23 de janeiro de 2013

Felicidade, ética, eles...

O tratamento, de forma geral, das questões éticas em Aristóteles e Platão
Nos diálogos platônicos todas as grandes questões filosóficas encontram-se bem encadeadas. Dois temas fundamentais norteiam a reflexão ético-filosófica em Platão:
a) de um lado o conhecimento e as condições que o tornam possível;
b) de outro lado a questão socrática fundamental que tematiza a importância da moralidade para a vida feliz e as condições necessárias de sua realização na polis. A verdadeira "felicidade, segundo as reflexões ético-políticas dos livros centrais da República, reside na forma de existência consagrada ao conhecimento do Bem. Este ideal filosófico, portanto, seria o verdadeiro ideal humano do viver, no sentido de "assemelhar-se a Deus enquanto o possível". Enquanto é possível, enquanto que a filosofia aristotélica é de caráter mais sistemático e analítico, e este divide a experiência humana em três grandes áreas:
a) o saber teórico;
b) o saber prático;
c) o saber criativo.
No estilo aristotélico, a ética, em conjunto com a política, pertence ao domínio do saber prático, porém, pode ser constatado pelo saber teórico.
Sendo assim, no domínio do saber prático o intuito é estabelecer sob que condições podemos agir da melhor forma possível tendo em vista nosso objetivo primordial que é a felicidade (ευδαιμονία = eudaimonia).


A felicidade como conceito ético em Aristóteles
Segundo Aristóteles, a felicidade (ευδαιμονία) é o objetivo visado por todo ser humano, visto assim, a felicidade está relacionada à realização humana e ao sucesso naquilo que se pretende obter, o que só se dá se aquilo que se faz é bem feito.
A felicidade é tida como um bem supremo, no qual o homem vive em busca constante, assim sendo, pode-se dizer que a escolhemos por si mesma, e não por algo a mais.
Porém, outras formas de excelência como a honraria, o prazer e a inteligência, dentre outras, escolhemos por si mesmas, mas estas nos causam felicidade também porque pensam-se que através destas seremos felizes.

Aristóteles caracteriza o discernimento como uma faculdade que torna possível a ação e a conduta ética
Ele define as virtudes intelectuais, classificando-as em seis formas:
a) arte ou técnica;
b) conhecimento científico;
c) prudência;
d) saber prático ou discernimento;
e) intuição intelectual;
f) sabedoria.
É dotado de discernimento aquele homem que é capaz de bem deliberar; o discernimento não pode ser conhecimento científico nem arte.
Somos possuidores de uma moderação que preserva tal discernimento, esta preserva nossa convicção quanto ao nosso bem.
Este visto assim deve ser uma qualidade nacional que leva à verdade no tocante as ações relacionadas com os bens humanos; o discernimento é uma forma de excelência.
O discernimento não é possível sem a excelência moral, e este não é bom no sentido próprio da palavra, não possui o primado sobre a sabedoria filosófica, porém, esforça-se para que esta exista.

Felicidade > grego ευδαιμονία > latim Felicitas > inglês Happyness > francês Bonheur > alemão Glückseligkeit > italiano Felicità: não importa a língua, o significado é um só, ou seja, em geral, um estado de satisfação de alguém que com sua situação no mundo e por esta relação com situação, a noção de felicidade difere de bem-aventurança que é o ideal de satisfação independente da relação do homem com o mundo, por isso limitada à esfera contemplativa ou religiosa.