistas como Michael Gazzaniga, coordenador do Centro para o Estudo da Mente da Universidade da Califórnia e um dos maiores expoentes da neurociência na atualidade, não existe essa diferenciação.

Segundo ele, somos um só: o que é cérebro também é mente. A sensação de que existe um eu, que habita e controla o corpo, é apenas o resultado da atividade cerebral que nos engana. "Não há nenhum fantasma na máquina, nenhum material secreto que é você", diz Gazzaniga, que, em seu mais recente livro, Who’s in Charge – Free Will and the Science of the Brain (Quem está no comando – livre-arbítrio e a ciência do cérebro, sem edição em português), esmiúça a mecânica cerebral das decisões. 

Segundo Gazzaniga, o cérebro humano fabula o tempo todo. A invenção de pequenas histórias para explicar nossas escolhas seria uma maneira sagaz de estruturar nossa experiência cotidiana. Essa estrutura narrativa, segundo Patrick Haggard, tem um significado importante na evolução humana.

"Criar histórias sobre as nossas ações pode ser útil para quando nos depararmos com situações similares no futuro. É assim que iremos decidir como agir, relembrando resultados anteriores", diz. Ou seja, funcionamos na base do acerto e do erro, e da cópia do comportamento de pessoas próximas – principalmente nossos familiares. "Por isso a educação das crianças é tão importante. É um momento em que o cérebro absorve uma grande carga de informações e está sendo moldado, criando parâmetros para saber como se portar, como viver em sociedade."

Dúvidas — Em artigo publicado no periódico Advances in Cognitive Psychology, o pesquisador W. R. Klemm coloca em xeque a metodologia usada em diversos dos experimentos recentes da neurociência. Segundo Klemm, que é professor na Universidade do Texas e autor do livro Atoms of Mind. The 'Ghost in the Machine' Materializes (Átomos da mente. O fantasma da máquina se materializa, sem edição no Brasil) alguns estudos sugerem que não é possível medir com precisão o tempo entre o estímulo cerebral e o ato em si. O que poderia colocar abaixo toda a tese da turma de Gazzaniga.

O argumento principal do pesquisador, no entanto, recai sobre a generalização dos testes. "Não é porque algumas escolhas são feitas antes da consciência em uma tarefa, que temos a prova de que toda a vida mental é governada desta maneira", escreve no artigo. Klemm defende ainda a tese de que atividades mais complexas do que apertar um botão ou reconhecer uma imagem devem ser feitas de maneiras muito mais complexas. "Os experimentos feitos são muito limitados."

Ainda que as pesquisas estejam corretas, os próprios neurocientistas reconhecem que a ideia de um mundo sem livre-arbítrio provoca estranhamento. Eles se esforçam, sobretudo, para conciliar sua teoria com o problema da responsabilidade pessoal. "Mesmo que a gente viva em um universo determinista, devemos todos ser responsáveis por nossas ações", afirma Gazzaniga. "A estrutura social entraria em caos se a partir de hoje qualquer um pudesse matar ou roubar, com base no argumento simplista de 'meu cérebro mandou fazer isso'."


Para o cientista cognitivo Steven Pinker, a solução talvez seja manter a ciência e moralidade como dois reinos separados. "Creio que ciência e ética são dois sistemas isolados de que as mesmas entidades fazem uso, assim como pôquer e bridge são dos jogos diferentes que usam o mesmo baralho", escreve ele no livro Como a Mente Funciona. "O livre-arbítrio é uma idealização que torna possível o jogo da ética."

Continuaríamos, assim, a viver no mundo descrito por Cássio em Júlio César. "Há momentos em que os homens são donos de seu fado", diz ele. Neurocientistas como Pinker estão prontos a concordar com isso - desde que se entenda o livre-arbítrio como uma ilusão necessária para o jogo das leis e da ética - e desde que se ponha o cérebro o lugar dos astros, como o grande condutor de nossos atos.

14 de fevereiro de 2013

Amor - Amour


AMOR...
Os significados que este termo apresenta na linguagem comum são múltiplos, díspares e contrastantes  igualmente múltiplos, díspares e contrastantes são os que se apresentam na tradição filosófica.
Gregos: amor é sobretudo uma força unificadora e harmonizadora, e a entenderam com base no amor sexual, na concórdia política e na amizade.
Aristóteles, Hesíodo, Parmênides: amor é força que move as coisas, que as une e as mantém juntas.
Cristianismo: amor sofre uma transformação e de um lado, é entendido como relação ou um tipo de relação que deve estender-se a todo "próximo" e por outro lado, transforma-se em mandamento, que não tem conexões com as situações de fato e que se propõe a transformar essas situações e criar uma comunidade que ainda existe, mas que deverá emanar todos os homens: o reino de Deus.
Agostinho: não se pode amar o amor se não se amam quem ama e por isso o homem não pode amar a Deus, que é o amor, se não amar o outro homem.
Descartes: amor é uma emoção da alma, produzida pelo movimento dos espíritos vitais que a incita a unir-se voluntariamente aos objetos que lhe parecem convenientes.
Espinosa: apresenta dois conceitos de amor onde em primeiro lugar o amor é uma afecção da alma e consiste na alegria acompanhada da ideia de uma causa externa e em segundo lugar o amor é a contemplação que Deus tem de si, como unidade de si mesmo e do mundo.
Hegel: o amor exprime em geral a consciência da minha unidade com um outro, de tal modo que eu, para mim, não estou isolado, mas a minha autoconsciência só se afirma como renúncia ao meu ser por si e através do saber-se como unidade de mim com o outro e do outro comigo.
...
Entre tantos outros filósofos que se ficasse citando o que entenderam de AMOR não acabaria nunca,
Fica a dica desse maravilhoso filme de Michael Haneke que perturba, incomoda, emociona e faz a gente pensar no que realmente seja esse AMOR e onde ele fica escondidinho as vezes.

É disso que estou falando...


23 de janeiro de 2013

Felicidade, ética, eles...

O tratamento, de forma geral, das questões éticas em Aristóteles e Platão
Nos diálogos platônicos todas as grandes questões filosóficas encontram-se bem encadeadas. Dois temas fundamentais norteiam a reflexão ético-filosófica em Platão:
a) de um lado o conhecimento e as condições que o tornam possível;
b) de outro lado a questão socrática fundamental que tematiza a importância da moralidade para a vida feliz e as condições necessárias de sua realização na polis. A verdadeira "felicidade, segundo as reflexões ético-políticas dos livros centrais da República, reside na forma de existência consagrada ao conhecimento do Bem. Este ideal filosófico, portanto, seria o verdadeiro ideal humano do viver, no sentido de "assemelhar-se a Deus enquanto o possível". Enquanto é possível, enquanto que a filosofia aristotélica é de caráter mais sistemático e analítico, e este divide a experiência humana em três grandes áreas:
a) o saber teórico;
b) o saber prático;
c) o saber criativo.
No estilo aristotélico, a ética, em conjunto com a política, pertence ao domínio do saber prático, porém, pode ser constatado pelo saber teórico.
Sendo assim, no domínio do saber prático o intuito é estabelecer sob que condições podemos agir da melhor forma possível tendo em vista nosso objetivo primordial que é a felicidade (ευδαιμονία = eudaimonia).


A felicidade como conceito ético em Aristóteles
Segundo Aristóteles, a felicidade (ευδαιμονία) é o objetivo visado por todo ser humano, visto assim, a felicidade está relacionada à realização humana e ao sucesso naquilo que se pretende obter, o que só se dá se aquilo que se faz é bem feito.
A felicidade é tida como um bem supremo, no qual o homem vive em busca constante, assim sendo, pode-se dizer que a escolhemos por si mesma, e não por algo a mais.
Porém, outras formas de excelência como a honraria, o prazer e a inteligência, dentre outras, escolhemos por si mesmas, mas estas nos causam felicidade também porque pensam-se que através destas seremos felizes.

Aristóteles caracteriza o discernimento como uma faculdade que torna possível a ação e a conduta ética
Ele define as virtudes intelectuais, classificando-as em seis formas:
a) arte ou técnica;
b) conhecimento científico;
c) prudência;
d) saber prático ou discernimento;
e) intuição intelectual;
f) sabedoria.
É dotado de discernimento aquele homem que é capaz de bem deliberar; o discernimento não pode ser conhecimento científico nem arte.
Somos possuidores de uma moderação que preserva tal discernimento, esta preserva nossa convicção quanto ao nosso bem.
Este visto assim deve ser uma qualidade nacional que leva à verdade no tocante as ações relacionadas com os bens humanos; o discernimento é uma forma de excelência.
O discernimento não é possível sem a excelência moral, e este não é bom no sentido próprio da palavra, não possui o primado sobre a sabedoria filosófica, porém, esforça-se para que esta exista.

Felicidade > grego ευδαιμονία > latim Felicitas > inglês Happyness > francês Bonheur > alemão Glückseligkeit > italiano Felicità: não importa a língua, o significado é um só, ou seja, em geral, um estado de satisfação de alguém que com sua situação no mundo e por esta relação com situação, a noção de felicidade difere de bem-aventurança que é o ideal de satisfação independente da relação do homem com o mundo, por isso limitada à esfera contemplativa ou religiosa.